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O Congresso do Peru debate a destituição do presidente José Jeri, um movimento que marca mais um capítulo na instabilidade política do país andino. A discussão, iniciada nesta terça-feira (17), pode resultar na saída do mandatário com apenas quatro meses no cargo, desencadeada por um escândalo envolvendo reuniões não divulgadas com um empresário chinês. A potencial remoção de Jeri adicionaria seu nome a uma já longa lista de chefes de Estado peruanos que não completaram seus mandatos, sublinhando a fragilidade institucional que assola a nação apesar de sua notável estabilidade econômica regional.
A situação de José Jeri ecoa um padrão preocupante na política peruana. Se a destituição for aprovada, ele se tornará o oitavo presidente do Peru em apenas oito anos, e o terceiro consecutivo a ser afastado do poder pelo Congresso. Esse cenário reflete uma crise política persistente, onde a governabilidade é frequentemente desafiada por disputas entre o poder Executivo e Legislativo, culminando em repetidas trocas na liderança do país.
Congresso do Peru debate destituição do presidente José Jeri
A pauta do debate parlamentar é a análise de moções de censura contra o presidente Jeri. Este mecanismo constitucional, diferente do processo de impeachment, permite a remoção do mandatário ao retirar-lhe o título de presidente do Congresso, cargo que ele ocupava antes de ascender à presidência em um contexto de turbulência. Para a aprovação da censura, é necessária apenas uma maioria simples dos parlamentares presentes, o que significa 66 votos ou menos, caso o número total de legisladores na sessão seja inferior aos 130 que compõem o Congresso peruano.
Em contraste, um julgamento de impeachment, que o presidente e seus apoiadores defendem como o caminho adequado, exige uma maioria qualificada de 87 votos. Essa diferença numérica é crucial, pois a obtenção de 87 votos é consideravelmente mais difícil de ser alcançada em um Congresso fragmentado. Apesar das argumentações de sua base de apoio, José Jeri declarou publicamente que respeitará o resultado da votação, sinalizando uma aceitação das regras democráticas, mesmo que o desfecho possa ser desfavorável.
O escândalo que precipitou essa crise envolveu uma série de reuniões não divulgadas entre o presidente José Jeri e um empresário de origem chinesa. A falta de transparência sobre esses encontros gerou sérias questões éticas e de integridade, levantando suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse ou influência indevida. Em um país com um histórico recente de presidentes envolvidos em investigações de corrupção, a denúncia de irregularidades em reuniões privadas com figuras do setor empresarial rapidamente escalou para uma crise política de grandes proporções, colocando em xeque a permanência de Jeri no cargo.
As implicações de uma eventual destituição de José Jeri são vastas. Além de aprofundar a percepção de instabilidade política, a decisão do Congresso desencadearia uma nova busca por liderança. O atual presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, seria o próximo na linha de sucessão. No entanto, Rospigliosi já afirmou categoricamente que não assumirá a Presidência da República. Essa recusa significa que os parlamentares terão a tarefa adicional de eleger um novo chefe para o Congresso, que então passaria a ocupar o cargo de presidente interino do Peru.
Este procedimento de transição não é inédito na história recente do Peru. Um precedente notável foi a ascensão de Francisco Sagasti à Presidência em 2020. Sagasti foi escolhido pelo Congresso em meio a uma grave crise política e intensos protestos populares que se seguiram ao breve e conturbado governo de cinco dias do ex-presidente Manuel Merino. A experiência de Sagasti demonstrou a capacidade do Congresso peruano de encontrar soluções institucionais em momentos de profunda incerteza, embora ressalte a fragilidade do sistema político que permite tais eventos recorrentes.

Imagem: Gerardo Marin via valor.globo.com
A turbulência política no Peru, paradoxalmente, convive com uma das economias mais estáveis da América Latina. O país tem demonstrado resiliência econômica, atraindo investimentos e mantendo indicadores macroeconômicos robustos, mesmo diante das constantes mudanças em sua liderança. Esta dicotomia entre a estabilidade econômica e a volatilidade política é um fenômeno que intriga analistas e reflete a complexidade do cenário peruano. Para entender melhor a dinâmica econômica da região, é relevante consultar fontes especializadas sobre o assunto, como as análises do Valor Econômico.
O debate em curso no Congresso peruano sobre a destituição de José Jeri é um momento crucial que definirá o futuro político imediato do país. A decisão, seja ela qual for, terá repercussões significativas para a governabilidade e a percepção internacional sobre a democracia peruana. A tensão é palpável, e os olhos do país e da comunidade internacional estão voltados para o desfecho dessa votação.
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Em suma, a possível destituição do presidente José Jeri pelo Congresso peruano representa mais um episódio de instabilidade que desafia a robustez institucional do país. Com a análise das moções de censura em andamento, o Peru se prepara para uma nova transição de poder, que pode impactar sua trajetória política. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre o cenário político latino-americano em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas Acessar gratuitamente Mais do Valor Econômico







