China Apoia Combate à Mudança Climática na COP30, Diz Presidente
O combate à mudança climática global ganha novos contornos geopolíticos, com a China emergindo como uma força central na defesa de uma economia sustentável. Essa perspectiva foi amplamente debatida pelo embaixador André Corrêa do Lago, atual presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), durante entrevista ao programa “Brasil no Mundo”, da TV Brasil, transmitida no domingo, 16 de novembro de 2025.
O diplomata salientou uma notável disputa geopolítica entre os Estados Unidos e a China no cenário das discussões climáticas. Ele descreveu a situação como peculiar, onde a nação asiática se posiciona como um grande pilar para a transição para uma nova economia, enquanto o governo norte-americano, em certos aspectos, parece defender um retorno a modelos econômicos mais tradicionais e menos alinhados com a agenda verde.
China Apoia Combate à Mudança Climática na COP30, Diz Presidente
Essa polarização é evidente, segundo Corrêa do Lago, que apontou que os Estados Unidos observam atentamente as ações da China, um país que está “totalmente apoiador” da agenda de enfrentamento às alterações climáticas. A dinâmica se transforma, assim, em um embate geopolítico fundamental sobre qual direção o mundo deve seguir em termos de desenvolvimento sustentável e políticas ambientais. O presidente da COP30 ressalta que essa divergência de abordagens entre as duas maiores economias mundiais é um dos pontos mais interessantes a serem observados durante a conferência.
“Negacionismo Econômico” e a Liderança Tecnológica
O embaixador André Corrêa do Lago também introduziu o conceito de um “novo negacionismo”, que ele denominou de negacionismo econômico. Essa vertente é exemplificada pelas visões do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. Segundo Corrêa do Lago, Wright não nega a influência das atividades humanas sobre as mudanças climáticas, mas as interpreta como uma consequência inevitável do desenvolvimento. Para essa linha de pensamento, a solução residiria mais na adaptação aos impactos do clima do que na mitigação das causas.
Essa postura, conforme o diplomata, revela uma preocupação intrínseca a determinados setores econômicos e políticos norte-americanos. Há o temor de que, ao despriorizar a transição energética e o desenvolvimento de tecnologias verdes, os Estados Unidos possam perder sua liderança tecnológica nesta nova fase da economia global. O avanço tecnológico em energias renováveis e outras soluções sustentáveis já demonstra ser mais acessível em muitos segmentos, tornando difícil ignorar a imposição da agenda verde por motivos estritamente econômicos. As tecnologias que substituem os combustíveis fósseis já se mostram mais baratas em diversas áreas, um fator que acelera a adesão e a inovação.
Presença Norte-Americana e o Fundo Florestas para Sempre
Apesar da ausência oficial do governo federal dos Estados Unidos nas discussões de alto nível, Corrêa do Lago fez questão de destacar a presença de importantes governadores norte-americanos, como o da Califórnia. Esses líderes estaduais representam uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, cerca de 60%, sinalizando um engajamento local e regional com as pautas climáticas, mesmo que a política federal possa divergir. No entanto, o presidente da COP30 advertiu que, se os EUA persistirem em uma direção de retorno aos combustíveis fósseis, o impacto na economia mundial seria vasto e preocupante.
Durante a mesma entrevista, que contou com a participação dos jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, o embaixador abordou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa inovadora do Brasil. Este novo instrumento de financiamento é projetado para lidar com a preservação de florestas, a rica biodiversidade e o bem-estar das populações locais. O TFFF se distingue por operar fora dos mecanismos oficiais da COP, o que, na visão de Corrêa do Lago, lhe confere maior flexibilidade para receber aportes financeiros de nações em desenvolvimento, incluindo o próprio Brasil e a China. A flexibilidade do TFFF para receber recursos de países em desenvolvimento é um diferencial, pois os mecanismos convencionais da COP geralmente exigem que nações desenvolvidas forneçam fundos para as em desenvolvimento. Para mais informações sobre as convenções climáticas globais, acesse a página oficial da UNFCCC.
O foco principal do Fundo Florestas Tropicais para Sempre são os fundos soberanos, que são veículos de investimento geridos por governos e que buscam rendimentos fixos. Corrêa do Lago antecipa novos anúncios de investimentos no TFFF após o término da COP30, reconhecendo que, por ser um modelo inovador, leva tempo para os países compreenderem plenamente seu funcionamento e potencial. A iniciativa é vista como um passo estratégico do Brasil para angariar apoio financeiro global para a conservação ambiental sem as amarras burocráticas tradicionais.
O programa “Brasil no Mundo” é transmitido pela TV Brasil todos os domingos, às 19h30, oferecendo análises aprofundadas sobre temas de relevância internacional.
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Em suma, a COP30 é palco de importantes discussões sobre o futuro do clima e da economia global, com a China assumindo um papel proativo e o Brasil introduzindo soluções de financiamento inovadoras. A dinâmica entre as grandes potências e a emergência de um “negacionismo econômico” são pontos cruciais que moldarão as próximas décadas da política ambiental internacional. Para continuar acompanhando as análises sobre política e meio ambiente, visite nossa seção de Política.
Crédito da imagem: Bruno Peres/Agência Brasil






