O presidente do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, fez um apontamento estratégico crucial para o futuro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com Kassab, Lula precisará replicar o modelo de sucesso econômico de seu primeiro mandato, buscando uma parceria de peso na condução da política fiscal e monetária, similar à que foi formada por Antonio Palocci e Henrique Meirelles. A declaração foi feita durante entrevista concedida ao programa Canal Livre, da Band e BandNews TV, programada para ir ao ar no domingo, 1º de novembro.
Kassab enfatizou que, embora o presidente eleito tenha assumido compromissos sociais importantes que certamente serão cumpridos, a sustentabilidade dessas promessas depende diretamente de uma gestão econômica robusta e coesa. O desafio, segundo ele, é encontrar um par de líderes na área econômica que possam operar com a mesma sinergia e empoderamento que Palocci e Meirelles demonstraram como ministro da Fazenda e presidente do Banco Central, respectivamente, no período entre 2003 e 2006. Tal liderança é vista como fundamental para navegar pelos complexos cenários financeiros e políticos atuais.
Kassab sugere ‘dupla Palocci-Meirelles’ para economia de Lula
A condição para uma eventual adesão formal do PSD, a quarta maior bancada partidária na Câmara com 43 deputados, à base aliada do governo Lula está atrelada a um diálogo efetivo e à construção de uma gestão que também contemple o centro político. Kassab, que parabenizou Lula pela vitória eleitoral, reiterou que o partido necessita sentir-se parte integrante da base, o que só seria possível se o governo demonstrasse uma visão voltada para o centro. Essa abordagem, na percepção do presidente do PSD, ampliaria significativamente as chances de sucesso do novo mandato presidencial.
A busca por uma administração de cunho mais centralizado reflete a convicção de Kassab de que tal estratégia não apenas fortalecerá a governabilidade, mas também sinalizará estabilidade e previsibilidade para o mercado e para a sociedade em geral. Ao se posicionar no centro, o governo Lula poderia angariar um apoio mais amplo, essencial para a aprovação de reformas e para a implementação de políticas de longo prazo que visem ao desenvolvimento econômico sustentável do país. A interlocução com as forças políticas de centro é, portanto, um pilar para a construção de uma base sólida no Congresso Nacional.
No atual cenário, diversos nomes circulam como potenciais candidatos a ocupar o cargo de ministro da Fazenda no quarto governo de Lula. Entre os cotados, destacam-se Rafael Fonteles, atual governador do Piauí e membro do PT, e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, que também teve experiência na chefia do Ministério da Indústria e Comércio entre 2023 e o início de 2026. Já para a presidência do Banco Central, o atual ocupante, Gabriel Galípolo, possui mandato garantido na autoridade monetária até dezembro de 2028, trazendo uma continuidade institucional para a gestão da política monetária do país.
Gilberto Kassab frisou que o apoio do PSD ao governo Lula dependerá intrinsecamente da formação de uma gestão que se incline para o centro político, delineando diretrizes econômicas claras e consistentes. Ele questionou: “Se ele [Lula] fizer um governo para o centro, deixando claro quais serão as suas linhas mestras na condução da política econômica, apoiando algumas reformas estruturais do país, em especial a reforma eleitoral e algumas reformas do Judiciário, por que não apoiá-lo?”. Essa afirmação sublinha a importância de um plano econômico bem definido e o compromisso com reformas estruturais para conquistar a adesão do partido.
Para o líder do PSD, é imperativo que Lula confira autonomia e poder aos indivíduos que comporão a equipe econômica. Kassab declarou que “o Lula precisa fazer agora é encontrar a sua dupla Meirelles-Palocci, delegar o comando, empoderar para que eles possam atingir o objetivo de trazer equilíbrio fiscal, tranquilizar o mercado”. O empoderamento, neste contexto, significa dar aos líderes econômicos a capacidade de tomar decisões cruciais e de implementar as medidas necessárias para restaurar a confiança dos investidores e garantir a saúde das contas públicas, um fator determinante para a estabilidade macroeconômica brasileira.
