Bloco do Amor no DF: Folia Respeitosa e Sem Preconceito

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O Bloco do Amor no DF consolidou-se como um pilar de celebração respeitosa e livre de preconceitos no cenário carnavalesco de Brasília. Com uma história de 11 anos, o movimento tem ganhado crescente destaque na capital federal, defendendo que a aceitação das diferenças é um ato verdadeiramente revolucionário. O carnaval, ao proporcionar um espaço onde a diversidade pode florescer, carrega em si esse potencial transformador, capaz de pavimentar o caminho para a paz e a convivência harmoniosa.

Neste sábado de carnaval da edição de 2026, o bloco reuniu novamente uma multidão entusiasmada nas proximidades da Biblioteca e do Museu Nacional. Segundo estimativas dos organizadores, no ano anterior, o evento atraiu um público de quase 70 mil pessoas, demonstrando a força e o apelo dessa iniciativa singular.

Fundado em 2015, o Bloco do Amor nasceu com a missão de ocupar o coração de Brasília com manifestações político-poéticas que celebram o respeito, a diversidade e o afeto coletivo. Tudo isso é expresso com vibrantes cores e muito brilho, transformando o espaço em uma festa que é, simultaneamente, uma declaração.

Bloco do Amor no DF: Folia Respeitosa e Sem Preconceito

De acordo com seus idealizadores, o bloco se estabeleceu como uma das celebrações mais icônicas e carinhosas do carnaval brasiliense, tecendo uma tapeçaria de nostalgia e euforia que inunda o centro da cidade com um mar de brilho e alegria.

A edição de 2026 do Bloco do Amor foi marcada pelo lema “Sonhar como Ato de Existência”, uma proposta que eleva o sonho e a alegria a ferramentas poderosas de resistência e transformação social. Essa filosofia ressoa profundamente com seu público extremamente plural, que inclui a comunidade LGBTQIAPN+, consolidando o bloco como um território seguro e livre de quaisquer preconceitos, onde a folia é desfrutada de maneira totalmente respeitosa.

A diversidade, elemento central da proposta do bloco, manifesta-se também na rica variedade de ritmos que impulsionam os foliões. Conforme explicou à Agência Brasil a coordenadora geral do Bloco do Amor, Letícia Helena, o repertório musical transita do axé retrô ao eletrônico, passando pela música pop, MPB e o forró, garantindo que todos os gostos sejam contemplados e celebrados. Vale ressaltar que a edição de 2026 integrou a Plataforma Monumental, uma estrutura projetada para acolher diversos eventos ao longo de quatro dias de festividade.

A Gênese do Bloco e Seu Impacto Social

Letícia Helena, que é produtora cultural, cantora, figurinista e formada em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), detalha que o Bloco do Amor emergiu de uma necessidade premente de discutir a natureza do amor na cidade: o que se almeja e o que se é, buscando ampliar a representatividade em diversos espaços. “Nascemos de um trabalho voluntário na Via S2 do Plano Piloto, uma área com muitos profissionais que vendiam amor. Foi ali a primeira edição do bloco”, explica Helena. Com o crescimento exponencial do público, o espaço original tornou-se insuficiente, levando à mudança para a área externa do Museu Nacional de Brasília.

Ao longo de seus 11 anos, o bloco tem promovido uma folia pautada no respeito, utilizando a comunicação para transmitir ao público mensagens essenciais sobre aceitação e o bom convívio na diversidade. Letícia Helena destaca os avanços notáveis percebidos ao longo desses anos, inclusive em estatísticas. Ela comemora que, em 2024, foi possível realizar uma festa que, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, registrou zero ocorrências de violência e assédio contra mulheres. Esse sucesso, segundo a coordenadora, é amplamente atribuído ao trabalho meticuloso de preparação da equipe de produção, que inclui a implementação de protocolos específicos para diversas situações.

