Petrobras mantém interesse na África apesar da Foz do Amazonas

Economia

A Petrobras mantém interesse na África para a recomposição de suas reservas de petróleo e gás, conforme declarado pela presidente da companhia, Magda Chambriard, nesta terça-feira, 28 de maio. A executiva enfatizou que o progresso do projeto envolvendo a Margem Equatorial brasileira não diminui o foco da estatal em expandir suas atividades exploratórias para além das fronteiras nacionais. A busca por novas fontes de energia no continente africano é parte integrante da estratégia de longo prazo da empresa para assegurar sua relevância e capacidade produtiva.

Magda Chambriard foi categórica ao afirmar que, de nenhuma forma, o avanço na exploração da Margem Equatorial freia o interesse da Petrobras pelo continente africano. A empresa tem direcionado sua atenção para o mercado internacional, visando a obtenção de novas reservas em países como África do Sul, Angola, Namíbia e São Tomé e Príncipe, reforçando sua visão de atuação global. Questionada especificamente sobre planos para a Namíbia, em uma possível parceria com a Galp, a presidente da estatal limitou-se a dizer: “Estamos estudando, eu não vou antecipar nada. É muito esforço, muito trabalho, muito estudo para a gente entrar lá, tem que ser uma coisa muito boa e uma construção conjunta”.

A estratégia da Petrobras visa consolidar sua presença global e garantir a sustentabilidade de suas operações a longo prazo. A exploração contínua de novas fronteiras é vista como essencial para o futuro da companhia, independentemente dos desafios e discussões acerca de projetos como a Foz do Amazonas.

Petrobras mantém interesse na África apesar da Foz do Amazonas

Em seu pronunciamento, a presidente da Petrobras reiterou o compromisso da empresa com a produção de petróleo de forma econômica, ao mesmo tempo em que garantiu a adesão da estatal a todas as metas estipuladas pelo Acordo de Paris, reforçando sua responsabilidade ambiental e social no cenário global. Magda Chambriard voltou a destacar que não existe futuro para empresas de petróleo sem exploração, sublinhando a importância da atividade para a sustentabilidade da indústria.

Ainda sobre o potencial de exploração nacional, a executiva ressaltou que o Brasil possui um vasto potencial petrolífero, estendendo-se de Norte a Sul. Ela mencionou que, embora o foco atual esteja no Amapá com a Margem Equatorial, a Bacia de Pelotas, localizada no Rio Grande do Sul, também representa um desafio exploratório significativo para a companhia. Em relação à contratação de empresas do Amapá para o projeto na Foz do Amazonas, Magda Chambriard indicou que uma construção está sendo feita em conjunto com o Governo do Amapá, prometendo divulgar os resultados assim que estiverem disponíveis.

Crescimento e Transição Energética

Magda Chambriard assegurou que tanto o mercado quanto a sociedade podem esperar da Petrobras a mesma responsabilidade demonstrada em empreendimentos anteriores, como a exploração do pré-sal, agora aplicada ao desafio da transição energética. “Há 15 anos, falavam que não seria possível atuar no pré-sal. Fomos lá e mostramos o que somos capazes de fazer. Hoje, dizem que é impossível fazer a transição energética justa. Nós vamos manter a nossa relevância e chegar em 2050 entregando todas as promessas”, afirmou a presidente.

Segundo a executiva, este compromisso será cumprido por meio do desenvolvimento sustentável, mesmo nas novas fronteiras de exploração, garantindo assim a segurança energética do Brasil. Magda participou da OTC Brasil 2025, um dos mais importantes eventos de tecnologia offshore do mundo, que ocorreu no Rio de Janeiro e foi organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

Inovação e Produtividade

A presidente da Petrobras enfatizou a necessidade de a empresa inovar nos próximos 72 anos para se adaptar a um novo cenário global, no qual a transição energética justa deve ser aliada à produção de petróleo com menor emissão de gases poluentes. Em sua avaliação, a Petrobras tem demonstrado competência e responsabilidade em seu crescimento, o que se reflete na constante avaliação do portfólio de projetos e na gestão responsável em busca de ganhos de produtividade.