Na entrevista, Kassab aprofundou o argumento sobre a segurança e a estabilidade fiscal como pilares para a atração e retenção de investimentos no Brasil. Segundo ele, o mercado é composto por pessoas com recursos que já estão no país e desejam permanecer, ou por investidores estrangeiros que buscam oportunidades. No entanto, se não houver a certeza de uma trajetória de queda de juros, promovida por um cenário de equilíbrio fiscal e ajuste contínuo, esses capitais tendem a se evadir ou a não ingressar no país. A política de equilíbrio fiscal, que se faz por meio de medidas e diretrizes da política econômica do governo, é a base para criar esse ambiente de confiança e prosperidade.

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Em um cenário legislativo desafiador, com um Congresso Nacional que apresenta uma composição complexa, Lula terá a necessidade de construir uma base governista abrangente, que inclua membros de diversos partidos políticos. O PSD, por exemplo, registrou uma perda de cinco deputados nas últimas eleições gerais, passando de 48 para 43 cadeiras. Por outro lado, o Partido Liberal (PL), mesmo com a derrota de Flávio Bolsonaro, consolidou uma bancada expressiva de 121 deputados e 28 senadores. Diante dessa realidade, para que sua agenda legislativa possa avançar, Lula precisará dialogar e atrair partidos do Centrão, que historicamente são contemplados com ministérios em troca de apoio parlamentar.
O presidente do PSD reiterou, na entrevista, a importância de dois nomes centrais na montagem da equipe econômica, com foco específico nas pastas do Planejamento e da Fazenda. Ele ponderou que “É fundamental que o Lula empodere duas pessoas: no Planejamento, que saiba entender os gastos para fazer os cortes, e na Fazenda, que saiba tranquilizar o mercado”. Essa divisão de responsabilidades é vista como essencial para uma gestão eficiente, onde o Ministério do Planejamento seria encarregado de identificar e promover cortes de gastos públicos, enquanto o Ministério da Fazenda atuaria como um elo de confiança com o setor produtivo e os investidores.
Kassab também fez uma análise comparativa, indicando que o contexto atual é consideravelmente mais complexo e desfavorável do que o cenário econômico e político encontrado por Lula em 2003, no início de seu primeiro mandato. Essa complexidade crescente exige, mais do que nunca, uma compreensão aprofundada por parte do presidente de que a escolha dos ministros da Fazenda e do Planejamento é uma prioridade absoluta. Segundo ele, essas duas figuras representam os pilares centrais para o sucesso de um governo, dada a necessidade premente de estabilidade e de respostas eficazes aos desafios econômicos. O risco de errar nessas indicações é, portanto, significativamente maior.
Por fim, o presidente do PSD defendeu veementemente que o ajuste fiscal necessário para o país seja implementado sem recorrer ao aumento de impostos. Ele argumentou que o caminho mais adequado e sustentável para promover o reequilíbrio das contas públicas passa por uma rigorosa política de corte de gastos, eliminação de subsídios ineficazes e de privilégios. “Ele vai promover, portanto, corte de gastos, ele vai promover corte de subsídios, de privilégios, porque é o único caminho, porque não se admite o aumento da carga tributária”, concluiu Kassab. Essa perspectiva reflete uma preocupação com a pressão tributária sobre a sociedade e a busca por eficiência na gestão dos recursos públicos.
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Em suma, Gilberto Kassab delineia um roteiro para o governo Lula que prioriza a construção de uma forte equipe econômica, empoderada e alinhada com as necessidades do centro político e do mercado. A entrevista completa de Gilberto Kassab, que oferece insights aprofundados sobre a visão do PSD para o futuro político-econômico do Brasil, será transmitida neste domingo, às 20h, pela BandNews TV, BandNews FM e Rádio Bandeirantes, com reprise às 23h na Band. Para se aprofundar em análises sobre o cenário político-econômico brasileiro e as movimentações dos partidos, continue acompanhando nossa editoria de Política.
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