Ciclone Extratropical: Entenda o Fenômeno e sua Relação com Tornados

Economia

A passagem de um ciclone extratropical pela região Sul do Brasil causou seis mortes no Paraná até o sábado, 8 de julho. A maioria das fatalidades foi registrada em Rio Bonito do Iguaçu, município onde a formação de um tornado foi confirmada. Os impactos do sistema meteorológico foram igualmente percebidos em cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, embora em menor intensidade. Na manhã do referido sábado, o fenômeno se aproximava da costa sul do estado de São Paulo.

Ciclones extratropicais são ocorrências comuns no Atlântico Sul, cobrindo vastas áreas geográficas. Contudo, nem todos resultam em estragos tão severos quanto os observados desde a sexta-feira, 7 de julho. Em contrapartida, tornados são menos frequentes, com duração mais curta, mas caracterizados por uma violência muito mais intensa.

Ciclone Extratropical: Entenda o Fenômeno e sua Relação com Tornados

Um ciclone extratropical é definido como uma extensa zona de baixa pressão atmosférica. Essa condição favorece a ascensão do ar para as camadas superiores da atmosfera, resultando na formação de nuvens de grande porte. A origem dessa baixa pressão está no contraste de temperaturas. O termo “extratropical” indica que sua formação ocorre fora da zona dos trópicos, manifestando-se em latitudes médias e altas. Devido à significativa variação térmica, a região Sul do Brasil, juntamente com Argentina, Uruguai e Paraguai, constitui um ambiente propício para o surgimento frequente desse tipo de evento. Nesta área, ocorre o encontro de massas de ar frio, provenientes do polo Sul, e massas de ar quente, originárias da Amazônia.

Ciclones, como o que afetou a região neste sábado, geralmente se formam sobre o continente e, posteriormente, deslocam-se em direção ao oceano. Em sua trajetória, o fenômeno provoca fortes chuvas e ventos intensos. No hemisfério Sul, o sentido de rotação dos ventos é anti-horário, ao contrário do hemisfério Norte, onde giram no sentido horário.

Quanto Tempo Dura um Ciclone Extratropical?

A duração de um ciclone extratropical é variável, dependendo diretamente da velocidade com que ele se afasta. Alguns fenômenos podem durar apenas algumas horas, enquanto outros se estendem por um período de dois a três dias. O ciclone observado neste último fim de semana demonstrou uma velocidade de deslocamento acima da média, conforme análise do meteorologista Tomás Garcia, do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo. Garcia observou que “Não é comum uma instabilidade percorrer, com a mesma energia praticamente, em menos de 24 horas, o Rio Grande do Sul [e chegar] até o Paraná”, destacando a particularidade do evento.

O que é um Tornado?

Um tornado é uma nuvem com formato de funil ou tromba, que se conecta a uma nuvem de tempestade de maior dimensão. Em termos de tamanho, tornados são menores, geralmente com diâmetros que variam de algumas dezenas de metros, e sua duração é tipicamente de poucos minutos. Embora um tornado possa surgir em circunstâncias de um ciclone extratropical, sua formação não se restringe a esse tipo específico de situação meteorológica. Outras modalidades de tempestade também possuem o potencial de gerar tornados. A meteorologista Estael Sias, da MetSul, aponta que “Aqui no Rio Grande do Sul tem uma estatística que fala que a cada cem nuvens de tempestade, uma pode dar origem a um tornado.”

Como evidenciado em Rio Bonito do Iguaçu (PR), apesar de sua curta duração habitual, tornados possuem um potencial destrutivo significativamente maior, pois são capazes de gerar rajadas de vento de intensidade superior. O meteorologista Tomás Garcia enfatiza a periculosidade desses fenômenos, afirmando que “O tornado é muito mais mortal do que o furacão ou ciclone”.

Condições para a Formação de um Tornado

A formação de um tornado, similarmente ao ciclone, ocorre quando há um confronto entre massas de ar quente e frio. No entanto, a condição crucial para o surgimento de um tornado envolve uma grande variação de temperatura em múltiplas direções. A meteorologista Estael Sias, da MetSul, explica que “Basta que haja severidade na atmosfera. É o que a gente chama de ‘cisalhamento’, que o vento tenha direções diferentes, intensidades diferentes de acordo com a altitude”. Garcia, do CGE, complementa que “Se existe um contraste térmico, isso pode gerar uma grande instabilidade, inclusive tornados como o que ocorreu ontem”, reforçando a importância do choque térmico e do cisalhamento do vento na gênese desses fenômenos destrutivos.

Outros Fenômenos Provocados pelo Ciclone

A Defesa Civil de São Paulo alerta que, além das chuvas intensas e rajadas de ventos perigosas, um ciclone extratropical pode desencadear outros fenômenos. Entre eles, destacam-se a queda de granizo e as microexplosões atmosféricas pontuais, também conhecidas como “downbursts”. Estas últimas consistem em correntes de ar extremamente intensas que descem de dentro de uma tempestade em direção ao solo, causando danos concentrados.

As recomendações de segurança para a população incluem evitar áreas arborizadas, não estacionar veículos sob árvores, recolher objetos soltos em varandas e quintais para prevenir que sejam arremessados pelo vento, e abster-se de permanecer em áreas abertas durante a incidência de raios. Além disso, é crucial nunca tentar atravessar áreas alagadas, dado o risco de correntezas e de contaminação. Segundo o CGE, apesar da maior parte da chuva ter ocorrido na madrugada de sábado (8), a capital paulista ainda poderia experimentar ventania forte até o final da tarde do mesmo dia.

Para mais informações sobre fenômenos oceânicos e suas características, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) oferece dados e estudos aprofundados em seu portal, contribuindo para a compreensão e monitoramento desses eventos naturais.

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A compreensão sobre ciclones extratropicais e tornados é vital para a preparação e segurança da população em regiões suscetíveis. A análise contínua desses fenômenos pelos órgãos meteorológicos é essencial para a emissão de alertas e a minimização de riscos. Continue acompanhando as notícias em nossa editoria de Cidades para se manter informado sobre os impactos climáticos no Brasil e em sua região.

Crédito da imagem: Marcelo D. S.