Testemunhos de Amor e Liberdade no Carnaval

A poucos metros do palco, onde dançarinos expressavam com seus movimentos as sensações de um ritmo eletrônico distinto das canções carnavalescas tradicionais, Fernando Franq, de 34 anos, e Ana Flávia Garcia, de 53, descreveram o Bloco do Amor como o “bloco dos corações do casal”. Fernando compartilhou: “É um ambiente com o qual nos identificamos, de muita arte e com muitos artistas. Um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos que também estão em nossos corações.” Ana Flávia complementou que o Bloco do Amor é não apenas vibrante musicalmente, mas também seguro e desprovido de preconceitos. “É um ambiente reverberado por pessoas apropriadas do próprio corpo. Aqui, todos são aceitos”, afirmou, reiterando a essência revolucionária do carnaval quando ele abraça o respeito e a aceitação no pensamento coletivo. Ela observa que “temos uma juventude que já percebe a importância de um ambiente tranquilo por ser respeitoso, onde a nudez pode e deve ser respeitada, livre de assédios e preconceitos”.

Clarisse Pontes, uma bióloga de 22 anos, recém-formada e também babá, estava aproveitando seu primeiro bloco de carnaval em Brasília. “É a primeira vez que vou a um bloco de carnaval”, confidenciou. Apesar de sempre ter ouvido histórias que associavam o carnaval a bebidas e dança, ela buscava paz e curtição neste bloco tão alinhado à aceitação e ao respeito à diversidade. Clarisse expressou a esperança de que, como ela ouviu durante o evento, “os espaços de Brasília são de todos, com todos, para todos. Que a gente tenha um carnaval de muita diversidade e respeito.”

Alasca Ricarte, estudante de 23 anos com quatro edições do Bloco do Amor em seu currículo, explicou que sua fantasia era uma mistura do mito grego de Dionísio com a bandeira da bissexualidade. Para Alasca, o carnaval representa uma oportunidade para as pessoas se mostrarem de forma mais autêntica. “O que mais agrada aqui é isso: ser livre como quero, ser aceito e aceitar a todos como todos são”, disse. O estudante de design da UnB avalia que o mundo tem avançado na aceitação das diferenças, mesmo diante de forças que atuam em sentido contrário. No entanto, Alasca lamenta que Brasília ainda seja um local onde “pessoas conservadoras e preconceituosas tentam desmanchar o carnaval e a liberdade que ele representa”. Ele argumenta que “a cidade é um verdadeiro palco de disputas por espaço, entre habitantes com ideais diferentes sobre o uso do espaço. Percebo que, quanto mais tenso o embate, mais difícil é o debate sobre aceitação. O que garante os avanços é exatamente a nossa resistência. As pessoas têm de entender que, mesmo sendo um quadrado pequeno, Brasília é para todos.”

Foi também em busca de um carnaval onde homens e mulheres se respeitam mutuamente que a estudante Ana Luíza, de 25 anos, optou por participar da folia no Bloco do Amor. “Vi muito, em outros blocos, mulheres sendo desrespeitadas por homens. A meu ver, carnaval, para ser bom, tem de ser curtido com respeito à liberdade”, afirmou. Ela destacou que veio ao bloco “porque gosto desse ambiente de aceitação, e aceitação significa, também, segurança. Este é um bloco mais tranquilo, que tem como lema o amor e o convívio entre pessoas que buscam a alegria do carnaval”.

Acompanhado da esposa e da filha de 7 anos, Ricardo Maurício, de 41 anos, ressaltou a importância de conversar com sua filha sobre a questão da diversidade. “Sempre trabalhei esse tema da diversidade com a minha família, até porque temos uma família diversa”, disse. Ele enfatiza que “respeitamos diferenças e vivemos na diversidade de um mundo que é grande e diverso. Quero que minha filha saiba disso, e que compreenda a riqueza das diferenças. Ela está acostumada com isso, até porque convive com casais gays e trans. Para ela, a diversidade já é algo trivial.” O empenho do Bloco do Amor em promover a segurança e a inclusão é um reflexo do compromisso em construir um ambiente verdadeiramente acolhedor, contrastando com a percepção de muitos foliões sobre a falta de respeito em outros eventos carnavalescos, conforme reportado por diversas fontes. Para saber mais sobre a segurança no carnaval de Brasília e o engajamento da cidade em eventos culturais, consulte informações da Agência Brasil.

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Em suma, o Bloco do Amor reafirma seu papel crucial no carnaval de Brasília, não apenas como uma festa, mas como um movimento social que defende a aceitação, a liberdade e o respeito mútuo. A cada ano, o bloco consolida-se como um espaço vital para a comunidade LGBTQIAPN+ e para todos que buscam uma celebração inclusiva e segura. Continue acompanhando as novidades sobre cultura e eventos na capital federal em nossa editoria de Cultura.

Crédito da imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

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