A situação do Augusto Lima Banco Pleno atingiu um ponto crítico, culminando na liquidação da instituição financeira pelo Banco Central. O banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, investiu uma quantia vultosa de aproximadamente R$ 600 milhões de seu próprio patrimônio em uma tentativa desesperada de salvar o Banco Pleno (anteriormente conhecido como Voiter). Este esforço visava honrar os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que venciam, mantendo a operação em funcionamento até que um investidor pudesse ser encontrado. Contudo, essa tentativa não obteve êxito, resultando no anúncio da liquidação nesta quarta-feira, 18 de janeiro de 2026.
A medida do Banco Central decorreu da incapacidade do Pleno de manter dinheiro em caixa suficiente para quitar os CDBs que chegavam à data de vencimento. Augusto Lima mobilizou-se, dedicando-se à venda de ativos pessoais e à busca incessante por um parceiro investidor, com o intuito de sustentar o banco. No entanto, sua associação com o controverso escândalo envolvendo o Banco Master adicionou uma camada de complexidade e desconfiança, dificultando enormemente a situação e, finalmente, levando à indisponibilidade de seus bens após a liquidação.
Augusto Lima Gasta R$ 600 Mi para Salvar Banco Pleno
A liquidação da instituição não surpreendeu o mercado financeiro, que já antecipava o desfecho devido ao volume expressivo de CDBs que o Voiter possuía quando foi adquirido por Lima. Conforme revelado por apurações jornalísticas, o empresário assumiu um passivo colossal de R$ 6 bilhões em CDBs ao adquirir o Voiter no ano anterior, um banco que integrava o conglomerado de Daniel Vorcaro. Na ocasião da compra, o Banco Central impôs a suspensão imediata da emissão de novos títulos, uma medida preventiva para mitigar riscos.
A decisão de Augusto Lima de adquirir o Voiter, posteriormente renomeado para Banco Pleno, chamou a atenção no setor bancário, pois colocou seu patrimônio pessoal, estimado em R$ 1 bilhão, em risco direto em caso de uma eventual liquidação. Este cenário, infelizmente, se concretizou menos de um ano após sua saída oficial do Banco Master, em 2024. A aquisição do Pleno implicou a responsabilidade por um passivo que, além dos CDBs, incluía uma dívida substancial com a família Resende Barbosa, antigos proprietários do Voiter (ex-Indusval). Essa dívida, incorporada por Lima na negociação de venda, foi analisada minuciosamente pelo Banco Central durante o processo de aprovação da operação, segundo fontes a par do tema. A utilização do patrimônio pessoal de Lima terá o efeito de reduzir os custos que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) arcará para ressarcir os investidores dos CDBs do Pleno, agora que o banco foi liquidado.
O Banco Pleno representa mais uma instituição financeira a ser liquidada, com ligações diretas ou indiretas ao Banco Master. Desde novembro do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero — investigação que levou à prisão de Vorcaro e Lima, posteriormente soltos com uso de tornozeleira eletrônica —, outras instituições como o Will Bank, o Lestbank e a gestora Reag Investimentos também passaram por processos de liquidação, evidenciando uma cadeia de eventos no setor.
A aprovação da venda do Voiter para Augusto Lima pelo Banco Central ocorreu em julho de 2025, concomitantemente à análise da venda do Master para o BRB, o banco estatal de Brasília. Embora a venda da participação de Lima no Master não tenha exigido, na época, o crivo do regulador, seguindo a legislação vigente, a subsequente aquisição do Voiter – uma fatia significativa do conglomerado de Vorcaro – demandou uma análise rigorosa por parte da autoridade que supervisiona o sistema bancário nacional. A supervisão de instituições financeiras é um pilar da estabilidade econômica brasileira, garantindo a solidez do sistema. Na fase de análise, apesar de Lima não ser formalmente investigado por fraude, já existiam suspeitas no Banco Central de que o Master poderia ter negociado carteiras de crédito consignado fraudulentas.

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Com o afastamento de Augusto Lima do Banco Pleno, a instituição passou a ter uma nova diretoria, com a presidência assumida por Ronaldo Vieira Bento. Contudo, informações indicavam que sua esposa, Flávia Peres (anteriormente conhecida como Flávia Arruda), ex-deputada federal e ex-ministra de Jair Bolsonaro, estava, na prática, gerenciando as operações do banco. No plano de negócios submetido à diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, então liderada por Renato Gomes, o Banco Central impôs condições rigorosas: a proibição de emissão de novos CDBs para não ampliar a exposição do FGC e a exigência de aportes de capital pelo novo controlador para fortalecer o patrimônio do Voiter.
Para conduzir o processo de encerramento das atividades do banco, o Banco Central nomeou José Eduardo Victória como liquidante. É importante ressaltar que Augusto Lima é conhecido por sua ligação com o PT da Bahia e é apontado como o idealizador das operações de crédito consignado para servidores estaduais, realizadas por meio do cartão Credcesta.
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A saga do Banco Pleno, marcada pelos esforços financeiros de Augusto Lima e pelas complexas interações com o sistema regulatório e outros escândalos financeiros, serve como um lembrete da volatilidade do mercado e da importância da supervisão bancária. Este episódio ressalta as consequências diretas de problemas de liquidez e gestão para o patrimônio pessoal dos envolvidos e para a confiança no setor. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre o cenário econômico e político em nossa editoria para se manter bem informado.
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