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Envelhecer em um Mundo Mais Longevo: Desafios e Oportunidades

Economia

O processo de envelhecer ganha novas nuances e urgência no cenário demográfico atual, onde o planeta atingiu a marca de 8 bilhões de habitantes. Este marco é acompanhado por um fenômeno global: o crescimento exponencial da população idosa, que ocorre em paralelo à diminuição das taxas de natalidade. Tal realidade exige uma profunda reflexão sobre a forma como a sociedade e os indivíduos estão abordando suas vidas, visto que os impactos desses dados se manifestam direta e indiretamente em múltiplos âmbitos da existência humana. A discussão abrange desde a esfera profissional e as transformações no mercado de trabalho, até as dinâmicas das relações conjugais, familiares e sociais, sem esquecer os aspectos educacionais e espirituais.

Desde o início dos anos 1990, o colunista tem se dedicado intensamente a este tema, compartilhando insights por meio de palestras, livros, artigos e programas focados na preparação de profissionais para a aposentadoria. Sua jornada pessoal, ao alcançar a idade de 80 anos, confere uma perspectiva ainda mais profunda e vivenciada ao assunto, influenciando diretamente sua forma de viver e de abordar a longevidade. Essa experiência ressalta a importância de um olhar cuidadoso para os desafios e as oportunidades que surgem com uma vida mais longa.

Envelhecer em um Mundo Mais Longevo: Desafios e Oportunidades

A Organização das Nações Unidas (ONU) projeta que a população mundial continuará a envelhecer, o que sublinha a necessidade de políticas públicas e discussões sociais sobre o tema. Segundo especialistas dedicados ao estudo da longevidade, a humanidade ainda está em busca de um modelo ideal para viver e lidar com a velhice. A maneira como as pessoas envelhecem está intrinsecamente ligada à trajetória de suas vidas e é fortemente influenciada pelas marcantes diferenças culturais observadas nas diversas regiões do globo. Essa diversidade ressalta que não existe uma fórmula única, mas sim um mosaico de experiências e adaptações.

Em sua obra seminal “Perdas Necessárias”, a renomada autora e pesquisadora Judith Viorst oferece uma classificação perspicaz, dividindo as pessoas idosas em dois grupos distintos no que concerne à sua percepção de um “bom envelhecimento”. Viorst descreve um grupo como os “reorganizadores”: indivíduos que mantêm um estilo de vida focado em resistir ao encolhimento de seu mundo social e pessoal. Eles se caracterizam por permanecerem ativamente engajados, cultivando novos relacionamentos e empreendendo novos projetos, demonstrando uma vitalidade contínua e uma busca incessante por propósito.

O segundo grupo, batizado por Viorst como os “desligados”, engloba aqueles que aceitam a diminuição natural de seu universo de atividades e interações. Esses indivíduos se adaptam a essa nova realidade e, notavelmente, encontram grande satisfação em uma existência mais contemplativa, frequentemente mais isolada e com um ritmo de vida menos agitado. Para eles, a felicidade reside na serenidade e na introspecção, em vez da busca incessante por novos empreendimentos ou contatos sociais amplos.

Portanto, a experiência de envelhecer se revela multifacetada. Pode ser uma jornada ativa ou passiva; marcada pela resiliência e constante reorganização, ou pela aceitação serena e pelo desapego. A terceira idade pode ser vivenciada de forma “rabugenta” ou “serena”, com a manutenção de uma “fachada” de juventude ou pela corajosa “retirada da máscara”, revelando a autenticidade da idade. O processo pode ainda representar a consolidação de conhecimentos e feitos anteriores, ou uma empolgante exploração de novos caminhos, inclusive aqueles que fogem das convenções sociais. Viorst sugere que o ciclo de amar e de permitir o “deixar partir”, iniciado na infância, pode ser um preparo crucial para as perdas inerentes às fases finais da vida, facilitando a aceitação e a adaptação.

Envelhecer em um Mundo Mais Longevo: Desafios e Oportunidades - Imagem do artigo original

Imagem: valor.globo.com

Essas provocações servem como um convite à reflexão, independentemente do estágio de vida em que cada um se encontre. O percurso do autor em projetos e iniciativas voltadas para o envelhecimento foi consideravelmente enriquecido por uma colaboração estratégica com uma parceira mais jovem em trabalhos focados no que se denomina “pós-carreira”. Essa parceria se deu com Denise Mazzaferro, uma especialista em envelhecimento, com quem o autor coescreveu o livro “Longevidade: os desafios e as oportunidades de se reinventar”. Juntos, eles têm desempenhado um papel fundamental em auxiliar inúmeros profissionais na estruturação de seus projetos de vida para esta nova etapa, que se mostra tão rica em possibilidades e desafios quanto as anteriores.

Renato Bernhoeft, fundador e presidente do conselho da Höft Consultoria, continua a ser uma voz ativa e relevante neste debate, destacando a importância de uma abordagem proativa e consciente para a longevidade. A discussão sobre o envelhecer transcende a esfera individual e se insere no contexto de uma sociedade global que precisa se adaptar a uma população com expectativas de vida cada vez maiores, repensando estruturas e oferecendo suporte para que cada indivíduo possa usufruir de uma vida plena em qualquer idade.

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Em suma, o crescimento da população idosa e a reflexão sobre como envelhecer são temas centrais para o século XXI. Este artigo destacou a complexidade do assunto, as diferentes abordagens para a longevidade e a importância de um planejamento consciente. Para aprofundar seu conhecimento sobre o mercado e a sociedade, continue acompanhando as análises e notícias em nossa editoria de Análises.

Crédito da imagem: Unsplash

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