Lula se mostra estarrecido com violência no Rio após Operação Contenção

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou profundo estarrecimento com a violência no Rio de Janeiro e o elevado número de óbitos registrados durante a recente Operação Contenção. A revelação foi feita pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, após uma reunião com o chefe de Estado na capital federal na quarta-feira, 29 de outubro de 2025.

De acordo com Lewandowski, o presidente ficou “estarrecido” diante do volume de ocorrências fatais que marcaram a ação policial no estado fluminense, a qual resultou em mais de uma centena de mortes. A declaração do ministro ocorreu durante uma entrevista coletiva concedida no Palácio da Alvorada, ressaltando a preocupação presidencial com os desdobramentos da operação.

Lula se mostra estarrecido com violência no Rio após Operação Contenção

Após o encontro com Lula, o ministro Lewandowski seguiu para o Rio de Janeiro, onde se reuniu com o governador Cláudio Castro. Um dos pontos que surpreenderam o presidente foi o fato de uma operação de tamanha magnitude ter sido deflagrada sem o prévio conhecimento do governo federal. Lula manifestou estranheza pela falta de comunicação, que impossibilitou qualquer forma de participação ou apoio logístico e informacional por parte da União.

Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, a forma como as forças policiais do Rio de Janeiro conduziram a Operação Contenção foi “extremamente violenta”. Lewandowski levantou questionamentos importantes sobre a compatibilidade de tais ações com os princípios do Estado Democrático de Direito, instituídos pela Constituição Federal de 1988.

Frente à complexidade do cenário e à gravidade dos acontecimentos, o presidente Lula determinou que sua equipe dialogue intensamente com o governador Cláudio Castro. O objetivo é mapear as reais necessidades do estado e identificar as maneiras mais eficazes pelas quais o governo federal pode oferecer contribuições significativas para a segurança pública carioca. A meta, segundo Lewandowski, é “minimizar o sofrimento do povo, apoiar as forças de segurança e intensificar naquilo que for possível o combate às organizações criminosas”.

Em contrapartida, o governador Cláudio Castro, em entrevista concedida na mesma quarta-feira, classificou a operação policial como um “sucesso”. Ele argumentou que as únicas vítimas dos confrontos foram os policiais mortos em serviço. Castro reiterou que o Rio de Janeiro configura-se como o epicentro de uma crise de segurança pública que, em sua visão, “assola o Brasil”. O Ministério da Justiça e Segurança Pública já havia atendido a um pedido do governador, efetuando a transferência de dez detentos para presídios federais. Estes indivíduos são apontados como líderes, de dentro das cadeias, de ações de retaliação à operação, culminando em um quadro de caos na cidade.

Identificação de Corpos e Reforço Federal

Como medida imediata e crucial, Lewandowski informou que o governo federal enviará peritos criminais e médicos legistas, tanto da Polícia Federal quanto da Força Nacional, para atuar na identificação dos corpos das vítimas. Ele destacou a capacidade técnica da Polícia Federal, que possui um banco de dados robusto de DNA e balística, essencial para elucidar os crimes e determinar a ligação das vítimas com organizações criminosas.

Adicionalmente, o ministro mencionou a possibilidade de aumentar o efetivo da Força Nacional, que já atua no estado desde 2023, além de reforçar os contingentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal no Rio de Janeiro, visando aprimorar a segurança e o combate ao crime.

Debates sobre GLO e Estratégias de Segurança

Questionado sobre a eventual decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para o Rio de Janeiro, Lewandowski esclareceu que tal decisão compete exclusivamente ao presidente da República, mediante um pedido formal do governador do estado. A GLO é uma medida excepcional que permite o emprego das Forças Armadas em ações de segurança pública. A última GLO foi acionada por Lula em novembro do ano passado, para garantir a segurança das comitivas que participaram da cúpula do G20, também no Rio de Janeiro.

Apesar da discussão pública, o ministro afirmou que a hipótese de GLO não foi abordada durante a reunião desta quarta-feira com o presidente Lula. Ele reiterou sua convicção de que “essa maneira violenta de lidar com o crime organizado já foi tentada muitas vezes”, defendendo, mais uma vez, a prioridade ao trabalho de inteligência em detrimento da força bruta. Lewandowski enfatizou que o crime organizado atual é “altamente sofisticado”, exigindo um enfrentamento que combine “inteligência, planejamento e coordenação de ações das diversas forças”. Essa abordagem é um dos pilares da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em análise no Congresso Nacional.

A PEC da Segurança Pública foi entregue à Câmara dos Deputados em abril, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A proposta visa promover uma maior integração entre a União e os entes federados, além de conceder respaldo constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), estabelecido por lei ordinária em 2018. A iniciativa busca uma abordagem mais coesa e estratégica para os desafios da segurança no país. Para mais informações sobre as propostas e avanços na segurança pública, consulte o portal oficial do governo federal sobre a PEC da Segurança Pública.

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A profunda consternação do presidente Lula com o resultado da Operação Contenção no Rio de Janeiro, conforme reportado pelo ministro Lewandowski, evidencia a complexidade do problema da segurança pública e a busca do governo federal por estratégias mais integradas e inteligentes. Acompanhe as próximas notícias em nossa editoria de Política para ficar por dentro dos desdobramentos dessa e de outras questões relevantes para o país.

Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil