Neste domingo, 01, um grande ato na Paulista reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcando um novo capítulo nas manifestações da direita brasileira. O evento, intitulado “Acorda, Brasil”, teve como pautas centrais a reivindicação de anistia para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 e a exigência de liberdade para o antigo chefe do Executivo, além de intensas críticas ao atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Avenida Paulista, em São Paulo, transformou-se no palco de discursos acalorados, proferidos de um trio elétrico posicionado na esquina com a Rua Peixoto Gomide. Lideranças como o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foram os principais oradores, mobilizando a multidão com suas falas contundentes e direcionadas a figuras políticas específicas.
Ato na Paulista: Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira Lideram Protesto
A convocação, amplamente divulgada nas redes sociais, teve em Nikolas Ferreira um de seus principais articuladores, que defendeu o mote “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. Durante sua fala, o parlamentar mineiro reiterou a mensagem, dirigindo-se diretamente aos citados. “Quero dar um recado aqui para Lula, seu bandido, nós vamos derrubar o veto ao projeto de lei da dosimetria”, declarou o deputado, sinalizando uma das prioridades da oposição.
O projeto de lei da dosimetria prevê a redução de pena para indivíduos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A derrubada de um veto presidencial exige o voto da maioria absoluta da Câmara dos Deputados e do Senado, em sessão conjunta do Congresso Nacional, o que corresponde a um mínimo de 257 votos de deputados e 41 de senadores. Os políticos presentes na manifestação deste domingo demonstraram confiança na capacidade de reverter a decisão presidencial, apostando na força do movimento para influenciar o Legislativo.
As críticas de Nikolas Ferreira também se estenderam aos ministros do STF. O deputado defendeu abertamente o impeachment de Alexandre de Moraes e de Dias Toffoli. “Ministro Alexandre de Moraes, coloque-se no seu lugar de juiz, senão nós vamos te tirar da sua cadeira”, afirmou, em tom de advertência. Ele ainda reconheceu a “vontade da esquerda de derrubar o Toffoli”, mas alertou que os adversários políticos estariam enganados se pensassem que a derrubada de um ministro seria o fim das ações. “Se a gente derrubar um, cai outro, cai Moraes, até cair todo mundo”, enfatizou.
O parlamentar prosseguiu com uma forte retórica sobre o que chamou de perseguição política. “Há uma perseguição política nesse país de quem está de verde e amarelo, mas se você está de vermelho tudo bem, pode até roubar que você vira presidente. Mas quem está de verde e amarelo é chamado de extremista e fascista”, pontuou Nikolas Ferreira, provocando aplausos da multidão.
As Pautas e Discursos de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, por sua vez, adotou um tom ligeiramente distinto ao evitar citar nominalmente os ministros do STF, mas reiterou ser favorável ao impeachment de “qualquer ministro do STF que descumpra a lei”. O senador defendeu uma anistia “geral e irrestrita” para os condenados de 8 de janeiro e a imediata soltura de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro fez um apanhado de queixas sobre o que considera perseguição política. “Censuraram nossas redes sociais, mandaram a PF na casa de pessoas inocentes, botaram tornozeleira eletrônica na perna de pessoas humildes e trabalhadoras, prenderam pessoas que nunca cometeram crimes, obrigaram brasileiros a saírem da própria pátria para escapar de perseguição. Mas nós estamos aqui”, destacou, enumerando as supostas arbitrariedades.

Imagem: divulgação via valor.globo.com
Em conversa com jornalistas, o senador, que se posicionou como pré-candidato à Presidência da República, atribuiu sua recente ascensão nas pesquisas de intenção de voto à “incompetência do atual governo” e à percepção de que o “povo brasileiro está sofrendo”. Ele não poupou críticas ao presidente Lula, descrevendo-o como uma “mercadoria vencida”. “Ninguém vai conseguir mais engolir essa picanha podre, essa cervejinha choca que o Lula se transformou”, comentou Flávio Bolsonaro, utilizando metáforas para desqualificar a imagem do atual líder.
A presença de Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás, foi alvo de agradecimento por parte de Flávio Bolsonaro. Ele destacou que ambos são pré-candidatos à Presidência, assim como ele próprio, o que, em sua visão, “demonstra que este ato de hoje não foi eleitoral”, mas sim um movimento legítimo da população. Para entender melhor os trâmites de derrubada de vetos presidenciais, acesse o site da Câmara dos Deputados e saiba mais sobre o processo.
Outras Presenças e Mensagens do Ato
Além dos governadores, a manifestação na Avenida Paulista contou com a participação de diversos deputados estaduais e federais, bem como outras figuras políticas de relevância. Entre elas, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), marcaram presença, reforçando o peso político do evento.
Uma ausência notável foi a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que estava cumprindo agenda oficial na Alemanha. No entanto, a família Bolsonaro teve outra representação virtual: Eduardo Bolsonaro apareceu no telão do trio elétrico, transmitindo uma mensagem sobre a liberdade de “presos políticos e exilados” e abordando a possibilidade de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na corrida pelo Palácio do Planalto, evidenciando as ambições futuras do grupo político.
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O ato na Paulista, com a presença de importantes líderes da oposição, consolidou-se como um espaço de expressão para as pautas da direita, reiterando as demandas por anistia e liberdade, e intensificando a pressão sobre o governo e o Judiciário. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos políticos e as análises de cenário, continue acompanhando a nossa editoria de Política.
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