Trump avalia ataques na Venezuela contra tráfico de cocaína

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Donald Trump avalia ataques na Venezuela direcionados a instalações de cocaína e rotas de tráfico de drogas. A informação, revelada por três autoridades americanas à CNN, indica que o ex-presidente dos Estados Unidos considera seriamente essas ações, embora uma decisão final ainda não tenha sido tomada. Paralelamente, a possibilidade de uma abordagem diplomática para conter o fluxo de entorpecentes para os EUA não foi completamente descartada, mesmo com a interrupção recente das negociações com o governo de Nicolás Maduro.

Apesar de a Venezuela não ser tradicionalmente reconhecida como uma grande produtora de cocaína, a administração Trump tem se esforçado para estabelecer uma conexão direta entre o regime de Maduro e o narcotráfico. Este esforço é parte de uma estratégia mais ampla que envolve tanto a pressão militar quanto a política, visando desestabilizar o governo venezuelano e, possivelmente, forçar uma mudança de regime no país sul-americano.

Trump avalia ataques na Venezuela contra tráfico de cocaína

Indícios de uma potencial escalada militar surgiram na sexta-feira, dia 24, quando o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ordenou o deslocamento do mais avançado grupo de ataque de porta-aviões da Marinha americana, atualmente na Europa, para a região do Caribe. Esta movimentação ocorre em meio a um significativo aumento de forças dos EUA na área. Adicionalmente, o ex-presidente Trump autorizou a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, sinalizando uma intensificação das ações encobertas.

Fontes do governo confirmaram à CNN a existência de planos sendo analisados pelo ex-presidente, incluindo a viabilidade de operações em solo venezuelano. Uma das autoridades envolvidas nas discussões ressaltou que diversas propostas foram apresentadas. Outra fonte indicou que o planejamento é coordenado em várias esferas governamentais, mas que o foco principal, no alto escalão, está voltado para a intercepção de drogas dentro do território venezuelano. A retórica de Trump sobre potenciais ataques terrestres tem se acentuado nos últimos dias, coincidindo com uma série de ataques militares dos EUA contra barcos suspeitos de tráfico de drogas em águas internacionais.

O ataque mais recente foi uma operação noturna no Caribe contra uma embarcação que supostamente transportava drogas, resultando na morte de seis pessoas. Este incidente elevou para 10 o número total de barcos alvejados e para 43 o número de mortos desde o início da campanha antidrogas dos EUA no mês anterior, conforme dados fornecidos por Hegseth. A CNN já havia noticiado anteriormente que Trump considerava ataques diretos na Venezuela como parte de sua estratégia para fragilizar Maduro, e o próprio ex-presidente havia feito comentários públicos sobre possíveis operações em terra. Contudo, ele não detalhou as implicações dessas ações, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio sugeriu que as “rotas” de drogas poderiam ser os alvos prioritários.

Dentro do governo americano, alguns funcionários defendem abertamente uma mudança de regime em Caracas, argumentando que a campanha antidrogas poderia ser o catalisador para a deposição de Maduro. Essa estratégia passaria por pressionar indivíduos próximos ao líder venezuelano, que supostamente se beneficiam de fontes ilícitas de renda provenientes de cartéis. O objetivo seria levá-los a um ponto em que considerassem a remoção de Maduro do poder. Um vídeo divulgado recentemente mostra o próprio Nicolás Maduro, em inglês, fazendo um apelo pela paz.

É importante notar que, segundo o UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), a Venezuela não é um país produtor de cocaína. A vasta maioria das plantações de coca, principal ingrediente da droga, concentra-se na Colômbia, Peru e Bolívia. Um relatório anual da DEA (Agência Antidrogas dos EUA), publicado em março, não fez menção à Venezuela nas quatro páginas dedicadas ao tráfico de cocaína, citando Equador, América Central e México como rotas principais. No entanto, autoridades do governo americano persistem na alegação de que parte do tráfico de drogas transita pela Venezuela, reforçando que Maduro foi indiciado em 2020 por acusações federais de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína. Marco Rubio reiterou em uma viagem ao Equador, em setembro, que Nicolás Maduro é um “traficante de drogas indiciado nos Estados Unidos e um fugitivo da Justiça”. Para mais informações sobre o combate global ao tráfico de drogas, consulte os relatórios do UNODC.

