Os ataques EUA e Israel ao Irã marcaram uma escalada significativa nas tensões regionais, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciando neste sábado (28) o início de extensas operações de combate. A declaração, veiculada em um vídeo de oito minutos na plataforma Truth Social, reiterou a promessa americana de aniquilar as forças armadas iranianas e desmantelar seu programa nuclear. Trump acusou o Irã de rejeitar repetidamente propostas para renunciar às suas ambições atômicas, afirmando que a paciência dos EUA havia se esgotado. Paralelamente, Israel confirmou sua participação nos ataques coordenados contra o território iraniano.
Ao contrário de uma ofensiva anterior entre os dois lados, ocorrida em junho de 2025, esta nova onda de ataques começou em plena luz do dia, nas primeiras horas de um sábado – o que equivale ao primeiro dia da semana no Irã –, surpreendendo milhões de civis que se deslocavam para suas atividades diárias de trabalho e estudo. Enquanto os ataques americanos de junho de 2025 foram contidos em poucas horas, fontes internas revelaram à CNN que as forças armadas dos EUA planejavam uma campanha militar que se estenderia por vários dias, indicando uma ação mais prolongada e intensa.
Ataques EUA e Israel ao Irã: Escalada de tensões no Oriente Médio
Em resposta imediata, o regime iraniano deflagrou uma série de ataques sem precedentes em todo o Oriente Médio. Explosões foram reportadas em diversas nações que hospedam bases militares americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. A primeira fase da ofensiva conjunta, denominada pelo Pentágono como “OPERAÇÃO FÚRIA ÉPICA”, teve como principal objetivo autoridades iranianas de alto escalão, conforme informações de uma fonte familiarizada com o tema. Uma autoridade israelense indicou que o Líder Supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvos, embora o desfecho desses ataques específicos não tenha sido imediatamente claro. Anteriormente, a agência Reuters havia noticiado que Khamenei não estava em Teerã e fora transferido para um local seguro. Fontes iranianas próximas ao governo alegaram que vários comandantes da Guarda Revolucionária e figuras políticas foram mortos, informação que a Reuters não pôde verificar de forma independente.
Retaliação Iraniana e Alvos Estratégicos
A Guarda Revolucionária do Irã rapidamente confirmou o lançamento de uma primeira leva de ataques retaliatórios, utilizando mísseis e drones contra Israel. Um oficial iraniano informou à Reuters que todas as bases e interesses dos EUA na região estavam ao alcance do Irã, e que a retaliação persa continuaria até a “derrota decisiva do inimigo”. Fortes estrondos foram ouvidos em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos e importante produtor de petróleo, bem como em Dubai, o centro comercial do país. Testemunhas em Abu Dhabi relataram ter ouvido cinco explosões em sequência que fizeram as janelas vibrarem, enquanto outras em Al Dhafra e Bateen também confirmaram ruídos intensos. O Bahrein, por sua vez, anunciou que o centro de serviços da Quinta Frota dos EUA foi atingido por um ataque de mísseis. Vídeos de testemunhas no Bahrein mostraram uma densa coluna de fumaça cinzenta subindo perto da costa, enquanto sirenes ecoavam. O Catar, outro estado árabe do Golfo, afirmou ter interceptado todos os mísseis direcionados ao seu território e declarou seu direito de resposta. Explosões também foram ouvidas próximo à ilha de Kharg, no Irã, ponto crucial por onde o país exporta 90% de seu petróleo bruto, que segue pelo Estreito de Ormuz. Em decorrência do cenário de instabilidade, companhias aéreas globais cancelaram voos em toda a região do Oriente Médio.
