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Complexo Basílio 177 revitaliza antigo edifício da Telesp

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O Complexo Basílio 177, um grandioso empreendimento que ocupará o emblemático edifício que sediou a antiga Telesp (Telecomunicações de São Paulo) no centro histórico da capital paulista, está prestes a ser inaugurado. Previsto inicialmente para junho de 2025, o projeto sofreu um atraso e agora tem sua abertura agendada para julho deste ano. Localizado estrategicamente ao lado da estação República do metrô, o novo espaço integrará um polo gastronômico e de eventos, batizado de Ramal, e um moderno complexo imobiliário residencial.

Apesar do pequeno atraso, a expectativa é alta para Bruno Scacchetti, CEO da Metaforma. A incorporadora, responsável pelo projeto, estabeleceu um fundo imobiliário com investidores como BR Capital, Unitas, Starboard Partners e Maker Uno para viabilizar o empreendimento. Scacchetti expressa otimismo: “O importante é que vamos inaugurar um empreendimento único, em uma região que promete ser uma das melhores de São Paulo na próxima década”, afirmou o executivo.

Complexo Basílio 177 revitaliza antigo edifício da Telesp

A inauguração do Complexo Basílio 177 surge em um momento de efervescência para a região central. Recentemente, o consórcio MEZ-RZK Novo Centro sagrou-se vencedor do leilão para a concessão da PPP (Parceria Público-Privada) destinada ao novo centro administrativo do Governo de São Paulo, que será estabelecido no bairro de Campos Elíseos. O lançamento do Basílio 177 representa o primeiro grande projeto a ser inaugurado no coração da capital paulista desde o anúncio dessa significativa mudança governamental.

Um Novo Horizonte no Coração de São Paulo

O investimento total no Complexo Basílio 177 não foi divulgado por Scacchetti, porém, o empreendimento projeta um VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 280 milhões. A estrutura será composta por três torres residenciais distintas: uma edificação restaurada, que data de 1939 e foi projetada pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo & Severo Villares; uma segunda torre modernizada, construída nos anos 1950; e uma torre completamente nova. No total, o complexo oferecerá 274 apartamentos, com tamanhos que variam de 35 m² a 130 m², e preços que oscilam entre R$ 600 mil e R$ 3 milhões.

As duas torres mais antigas possuem dez andares cada, enquanto a mais recente se destaca com 13 pavimentos, devido à diferença de pé direito. O Complexo Basílio 177, em uma área total de 35 mil m² e sob a responsabilidade da construtora Rocontec, promete oferecer uma gama completa de amenidades aos seus moradores. Entre os espaços de lazer e conveniência, destacam-se academia, brinquedoteca, salão de festas, piscina e um bar exclusivo no topo do edifício (rooftop), proporcionando vistas privilegiadas da cidade.

Ramal: Inovação Gastronômica no Térreo

O térreo do Complexo Basílio 177 abrigará o Ramal, uma inovadora galeria que atravessará todo o quarteirão, interligando as ruas Basílio da Gama e 7 de Abril. Com uma área de 3.000 m² e um investimento de R$ 50 milhões, o espaço funcionará como um “food hall”, um conceito que se posiciona como a evolução das tradicionais praças de alimentação. O Ramal reunirá 25 restaurantes distintos, operando com um serviço unificado, onde o cliente pode escolher pratos e bebidas de diferentes estabelecimentos, mas receberá um único atendimento e uma só conta.

Capitaneado pela Fábrica de Bares, empresa por trás de estabelecimentos renomados como Bar Brahma, Blue Note e Riviera, o Ramal promete uma experiência gastronômica e cultural enriquecedora. O espaço contará com música ao vivo, exposições e áreas dedicadas a eventos. Cairê Aoas, fundador da Fábrica de Bares, expressa a ambição de manter o local aberto 24 horas, ajustando o funcionamento conforme a demanda do público. Com curadoria gastronômica de Rosa Moraes, reconhecida por sua atuação na seleção dos 50 melhores restaurantes da América Latina para o ranking britânico 50 Best, o Ramal terá capacidade para 600 lugares e uma expectativa de receber mais de 100 mil pessoas por mês.

“Serão 25 opções de restaurantes, cada um com o seu DNA, com um cardápio enxuto, de até sete itens por menu, para o cliente provar a gastronomia autoral de chefes reconhecidos, a um preço mais acessível”, detalhou Felipe Braga, diretor de marketing da Metaforma. A expectativa é que o custo médio por refeição no Ramal fique entre R$ 50 e R$ 60.

