Encontro em Brasília reune mais de 600 Agentes de Cultura

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Mais de 600 agentes de cultura de todo o país são aguardados na capital federal para o Encontro do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC). O evento, que tem início neste domingo (16) e se estende até a próxima quarta-feira (19), em Brasília, visa fortalecer as políticas culturais e promover a troca de experiências entre os participantes de diversas regiões brasileiras.

A iniciativa reúne não apenas os agentes territoriais, selecionados por meio dos Institutos Federais de Educação (IFs) de 23 estados e do Distrito Federal, mas também gestores públicos, representantes da sociedade civil e servidores do Ministério da Cultura (MinC) que atuam ativamente em suas respectivas unidades federativas. Este encontro estratégico é fundamental para o alinhamento e aprimoramento das ações culturais em nível nacional.

Encontro em Brasília reune mais de 600 Agentes de Cultura

O Ministério da Cultura, por sua vez, explicou que o principal propósito do encontro é proporcionar um ambiente fértil para a troca de conhecimentos e vivências entre todos os envolvidos. Além disso, a agenda prevê a avaliação detalhada do PNCC, um programa nacional concebido para expandir o acesso da população às políticas públicas no setor cultural e, a partir dessa análise, definir os planos e direcionamentos para as próximas iniciativas do programa.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a relevância do evento em um vídeo divulgado nas redes sociais. “Vêm os representantes de todo o Brasil. A galera que está aí, fazendo acontecer, levando e trazendo notícia das políticas culturais; fazendo chegar nas pontas”, afirmou Menezes, enfatizando o papel crucial dos participantes na capilaridade e efetividade das ações culturais por todo o território nacional.

A diversidade cultural brasileira é um dos pilares discutidos no evento. Ruth Venceremos, representante LGBTQIA+ e integrante do Distrito Drag, participou de uma das oficinas e ressaltou a importância de o encontro evidenciar a pluralidade cultural do país. “O diferencial do evento é que nele a gente discute cultura de forma articulada com outros temas que são importantes e caros para a sociedade, como é o caso do debate sobre a democracia. Não tem como a gente pensar em uma sociedade democrática se a gente não entender que a cultura é parte dessa construção”, declarou Venceremos, sublinhando a interconexão entre cultura e valores democráticos.

O Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC)

O Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC) foi oficialmente instituído em setembro de 2023, conforme a Portaria MinC nº 64. Seus fundamentos incluem a valorização e a promoção da rica diversidade cultural, étnico-racial e regional do Brasil. Outros princípios essenciais do programa englobam o fortalecimento de múltiplas identidades culturais, o incentivo à participação e educação popular como metodologia para implementar políticas socioculturais eficazes e o aprimoramento contínuo do Sistema Nacional de Cultura.

A estrutura do PNCC baseia-se em duas estratégias complementares: os Comitês de Cultura e os Agentes Territoriais de Cultura. Os Comitês, que já estão estabelecidos em 23 estados e no Distrito Federal, têm como meta principal fomentar a participação social ativa. Eles atuam na criação e no fortalecimento de redes compostas por agentes coletivos e instituições dedicadas à execução de ações socioculturais, promovendo a colaboração e a articulação no âmbito local e regional.

Os Agentes Territoriais de Cultura, por sua vez, são indivíduos com notável representatividade social e cultural, distribuídos por todo o Brasil. Selecionados através de editais públicos transparentes, esses agentes são encarregados de mapear e identificar iniciativas regionais de cultura, mobilizar comunidades locais para a participação em projetos e programas, e ampliar a comunicação e o diálogo entre a sociedade e o poder público, garantindo que as demandas culturais cheguem às esferas decisórias.

A presença dos agentes culturais no encontro em Brasília reflete a abrangência nacional do programa. Dos 601 agentes esperados, a distribuição por região é a seguinte: 203 da Região Sudeste, 175 do Nordeste, 103 do Sul, 64 do Norte e 56 do Centro-Oeste. Essa composição diversificada garante que as discussões e avaliações contem com perspectivas representativas de todas as realidades culturais do país. Para mais informações sobre o programa, acesse o site oficial do Ministério da Cultura sobre o PNCC.

Fortalecimento da Rede de Comunicadores Populares

Paralelamente ao encontro dos agentes de cultura, Brasília sediou, neste sábado (15), o Encontro de Comunicadores Populares. O evento foi realizado em parceria com o Laboratório Digital da Universidade Federal do Paraná e teve como foco o fortalecimento da Rede Nacional de Comunicadores Populares, uma iniciativa vital para a disseminação cultural.

A Rede Nacional de Comunicadores Populares busca expandir a comunicação comunitária, concedendo maior visibilidade às ações culturais desenvolvidas nos territórios onde esses comunicadores atuam. O objetivo é assegurar que as manifestações culturais locais ganhem projeção e reconhecimento, contribuindo para a valorização das identidades regionais e para o acesso à informação de qualidade.

Márcio Tavares, secretário-executivo do MinC, destacou em nota o valor diferenciado da rede de comunicadores. “Nosso desafio é transformar nossas iniciativas em histórias que tenham significado concreto para as pessoas. Quando a gente fala que está fazendo o maior investimento em cultura da história do Brasil, o que isso significa de concreto? Significa que, pela primeira vez, temos um cinema numa aldeia indígena; uma cidade pequena que nunca tinha tido acesso a teatro está garantindo isso para suas crianças, adolescentes e pais”, pontuou Tavares, ilustrando como os investimentos em cultura se traduzem em benefícios tangíveis para a população.

Complementando a visão sobre a importância do conhecimento local, Gabriella Gualberto, chefe da Assessoria Especial de Comunicação (Ascom) do MinC, afirmou: “O conhecimento técnico, muita gente ensina, tem milhares de faculdades que ensinam. Mas, esse conhecimento territorial ninguém ensina, só quem nasce nele tem. E a gente vive num país de extensão continental, em que cada lugar tem seu jeito de fazer as coisas”. Essa perspectiva reforça a importância de valorizar e integrar os saberes locais nas políticas culturais.

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Em suma, o encontro dos agentes de cultura em Brasília representa um marco significativo para a política cultural brasileira, promovendo a integração, a avaliação e o planejamento de ações que visam democratizar o acesso à cultura em todas as regiões. A articulação entre agentes territoriais, comunicadores populares e o Ministério da Cultura é fundamental para que as iniciativas cheguem às pontas e transformem a realidade das comunidades. Continue acompanhando as notícias sobre cultura e políticas públicas em nossa editoria de Política para ficar por dentro dos próximos desenvolvimentos e projetos.

Crédito da imagem: Anderson Coutinho/Ministério da Cultura