STF reabre investigação contra Valdemar Costa Neto por golpe

Economia

TÍTULO: STF reabre investigação contra Valdemar Costa Neto por golpe
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META DESCRIÇÃO: O Supremo Tribunal Federal (STF) reabriu a investigação contra Valdemar Costa Neto, presidente do PL, por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Saiba os detalhes da decisão e o contexto do caso.

A investigação contra Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), foi oficialmente reaberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão da Primeira Turma retoma o inquérito que apura a participação do líder partidário em crimes de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, no âmbito da trama golpista. Este desdobramento representa um avanço significativo nas apurações sobre os eventos pós-eleitorais de 2022.

A determinação ocorreu durante o julgamento do chamado núcleo quatro da tentativa de golpe de Estado, um dos pilares da investigação que examina a fundo os esforços para subverter o resultado das eleições. Na ocasião, os ministros analisavam a conduta de Carlos Rocha, engenheiro e presidente do Instituto Voto Legal (IVL), a entidade contratada pelo PL para a elaboração de um relatório sobre as urnas eletrônicas utilizadas no pleito de 2022.

STF reabre investigação contra Valdemar Costa Neto por tentativa de golpe

O ministro relator votou pela reabertura do inquérito contra o presidente do PL, argumentando que, dada a condenação de Carlos Rocha pelos crimes de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, seria imperativo aprofundar as investigações sobre a atuação de Valdemar Costa Neto em relação aos mesmos delitos. A maioria do colegiado acompanhou o voto do ministro, consolidando a decisão pela retomada das apurações. Segundo o ministro, a medida se baseia no artigo 18 do Código de Processo Penal, que permite a extração de cópias da denúncia e de todo o acervo probatório para reabrir a investigação e analisar os crimes atribuídos ao líder do Partido Liberal.

No desenrolar do processo, Valdemar Costa Neto havia figurado entre os indiciados pela Polícia Federal (PF). Contudo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) optou por não apresentar denúncia contra ele em fevereiro de 2025. Outros três investigados no mesmo contexto também não foram denunciados pela PGR à época. Questionada pela imprensa sobre a recente decisão do STF, a assessoria do Partido Liberal informou que não se manifestaria sobre o caso, mantendo silêncio sobre a reabertura da investigação que envolve seu presidente.

A acusação detalha que o Instituto Voto Legal (IVL) foi contratado pelo PL com a finalidade de realizar uma análise minuciosa das urnas eletrônicas. O objetivo declarado era identificar possíveis falhas nos dispositivos eleitorais. O relatório final produzido pelo IVL foi, posteriormente, empregado como base para a representação que o Partido Liberal encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o segundo turno das eleições de 2022, desencadeando uma série de contestações.

Na representação enviada ao TSE, o PL solicitava a invalidação dos votos registrados em mais da metade das urnas – precisamente 279 mil equipamentos – exclusivamente no segundo turno. A estratégia do partido visava a manutenção do então presidente Jair Bolsonaro (PL) na Presidência da República para um segundo mandato, sem que houvesse a perda dos 99 deputados eleitos pela legenda no primeiro turno da disputa, um cenário que gerou intensos debates jurídicos e políticos.

O ministro relator, na ocasião, rejeitou o pedido do PL, fundamentando sua decisão no fato de que o partido não poderia questionar apenas um turno da eleição, uma vez que as urnas utilizadas foram as mesmas em ambas as etapas do pleito. O ministro considerou a ação da sigla como litigância de má-fé, impondo uma multa significativa. O PL, então, recorreu ao plenário do TSE, buscando a revogação da multa e o desbloqueio de suas contas bancárias. Entretanto, a corte eleitoral manteve integralmente a decisão monocrática do ministro, ratificando a sanção.

Ao votar pela condenação de Carlos Rocha, o ministro classificou a representação do PL como “uma das coisas mais bizarras que a Justiça Eleitoral já recebeu desde a sua criação”. Ele também criticou a sigla por, segundo ele, “mentir recorrentemente” sobre a ação. A multa aplicada, de 1,5% sobre o valor da causa, totalizou R$ 22 milhões, montante referente à impugnação de todas as urnas em questão. O plenário do TSE confirmou tanto a alegação de litigância de má-fé quanto a multa imposta ao partido. Mais informações sobre as decisões do Supremo Tribunal Federal podem ser consultadas no portal oficial da instituição.

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A reabertura da investigação contra Valdemar Costa Neto sublinha a persistência das autoridades em apurar todos os contornos da alegada tentativa de golpe de Estado, demonstrando a complexidade e a profundidade das ações judiciais em curso. Para se manter atualizado sobre este e outros importantes desdobramentos na esfera política nacional, continue acompanhando a editoria de Política em nosso portal.

Crédito da imagem: Beto Barata/PL