Diplomacia Nuclear em Xeque
O recrudescimento do confronto entre o Irã e seus adversários históricos minou as já tênues esperanças de uma resolução diplomática para a persistente disputa nuclear de Teerã com o Ocidente. As últimas rodadas de negociações indiretas entre os EUA e o Irã, realizadas na semana anterior aos ataques, não resultaram em nenhum avanço significativo. O Irã, que consistentemente nega buscar o desenvolvimento de armas atômicas, havia expressado abertura para discutir restrições ao seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções internacionais. Contudo, Teerã descartou vincular a questão nuclear aos seus mísseis balísticos, um ponto de atrito considerável nas negociações.
Contexto Histórico e Apelo de Trump
Em sua mensagem de vídeo nas redes sociais, o presidente Trump rememorou a prolongada rivalidade entre Washington e Teerã, incluindo a crise dos reféns na embaixada americana em 1979, quando 52 americanos foram mantidos reféns por 444 dias. Ele também citou uma série de outros ataques atribuídos ao Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, que consolidou o poder dos clérigos. Trump aconselhou os iranianos a buscarem abrigo, pois “bombas cairão em todos os lugares”. No entanto, ele também fez um apelo direto à população: “Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance que terão por gerações.” A extensão das operações aéreas e marítimas americanas não foi imediatamente esclarecida, mas um oficial americano confirmou que a campanha militar deveria durar vários dias.
Imagem: cnnbrasil.com.br
Preocupações Civis e Justificativas para os Ataques
A população iraniana reagiu com apreensão. Maryam, uma dona de casa de 54 anos em Teerã, expressou sua angústia enquanto se dirigia ao norte do Irã com sua família, afirmando: “Estamos sendo mortos pelo regime e por Israel. Somos vítimas das políticas hostis deste regime.” Testemunhas relataram uma corrida aos bancos para sacar dinheiro e longas filas em postos de gasolina em diversas cidades. Muitos também manifestaram preocupação com um possível apagão da internet, que interromperia a comunicação com familiares no exterior. Trump, que havia estabelecido uma vasta presença militar americana na região com o objetivo de pressionar Teerã a fazer concessões nas negociações nucleares, justificou a operação “massiva” como uma medida para assegurar que o Irã não obtivesse uma arma nuclear. Ele ressaltou que o programa de mísseis balísticos do Irã, capaz de desenvolver projéteis de longo alcance que ameaçam os EUA, era um ponto crítico nas discussões. “Nosso objetivo é defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano”, declarou Trump.
Posicionamento de Israel e Planos Antecipados
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reforçou a narrativa de que o ataque conjunto EUA-Israel “criará as condições para que o bravo povo iraniano tome seu destino em suas próprias mãos” e “remova o jugo da tirania”. Esta ofensiva ocorre após uma guerra aérea de 12 dias em junho passado entre Israel e Irã, e repetidos avisos de ambos os países de que atacariam novamente caso o Irã prosseguisse com seus programas nucleares e de mísseis balísticos. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, enfatizou que o ataque — lançado contra o Irã, uma nação de maioria muçulmana, durante o Ramadã, o mês sagrado de jejum — foi preventivo e visava eliminar ameaças a Israel. Um oficial da defesa israelense revelou que a operação foi planejada por meses em coordenação com Washington, com a data de lançamento decidida semanas antes. Em Israel, os militares anunciaram o fechamento de escolas e locais de trabalho, com exceção de setores essenciais, e impuseram a proibição do espaço aéreo público para voos civis. Para aprofundar a compreensão sobre as complexas dinâmicas do Oriente Médio, você pode consultar informações adicionais sobre a região em fontes como o Council on Foreign Relations, que oferece análises aprofundadas sobre política internacional.
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Em suma, os ataques coordenados dos EUA e Israel ao Irã e a subsequente retaliação iraniana representam um ponto de inflexão na geopolítica do Oriente Médio, elevando o patamar de um conflito de décadas e colocando em risco a estabilidade regional. O futuro das negociações nucleares e as consequências humanitárias permanecem incertos, exigindo atenção contínua. Para mais análises e notícias sobre política internacional, continue acompanhando a editoria de Política no Hora de Começar.
Crédito da imagem: CNN Brasil






