Empreendedorismo Feminino em Favelas Fortalece Economia Local

Economia

O empreendedorismo feminino em favelas está ganhando destaque como um motor vital para a economia local, demonstrando a força e a resiliência de mulheres que transformam seus talentos em negócios. Um exemplo marcante dessa potência é a recente criação do sexto núcleo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no Morro da Mariquinha, em Florianópolis, Santa Catarina, no último mês de setembro.

Esta iniciativa pioneira é composta por empreendedoras locais e tem como objetivo principal representar e robustecer o segmento de alimentação fora do lar. Sua formação marca uma nova fase na atuação da Abrasel no estado catarinense, evidenciando o comprometimento da entidade com a diversidade e o potencial das comunidades. As integrantes deste núcleo são mulheres que não apenas geram renda, mas também cultivam autonomia e criatividade a partir de suas cozinhas, fornecendo refeições, doces e lanches que abastecem a vizinhança e dinamizam a circulação de capital na área.

Empreendedorismo Feminino em Favelas Fortalece Economia Local

À frente deste grupo está Prince Oliveira, coordenadora do núcleo e proprietária do Ajeum Vital, uma cozinha especializada em resgate ancestral. Para Oliveira, a jornada de ser uma empreendedora na favela é definida por “a força de não desistir e seguir buscando algo maior, mesmo quando as oportunidades são mais difíceis para quem vem da comunidade”. Sua visão reflete a determinação comum entre as mulheres que lideram esses negócios, muitas vezes enfrentando condições desafiadoras para prosperar.

Um Panorama Nacional de Inovação Comunitária

O cenário observado no Morro da Mariquinha não é um caso isolado, mas sim um reflexo de um movimento crescente em todo o Brasil. Pesquisas como o estudo conjunto da Central Única das Favelas (CUFA) e do Instituto Data Favela revelam que aproximadamente 50% dos residentes de favelas são proprietários de seus próprios negócios. Dentro desse universo, o setor de alimentação fora do lar, que engloba restaurantes e lanchonetes, se destaca como o mais comum, representando cerca de 15% dos empreendimentos. Esses dados sublinham a importância estratégica da gastronomia para a subsistência e o desenvolvimento econômico nessas regiões. Para mais informações sobre o impacto do empreendedorismo no Brasil, consulte estudos publicados por instituições como o Sebrae.

No contexto do empreendedorismo feminino, essa realidade adquire uma dimensão ainda mais profunda. Mulheres que estão na gestão de seus próprios negócios frequentemente precisam equilibrar o trabalho formal, as demandas familiares e as responsabilidades domésticas. Apesar desses múltiplos encargos, elas conseguem construir marcas que são reconhecidas não apenas pela qualidade de seus produtos, mas também pela originalidade e pelo sabor autêntico. Lúcia de Amorim, associada Abrasel e proprietária do Delícias da Lucinha, exemplifica essa dedicação: “Empreender é tornar um sonho real. Trabalho na área da saúde, mas cozinhar é minha paixão. Meus colegas viraram meus primeiros clientes, e os elogios me mostraram que esse era o caminho. Hoje, empreender é recalcular a rota e escolher o meu tempo”, compartilha, destacando a paixão como motor de sua trajetória.

Superando Barreiras e Fortalecendo Redes

Para muitas mulheres nas periferias, a liderança de um negócio próprio é mais do que uma atividade econômica; é um ato de resistência e uma expressão de visão estratégica. Joziane Rodrigues, à frente do Sabor Artesanal da Jozi, que produz pães artesanais e de fermentação natural no Morro da Mariquinha, articula essa perspectiva: “Ser empreendedora é ter coragem de acreditar em um sonho e trabalhar todos os dias para torná-lo realidade. Ser mulher traz desafios, mas também sensibilidade e força para lidar com o negócio de forma especial. Aqui, cada conquista tem um valor enorme, porque vem do esforço e da vontade de crescer”. Sua experiência ecoa a jornada de muitas outras que transformam adversidades em oportunidades.

Os desafios enfrentados por essas empreendedoras vão além da gestão operacional dos negócios. Questões como o preconceito social, a dificuldade de acesso a linhas de crédito e a escassez de visibilidade no mercado são barreiras persistentes. “A gente precisa lutar dez vezes mais para o nosso produto ser valorizado apenas porque vem da comunidade”, enfatiza Prince Oliveira, ressaltando a luta contínua por reconhecimento e valorização. Nesse cenário, a criação do núcleo da Abrasel atua como um catalisador para o fortalecimento coletivo. Nele, cada sucesso individual se reflete e se amplifica na comunidade. “Os primeiros clientes são os vizinhos. Esse carinho e reconhecimento é o que nos faz continuar”, completa a coordenadora, sublinhando a importância do apoio local.

Juliana Mota, presidente da Abrasel em Santa Catarina, reitera a relevância da iniciativa, afirmando que o núcleo materializa a missão da associação: “A Abrasel precisa estar onde o empreendedorismo acontece, precisa estar nas comunidades. Apoiar o Núcleo no Morro da Mariquinha é cumprir nossa missão de fortalecer o setor em toda a sua diversidade e potência, reconhecendo que a comunidade não é carência, é potência”. Essa declaração encapsula a filosofia de investimento no potencial humano e econômico das favelas.

A Primeira Ação: Feira de Empreendedores do Morro da Mariquinha

Em um movimento para colocar a “mão na massa” e celebrar essa nova fase, o recém-inaugurado núcleo da Abrasel já organiza sua primeira grande ação: a Feira de Empreendedores do Morro da Mariquinha. O evento está agendado para o próximo dia 25 de outubro (sábado), das 14h às 22h, e será uma vitrine para 10 negócios locais. A comunidade e visitantes terão a chance de conhecer e adquirir produtos e alimentos artesanais diretamente das mãos das empreendedoras.

A feira faz parte da programação oficial do Festival Felabration, um evento cultural que celebra o artista nigeriano Fela Kuti e a vibrante cultura Afrobeat, garantindo um ambiente de festa e engajamento. A entrada é gratuita, e a Abrasel em Santa Catarina reforça seu apoio ao evento, com representantes presentes para interagir com o público e as empreendedoras. Para mais detalhes, o público pode acessar as redes sociais da Abrasel SC.

Serviço:

  • Feira de Empreendedores do Morro da Mariquinha
  • Data: 25 de outubro (sábado)
  • Horário: 14h às 22h
  • Endereço: Rua Laura Caminha Meira, 325 – Florianópolis/SC
  • Entrada Gratuita
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O empreendedorismo feminino nas comunidades periféricas, como o Morro da Mariquinha, é uma força transformadora que vai além da geração de renda, construindo autonomia, dignidade e fortalecendo laços comunitários. Essas histórias de superação e sucesso ressaltam a importância de iniciativas que apoiem e deem visibilidade a esses negócios. Continue acompanhando a editoria de Economia em nosso site para mais notícias sobre o impacto social e econômico do empreendedorismo no Brasil.

Crédito da imagem: conteúdo de marca