Inicialmente, Metaforma e Fábrica de Bares exploraram a possibilidade de trazer a franquia Time Out Market, famosa por seus polos gastronômicos em cidades como Lisboa, Nova York e Chicago. Contudo, as negociações não avançaram devido aos elevados valores envolvidos. Cairê Aoas ressalta a importância da iniciativa local: “É a primeira iniciativa de ter um centro gastronômico que promova toda a diversidade cultural da capital no centro da cidade, uma região acessível para todos. Vamos juntar o que São Paulo tem de melhor.”

A Essência Histórica e a Visão de Futuro

O edifício, erguido em 1939 em estilo art déco, é tombado desde 1992, o que exige a preservação de suas características externas originais. Ao longo da galeria que conectará as ruas 7 de Abril e Basílio da Gama, elementos históricos serão expostos: maquinários que fizeram parte das antigas operações de telefonia do prédio serão dispostos, rememorando seu passado. Originalmente, o local abrigou a CTB (Companhia Telefônica Brasileira), a principal empresa de telefonia no Brasil até a década de 1960, parte do grupo canadense Light. Na década de 1970, com a criação do Sistema Telebrás, o edifício e seus serviços passaram para a Telesp. Após a privatização do setor em 1998, a propriedade foi transferida para a Telefônica. Antigos moradores da capital lembram-se de ir à central telefônica para realizar ligações interurbanas e adquirir fichas para os orelhões.

Debate sobre Gentrificação e o Programa Requalifica Centro

O Complexo Basílio 177 está alinhado ao programa Requalifica Centro da prefeitura de São Paulo, que oferece incentivos fiscais para estimular a modernização (retrofit) de edifícios antigos na região. Embora urbanistas apoiem a proposta de revitalização, combate ao esvaziamento, fomento à habitação e impulsionamento da economia, questionamentos surgem sobre a metodologia de implementação. Raquel Rolnik, professora titular da FAU-USP, critica o foco em empreendimentos de alto padrão: “Cerca de 80% do déficit habitacional da cidade de São Paulo está na faixa de 0 a 3 salários mínimos. Quantas famílias têm capital para morar em um apartamento de R$ 3 milhões?”, questiona a arquiteta. Para ela, “A mudança não vai melhorar as condições dos moradores do centro, mas valorizar a área a ponto de expulsá-los de lá.”

Kazuo Nakano, professor do Instituto das Cidades da Unifesp, corrobora essa preocupação, afirmando que a mudança da sede do governo para Campos Elíseos, combinada com projetos como o Basílio 177, pode levar o centro à gentrificação – processo onde bairros históricos ou populares se transformam em áreas nobres, elevando o custo de vida e, muitas vezes, deslocando a população original. Nakano enfatiza que “O poder público precisa garantir o interesse coletivo, que moradias populares, inclusive de baixa renda, possam continuar existindo na região, envolvendo comércio e serviços para este público.” Para mais detalhes sobre iniciativas de revitalização urbana, pode-se consultar o portal do Governo do Estado de São Paulo.

A assessoria de imprensa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defende que o objetivo do projeto é requalificar o centro, tornando-o mais seguro e valorizado. Atualmente, 12 das 24 secretarias estaduais estão localizadas no centro da capital, incluindo Fazenda, Justiça, Educação e Segurança Pública, além de grandes departamentos como Detran, DER e DAEE. O governo argumenta que as “estruturas estão distribuídas em 44 endereços distintos, o que gera dispersão operacional e contratos pulverizados de locação, manutenção, segurança e logística; a centralização permitirá racionalizar serviços e reduzir despesas recorrentes ao longo do contrato”. A conclusão integral desse projeto governamental está estimada para 2030.

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Em suma, o Complexo Basílio 177 representa um marco na revitalização do centro de São Paulo, transformando um ícone histórico em um polo residencial e gastronômico moderno. Enquanto promete impulsionar a economia local e atrair novos moradores, o projeto também acende o debate sobre a inclusão social e o futuro da moradia na região. Para se aprofundar em outras notícias sobre o desenvolvimento urbano e a economia das grandes cidades, continue acompanhando a editoria de Cidades do Hora de Começar.

Crédito da imagem: Karime Xavier/Folhapress

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