Um exemplo concreto desse desempenho é o campo de Búzios, que está próximo de alcançar a produção de 1 milhão de barris por dia (bpd). O FPSO (navio plataforma) Almirante Tamandaré, um dos ativos mais importantes, atingiu 270 mil bpd, tendo chegado a produzir 282 mil bpd. Magda Chambriard comentou, de forma descontraída, que “isso é mais do que alguns países. Vamos entrar pro Guinness nesse ritmo”, evidenciando o patamar de produção alcançado.

Licença na Margem Equatorial

Em relação à licença para a Margem Equatorial, Magda Chambriard esclareceu que os três poços contingentes ao poço de Morpho, localizados no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, só serão perfurados caso o primeiro poço em perfuração no momento obtenha sucesso. A executiva informou que esses três poços contingentes já estão contemplados na licença de operação concedida pelo Ibama no último dia 20 de maio.

A presidente da Petrobras reafirmou que a perfuração do poço pioneiro, que tem o potencial de revelar a existência de petróleo na região, levará aproximadamente cinco meses e está apenas em suas etapas iniciais. “Nossa licença para Margem Equatorial já inclui o pedido dos três poços contingentes”, informou Magda ao lado do governador do Amapá, Clécio Vieira, após a abertura da OTC 2025 no Rio de Janeiro. Ela explicou que, “à medida que vamos avançando (na exploração de Morpho), vamos ver a necessidade (de abrir os poços contingentes)”. A executiva também confirmou que já existem conversas com empresas do Amapá para futuras contratações, mas não forneceu detalhes.

A presidente da Petrobras reafirmou que o cenário de preços do petróleo é desafiador para a indústria, mas que a competitividade é uma construção coletiva. Ela se mostrou confiante em relação aos próximos passos na Margem Equatorial. “Vemos a queda da commodity que nos sustenta e isso exige de todos nós (do setor) que sejamos cada dia mais eficientes, o que inclui o arcabouço regulatório brasileiro e parceiros que atuem em busca de preços competitivos e eficiência operacional”. Magda ainda enalteceu a posição do governo do Amapá, que tem sido um parceiro fundamental da Petrobras na direção de novas fronteiras exploratórias. “Temos tido grande apoio da comunidade do Amapá. Nossa reposição de reservas é vital para a indústria e a licença que obtivemos é um marco para o Amapá, para a Petrobras e para todo Brasil. Estamos confiantes que vamos seguir em frente nesse desafio”.

Plano de Negócios 2026-2030

A presidente da Petrobras confirmou que o Plano Estratégico da companhia para o período de 2026-2030 será divulgado no próximo dia 27 de novembro, uma segunda-feira. Embora pessoas próximas ao assunto indiquem que o corte nos investimentos poderá superar os US$ 8 bilhões, diante da queda do preço do barril de petróleo, a executiva não fez comentários adicionais sobre o tema, mantendo sigilo sobre os detalhes até a data oficial.

Questionada sobre o cenário de produção, Magda Chambriard esclareceu que os números do FPSO Almirante Tamandaré representam uma conquista expressiva, resultado do trabalho conjunto da Petrobras e de seus fornecedores. “Estamos considerando Almirante Tamandaré com 270 mil barris por dia (bpd). Estamos falando de uma plataforma que tinha capacidade de 225 mil barris por dia e que está passando para 270 sem novos investimentos”, pontuou. Ela enfatizou que “num momento de redução do preço de petróleo, nós estamos enfrentando essa queda com muito esforço, com muito trabalho, com muita tecnologia e com muita resiliência”.

Em outubro, o campo de Búzios superou, pela primeira vez, a produção de Tupi, registrando 821,8 milhões de bpd contra 780,4 milhões de bpd. No entanto, a executiva afirmou que para a produção da Petrobras se aproximar de 2 milhões de bpd, é necessário um conjunto de fatores e a entrada em operação de novas plataformas. “Vamos ter que esperar a P-78 a plena carga que estamos em ramp up (evolução), a P-79 que já está chegando, a P-82, a P-84, a P-85”, listou, delineando os próximos passos para a expansão da capacidade produtiva.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

As declarações de Magda Chambriard reforçam a postura estratégica da Petrobras em equilibrar a busca por novas reservas internacionais, como a exploração em países africanos, com o avanço de projetos importantes no Brasil e o compromisso com a transição energética e a sustentabilidade. Para mais análises aprofundadas sobre o setor energético e as estratégias de grandes corporações no Brasil, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação/Petrobras