rss featured 28589 1793056924

Dengue: Milhões de Adolescentes com Vacinação Incompleta

Saúde e Bem-estar

A vacinação incompleta de adolescentes contra a dengue representa um desafio significativo para a saúde pública no Brasil, com mais de 3 milhões de jovens que ainda necessitam retornar aos postos para completar o esquema vacinal. A plena imunização contra a doença transmitida pelo Aedes aegypti só é alcançada após a administração da segunda dose, um procedimento recomendado três meses após a primeira aplicação.

Os números alarmantes foram divulgados por Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), durante sua participação na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, que ocorreu na semana passada na cidade do Rio de Janeiro. A apresentação de Gatti evidenciou a urgência em mobilizar essa parcela da população para garantir a proteção necessária frente ao cenário epidemiológico.

Até o momento, o Brasil registrou a aplicação de mais de 11,8 milhões de doses da vacina contra a dengue em território nacional. Deste total, 7,6 milhões correspondem à primeira dose, enquanto 4,2 milhões são referentes à segunda. A discrepância entre esses números aponta para a lacuna que resulta nos mais de 3 milhões de adolescentes com a imunização parcial. Além disso, existe a preocupação de que quase 4 milhões de doses já distribuídas aos municípios ainda não foram utilizadas. Gatti enfatizou que, tradicionalmente, os casos de dengue registram um aumento durante o verão no Brasil, uma tendência que pode ser agravada nesta temporada devido ao fenômeno climático El Niño.

Dengue: Milhões de Adolescentes com Vacinação Incompleta

A conscientização sobre a importância de completar o ciclo vacinal é crucial.

“Vacinar adolescentes, sem que eles possuam uma percepção clara do risco, é uma tarefa bastante complexa. No contexto da dengue, a estratégia ideal seria imunizar a população no período intersazonal, ou seja, quando a incidência da doença é mais baixa, assegurando que o indivíduo esteja devidamente protegido ao iniciar a temporada de maior risco”, explicou o diretor do PNI.

Em relação ao fornecimento do imunizante, Eder Gatti garantiu que, apesar de a capacidade de produção da farmacêutica japonesa Takeda, responsável pela vacina Qdenga, não ser suficiente para atender à totalidade da população brasileira, o abastecimento para o público-alvo prioritário está assegurado. O Brasil mantém um contrato em vigor que prevê a entrega de 9 milhões de doses ainda neste ano de 2024, e mais 9 milhões para o ano de 2027, garantindo a continuidade da campanha de imunização. Para mais informações sobre a vacinação e medidas preventivas, o Ministério da Saúde oferece um portal detalhado.

A campanha de imunização contra a dengue no Brasil teve seu início nos municípios que apresentavam as maiores taxas de incidência da doença. Com um avanço progressivo, a vacinação já se encontra disponível em todo o território nacional, tendo como público-alvo crianças e adolescentes com idade entre 10 e 14 anos.

Eder Gatti esclareceu durante sua palestra o critério para a definição dessa faixa etária. Quando a vacina foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), os dados de segurança mais robustos e abrangentes estavam disponíveis para indivíduos entre 4 e 16 anos. Dentro desse espectro, as pesquisas indicavam que as crianças e adolescentes na faixa dos 10 aos 14 anos apresentavam maior propensão a desenvolver formas graves da doença, justificando a priorização.

“Ao analisarmos o conhecimento acumulado globalmente e no Brasil nos últimos anos, observamos que dispomos de mais informações sobre a segurança da vacina, e continuamos monitorando esses dados com extrema atenção. A expansão da vacinação para faixas etárias mais elevadas é uma possibilidade e até mesmo um desejo. No entanto, é imperativo que essa decisão seja tomada com cautela, considerando aspectos operacionais, orçamentários e, primordialmente, a segurança da população”, ponderou Gatti.

Dengue: Milhões de Adolescentes com Vacinação Incompleta - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

O diretor do PNI também abordou a situação da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, cuja aplicação permanece suspensa. A interrupção ocorreu após a identificação de três casos de dengue grave, resultando em dois óbitos, em um universo de mais de 500 mil pessoas que receberam o imunizante. Embora ainda não haja confirmação de que a vacina tenha sido a causa direta dos casos, a coincidência temporal foi interpretada como um “sinal de segurança” pelo Ministério da Saúde, levando à decisão de suspender a vacinação em junho.

“Esta suspensão não implica no cancelamento definitivo da vacina. Contudo, é fundamental que realizemos estudos complementares aprofundados para determinar se, de fato, o sinal de segurança observado representa um fator que compromete a eficácia e a segurança do imunizante”, acrescentou Gatti.

Apesar da pausa, o diretor do PNI expressou grande otimismo em relação à vacina do Butantan, classificando-a como “uma grande esperança para o país”. Ele destacou a importância de ser uma tecnologia de produção nacional, com um potencial ambicioso de vacinar entre 40 e 60 milhões de pessoas anualmente. Tal capacidade permitiria, em aproximadamente três anos, alcançar toda a população elegível para a imunização em território brasileiro.

No entanto, antes que essa meta possa ser atingida, Gatti reforçou a necessidade imperiosa de sanar todas as incertezas e lacunas que surgiram a partir do sinal de segurança detectado. A transparência e a base científica são pilares para a retomada e o sucesso da campanha com o imunizante nacional.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A situação da vacinação incompleta de adolescentes contra a dengue sublinha a importância da adesão plena às campanhas de imunização para proteger a saúde pública. É fundamental que pais e responsáveis garantam que os jovens completem o esquema vacinal e que o Ministério da Saúde continue a monitorar e informar sobre os avanços e desafios. Para acompanhar outras notícias e análises sobre saúde e bem-estar, continue explorando nossa editoria em horadecomecar.com.br/saude/.

Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

Deixe um comentário