Apesar da urgência aparente, fontes do governo Trump alertaram que o ex-presidente “não tem pressa” para tomar uma decisão, uma vez que seu foco atual estaria em sua viagem à Ásia e nas negociações com a Rússia e a Ucrânia para o fim da guerra. Embora as autoridades tenham indicado que Trump estava aberto a uma solução diplomática, ele cancelou esforços no início deste mês para se engajar em negociações com Maduro e altos funcionários venezuelanos, que estavam sendo lideradas por Richard Grenell, um enviado presidencial especial.

As autoridades americanas também reconhecem que uma operação militar agressiva contra um alvo dentro da Venezuela provavelmente exigiria aprovação do Congresso, ou, no mínimo, instruções explícitas do Congresso, antes que o governo pudesse prosseguir. Na quinta-feira, dia 23, Trump afirmou à CNN que poderia continuar a lançar ataques contra supostos traficantes de drogas no exterior sem uma declaração formal de guerra do Congresso. Ele assegurou que notificaria o Congresso sobre quaisquer operações em terra, mas que não esperava resistência. “Não vou necessariamente pedir uma declaração de guerra”, disse ele. “Acho que vamos simplesmente matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país. Certo? Vamos matá-las, sabe, elas vão ficar, tipo, mortas.”

O aumento da mobilização de forças americanas também levantou questões sobre as reais intenções da administração Trump na região. Sean Parnell, secretário de imprensa do Pentágono, declarou em um comunicado no X que a mobilização do grupo de ataque de porta-aviões Gerald R. Ford visava “desmantelar organizações criminosas transnacionais e combater o narcoterrorismo”. O grupo atracou perto do porto de Split, na Croácia, em 21 de outubro, posicionando o porta-aviões e seus navios a mais de 8 mil quilômetros do Caribe, o que significa que levaria dias para que o grupo estivesse em posição de lançar qualquer ataque direto. Contudo, mesmo antes da chegada do Ford, uma parcela significativa dos ativos navais dos EUA globalmente já havia sido realocada para o Comando Sul dos EUA, a unidade militar responsável pelas operações na região, segundo um rastreador de frota do Instituto Naval dos Estados Unidos.

Essa realocação massiva inclui o Grupo Anfíbio de Prontidão de Iwo Jima e a 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, totalizando mais de 4.500 fuzileiros navais e marinheiros. A frota também conta com três contratorpedeiros de mísseis guiados, um submarino de ataque, um navio de operações especiais, um cruzador de mísseis guiados e uma aeronave de reconhecimento P-8 Poseidon. Simultaneamente, os EUA enviaram 10 caças F-35 para Porto Rico, transformando a ilha em um centro estratégico para as Forças Armadas americanas, como parte do foco ampliado no Caribe. Pelo menos três drones MQ-9 também foram enviados para a ilha, conforme imagens capturadas pela Reuters em Aguadilla, Porto Rico. A Estação Naval Roosevelt Roads, em Porto Rico, uma instalação militar dos EUA que estava inativa desde 2004, também está novamente em funcionamento, de acordo com imagens de satélite e fotos recentes da base.

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Em suma, a possibilidade de Donald Trump avalia ataques na Venezuela representa um ponto crítico nas relações entre os dois países, com implicações militares e diplomáticas significativas. As ações dos EUA, que envolvem tanto a mobilização de forças quanto operações secretas, indicam uma postura agressiva contra o narcotráfico, embora a conexão da Venezuela como produtora seja contestada por órgãos internacionais. Acompanhe mais análises e notícias sobre política internacional em nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Palácio de Miraflores/Divulgação via REUTERS