Boulos ataca Castro por segurança pública no RJ: ‘Pirotecnia’

Economia

O recém-nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou veementemente o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, sobre a abordagem da segurança pública no estado. Boulos, deputado federal pelo Psol-SP, acusou Castro de priorizar a “politicagem e pirotecnia com sangue” em detrimento de ações eficazes contra o crime organizado, conforme manifestou em suas redes sociais.

A declaração de Boulos surge em meio a uma série de embates entre o governo federal e a administração fluminense a respeito das estratégias de combate à criminalidade. O ministro, cuja posse está agendada para esta quarta-feira, dia 29, na pasta responsável pela interlocução com movimentos sociais, rebateu as queixas de Castro sobre supostos pedidos de ajuda negados pela União para reforçar a segurança no Rio de Janeiro.

Boulos ataca Castro por segurança pública no RJ: ‘Pirotecnia’

Guilherme Boulos reforçou sua crítica ao apontar que o mesmo governador que acusa o governo Lula de omissão teria se posicionado contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, uma medida que visa justamente ampliar a capacidade de atuação federal no enfrentamento ao crime organizado. “Ele está mais preocupado em fazer politicagem e pirotecnia com sangue. Lamentável”, declarou o deputado.

A Megaoperação no Complexo do Alemão e Penha

O pano de fundo para as trocas de acusações é a recente megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar no Complexo do Alemão e na Penha, regiões localizadas na zona norte do Rio de Janeiro. A ação teve como objetivo cumprir mandados de prisão contra traficantes ligados ao Comando Vermelho, que reagiram intensamente. Os criminosos montaram barricadas em vias de grande movimento e utilizaram drones para lançar artefatos explosivos, evidenciando a complexidade do cenário de segurança no RJ.

Os dados mais recentes divulgados pelo governo do Rio de Janeiro sobre essa operação são alarmantes. Ao todo, 64 pessoas perderam a vida, incluindo quatro policiais. Além disso, 15 indivíduos ficaram feridos e 81 foram presos. Este episódio marca a operação mais letal já registrada na história do estado, sublinhando a gravidade da situação e a urgência de uma resposta coordenada para a segurança pública.

O Rebate do Governo Federal e a PEC da Segurança

Em resposta às afirmações de Cláudio Castro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, também se manifestou. Lewandowski salientou que o governador reconheceu não ter solicitado a edição de um decreto para autorizar o emprego das Forças Armadas no contexto de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), um procedimento protocolar e essencial para esse tipo de intervenção federal.

Cláudio Castro, em entrevista à CNN Brasil, defendeu a operação, afirmando que ela foi planejada com dois meses de antecedência e negou qualquer motivação eleitoral. Contudo, aliados do governo federal, incluindo Boulos, aproveitaram a oportunidade para relembrar críticas anteriores do governador à PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo em 2024 e que ainda aguarda votação no Congresso Nacional.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também contribuiu para o debate, reiterando a importância da PEC. Segundo Hoffmann, a necessidade de ações de segurança serem precedidas por operações de inteligência, incluindo inteligência financeira, é fundamental para o sucesso, citando como exemplo a Operação Carbono Oculto. A proposta do governo Lula, que pode ser consultada para mais detalhes sobre seu trâmite e texto no site oficial da Câmara dos Deputados, visa estabelecer uma grande articulação entre o governo federal e os estados, com o intuito de enfraquecer o crime organizado.

A discussão em torno da segurança pública no Rio de Janeiro e das responsabilidades entre esferas de governo continua acesa. As críticas de Guilherme Boulos a Cláudio Castro evidenciam a polarização e a complexidade na busca por soluções efetivas para a violência no estado, com a PEC da Segurança surgindo como um ponto central de discórdia e esperança para diferentes atores políticos e sociais.

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Crédito da imagem: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados