A dermatilomania, formalmente reconhecida como transtorno de escoriação, emerge como uma condição psiquiátrica caracterizada pelo impulso incessante de cutucar, espremer ou ferir a própria pele de forma repetitiva. Tal comportamento está intrinsecamente ligado a estados de ansiedade e à complexidade do controle de impulsos, como revelado recentemente pela influenciadora Giulia Costa, de 25 anos, filha da renomada atriz Flávia Alessandra, de 51, que compartilhou seu diagnóstico e suas experiências nas redes sociais.
A jovem influenciadora relatou ter recebido o diagnóstico após enfrentar crises de ansiedade de grande intensidade. Apesar de vivenciar um período aparentemente favorável em sua vida externa, Giulia Costa admitiu que emocionalmente não estava bem. Em um dos episódios mais agudos, ela causou ferimentos profundos em suas mãos, descrevendo que a ansiedade a atingiu como poucas vezes antes, resultando na automutilação de suas mãos.
Dermatilomania: Giulia Costa Revela Transtorno de Escoriação
Este transtorno, que afeta aproximadamente 3% a 5% da população global, foi oficialmente categorizado como um distúrbio em 2013 pela prestigiada American Psychiatric Association. Estatisticamente, as mulheres representam uma parcela significativa dos casos diagnosticados, correspondendo a cerca de 80%. Apesar de sua prevalência considerável, muitos indivíduos não chegam a receber um diagnóstico formal, frequentemente devido à vergonha associada à condição ou ao desconhecimento sobre sua existência e características.
O Que Define a Dermatilomania
A dermatologista Natasha Crepaldi, que possui mestrado na área, elucida que a dermatilomania envolve um ciclo vicioso e difícil de ser quebrado. Conhecida também como transtorno de escoriação, a condição se manifesta como um impulso repetitivo de manipular a própria pele, seja cutucando-a, espremendo-a ou causando ferimentos, muitas vezes de maneira inconsciente. A especialista enfatiza que essa não é uma questão de falta de força de vontade, mas sim um transtorno diretamente relacionado à ansiedade e à dificuldade no controle de impulsos.
Os sinais de alerta primários para a condição incluem a presença de feridas persistentes que não cicatrizam em regiões corporais facilmente acessíveis pelas mãos do indivíduo. Outros indicadores importantes são manchas ou cicatrizes recorrentes nessas mesmas áreas, contrastando com a ausência de tais lesões em partes do corpo que a pessoa não consegue alcançar. Após o ato de escoriar, o ciclo emocional frequentemente se intensifica, trazendo sentimentos de culpa e vergonha. Muitos pacientes relatam que o comportamento é desencadeado em momentos de estresse intenso ou quando estão distraídos, como ao assistir televisão ou se observar no espelho. O ponto de virada para buscar ajuda é quando o comportamento começa a provocar lesões físicas e um sofrimento emocional considerável.
Consequências Físicas e Emocionais da Condição
A pele desempenha um papel crucial como barreira protetora do organismo. Quando essa barreira é sistematicamente danificada, sua capacidade de proteção fica severamente comprometida. As implicações físicas mais comuns da dermatilomania incluem feridas que demoram a cicatrizar ou que persistem por longos períodos, o surgimento de manchas escuras e cicatrizes permanentes, e um risco acentuado de infecções, visto que bactérias e outros microrganismos podem adentrar as lesões abertas.
Em cenários mais graves, a dermatologista Natasha Crepaldi alerta para a possibilidade de infecções mais sérias, que podem requerer tratamento com antibióticos e deixar marcas ainda mais duradouras. Além do impacto físico, o transtorno impõe um ônus emocional significativo. O indivíduo entra em um ciclo de ansiedade, lesiona a pele, sente-se mal com sua própria aparência, o que, por sua vez, eleva os níveis de ansiedade e pode levar ao isolamento social progressivo. A percepção de que essa condição afeta não apenas o corpo, mas também a mente, sublinha a urgência e a importância de um tratamento precoce e adequado.
Adicionalmente às marcas visíveis, o transtorno de escoriação pode culminar em isolamento social, deterioração da autoestima e um sofrimento psicológico de grande intensidade, impactando profundamente a qualidade de vida do paciente.
Estratégias e Tratamento Integrado
O manejo eficaz da dermatilomania exige uma abordagem terapêutica integrada e multidisciplinar, envolvendo a colaboração de diversos especialistas. Conforme detalhado por Natasha Crepaldi, o plano de tratamento ideal é composto pelo dermatologista, que se encarrega de cuidar das lesões cutâneas, manchas e cicatrizes, além de implementar medidas preventivas contra infecções. Paralelamente, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico mostra-se indispensável para abordar as raízes emocionais do transtorno. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é frequentemente recomendada e demonstra grande eficácia na maioria dos casos. A médica compara essa abordagem a “tratar a raiz e o fruto ao mesmo tempo”, onde se cuida tanto das manifestações físicas visíveis na pele quanto da causa emocional subjacente ao comportamento.
Estratégias adicionais que podem mitigar o risco de novas lesões incluem manter as unhas sempre curtas, fazer uso de curativos nas áreas mais afetadas, evitar o uso de espelhos de aumento que podem intensificar a auto-observação crítica, e aprender a identificar e gerenciar situações de estresse que funcionam como gatilhos para o comportamento de escoriação.
É vital reconhecer a dermatilomania como uma condição séria que demanda atenção profissional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a importância da saúde mental e do acesso a tratamentos adequados para transtornos como este, reforçando a necessidade de buscar ajuda sem receios. Mais informações sobre a saúde mental e como fortalecê-la podem ser encontradas em fontes como a Organização Mundial da Saúde.
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Em suma, a dermatilomania, embora muitas vezes oculta pelo estigma, é um transtorno complexo que afeta milhares de pessoas, como demonstrado pelo relato de Giulia Costa. O tratamento multidisciplinar, combinando cuidados dermatológicos com suporte psicológico e psiquiátrico, é crucial para a recuperação e melhoria da qualidade de vida. Compreender e combater o preconceito em torno de condições de saúde mental é um passo essencial. Para aprofundar-se em temas relacionados a celebridades, saúde e bem-estar, convidamos você a explorar mais artigos em nossa editoria de Celebridade, onde abordamos diversos aspectos da vida pública e privada, sempre com conteúdo de qualidade.
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