Centro Tecnológico Senai Suape Inicia Operações com Foco H2V

Economia

O Centro Tecnológico Senai Suape, uma inovadora estrutura localizada no complexo portuário de Ipojuca, em Pernambuco, iniciou suas operações, representando um investimento inicial de R$ 100 milhões. Este aporte é resultado da colaboração de um grupo de 15 empresas, que visam impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a sustentabilidade no país. Segundo Oziel Alves, diretor de tecnologia e inovação do Senai, a expectativa é de crescimento, com R$ 200 milhões adicionais em novos projetos já em fase avançada de negociação.

A estratégia central do Senai Park concentra-se, inicialmente, em avançados estudos sobre a cadeia de valor do hidrogênio verde (H2V) e em soluções para a armazenagem eficiente de energia limpa, utilizando baterias de lítio. Esta iniciativa posiciona o complexo como um polo essencial para a transição energética brasileira. O parque tecnológico está equipado para oferecer ambientes robustos para testes de plantas industriais, integrando tecnologias de ponta como inteligência artificial, blockchain, digital twin (gêmeos virtuais) e internet das coisas, garantindo um ambiente propício à inovação e à pesquisa aplicada.

Centro Tecnológico Senai Suape Inicia Operações com Foco H2V

Quinze empresas já estão ativamente engajadas com projetos em andamento no centro, consolidando os R$ 100 milhões em aportes mencionados. Entre as companhias participantes, destacam-se nomes de peso no cenário industrial global, como Siemens, Baterias Moura e Stellantis. A participação dessas corporações de grande porte sublinha a relevância e o potencial estratégico do Centro Tecnológico Senai Suape para o avanço da indústria nacional e a criação de soluções energéticas inovadoras, sobretudo no segmento de energia limpa.

Um dos pilares da infraestrutura do Senai Park é seu eletrolisador de última geração, concebido para produzir até 30 kg de hidrogênio por dia. Além da capacidade produtiva, este equipamento será crucial para que as empresas realizem testes detalhados de rastreabilidade do hidrogênio. Este processo é vital para a obtenção de certificações de produtos, particularmente aquelas exigidas pelos rigorosos padrões do mercado europeu, abrindo caminho para a exportação de H2V brasileiro e fortalecendo a posição do país na economia global de baixo carbono.

Paralelamente aos estudos sobre hidrogênio verde, o centro tecnológico dedica-se à pesquisa em armazenagem de energia limpa. Para isso, conta com uma linha de produção especializada instalada pela Baterias Moura. A armazenagem de energia emerge como uma solução fundamental para mitigar o desperdício energético, um desafio persistente em parques solares e eólicos. A insuficiência de linhas de transmissão adequadas frequentemente compromete a viabilidade e a eficácia de projetos no setor, e as inovações em armazenamento podem otimizar a estabilidade e a eficiência da rede elétrica nacional.

A linha piloto desenvolvida pela Baterias Moura é notável por sua capacidade de fabricar baterias de 12V e 48V, ideais para veículos híbridos. Este projeto representa um investimento inicial de R$ 20 milhões e opera em um modelo compartilhado entre as empresas parceiras que integram o consórcio, contemplado pelo prestigiado Edital Rota 2030 – Projetos Estruturantes. A meta estratégica é ambiciosa: reduzir a exportação de insumos brutos e, assim, aumentar o valor agregado dos produtos fabricados localmente, solidificando a cadeia produtiva industrial brasileira.

Com um robusto ecossistema de 90 empresas já estabelecidas em sua vizinhança, Suape está empenhada em se firmar como um hub logístico industrial de vanguarda. O foco é a produção, armazenagem e distribuição de hidrogênio verde e seus derivados, incluindo e-metanol, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e fertilizantes verdes. Recentemente, Suape protocolou a solicitação para a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), uma medida estratégica para atrair investimentos adicionais e facilitar o comércio internacional de produtos de alto valor agregado. Para compreender mais sobre o impacto do hidrogênio verde na matriz energética global, explore este artigo da Agência Brasil.

A crescente atração de Suape como polo de energia verde já é evidente, com a European Energy posicionada para ser a primeira empresa a se instalar no porto pernambucano. O plano é ambicioso: produzir e-metanol a partir de hidrogênio verde e CO₂ biogênico proveniente do setor sucroenergético. Este projeto já obteve licença ambiental prévia, com o início das obras previsto para o segundo semestre de 2025. Adicionalmente, a GoVerde demonstrou interesse em estabelecer uma unidade de síntese de e-metanol, com construção em três fases e uma projeção de produção diária de 900 toneladas, equivalente a aproximadamente 328 mil toneladas anuais.

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A inauguração do Centro Tecnológico Senai Suape representa um marco estratégico para a inovação e o desenvolvimento sustentável em Pernambuco e no Brasil. Com um foco claro em hidrogênio verde e tecnologias avançadas de armazenagem de energia, o empreendimento não apenas dinamiza a economia local, mas também posiciona o país na vanguarda da transição energética global. Para aprofundar seu conhecimento sobre as tendências do setor econômico e as inovações que moldam o futuro, continue acompanhando nossa editoria de Economia.