A investigação Vorcaro, que mira Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, recentemente liquidado pelo Banco Central, avança com a prisão de sócios e comparsas. As recentes detenções prometem aprofundar a apuração de diversas irregularidades e fraudes atribuídas ao banqueiro, incluindo um elaborado esquema de coerção, vigilância privada e até planos de violência contra jornalistas e concorrentes.
As autoridades revelaram indícios de que a vasta rede de influência política de Vorcaro se estendia a servidores públicos de alto escalão. Paulo Sérgio Novaes de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão da mesma instituição, são apontados pela Polícia Federal por supostamente agirem em favor dos interesses do ex-banqueiro.
Esquema Vorcaro: Prisões revelam coerção e fraude
Conduzido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o afastamento do ministro Dias Toffoli, o inquérito permitiu a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero. Esta etapa foi autorizada diante de provas robustas de que Vorcaro e seus colaboradores teriam interceptado informações sigilosas da Polícia Federal, do Ministério Público e da Interpol. Além de Daniel Vorcaro, foram presos seu sócio Fabiano Zettel, Felipe Moura e Marilson da Silva. Os funcionários do BC citados, já afastados de suas funções, passaram a utilizar tornozeleira eletrônica.
Daniel Vorcaro havia sido detido anteriormente em novembro de 2025, enquanto tentava embarcar para o Oriente Médio, pouco antes da liquidação do Banco Master. Naquela ocasião, sua libertação foi concedida pela juíza Solange Salgado sob o argumento de que a viagem tinha um propósito legítimo e não configurava tentativa de fuga. No mesmo dia de sua libertação, soube-se que a Fictor Holding, em parceria com fundos árabes não identificados, havia proposto a compra do Banco Master por R$ 3 bilhões. O ex-diretor do BC, Paulo Souza, enviou detalhes de uma reunião sobre a oferta da Fictor aos advogados de Vorcaro, o que auxiliou na sua liberação. A Fictor, contudo, entrou em recuperação judicial em fevereiro, acumulando dívidas de R$ 4,2 bilhões, e a PF apontou indícios de gestão fraudulenta e emissão de títulos sem lastro em suas operações.
O Banco Central agiu corretamente ao liquidar o Master, um dia após a proposta de última hora da Fictor, que se mostrou uma tentativa frustrada de evitar o fim da instituição. A atuação do BC chegou a ser questionada pelo ministro Jonathan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), que instaurou um inquérito para apurar uma possível precipitação na medida e tentou restringir o acesso do BC às conclusões da investigação do TCU.
A mecânica das operações de Vorcaro consistia em utilizar sua rede bancária para captar recursos por meio de taxas muito acima do mercado. Esses fundos eram então aplicados em empréstimos que, segundo as investigações, beneficiavam o próprio banqueiro e seus familiares. À beira da insolvência, houve uma tentativa de repassar 49% da instituição falida, o Banco Master, ao estatal Banco Regional de Brasília (BRB) por R$ 2 bilhões. Essa operação, que chegou perto de ser concretizada, contou com o apoio da diretoria do BRB e do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Felizmente, a venda foi barrada pelo Banco Central, que já havia detectado a transferência de R$ 12,2 bilhões em créditos sem lastro do Master para o BRB. Como consequência, o BRB agora precisa cobrir um rombo de R$ 6,6 bilhões para manter sua solvência, levando a Câmara do Distrito Federal a aprovar a transferência de nove imóveis de órgãos estatais para o banco, a fim de mitigar o prejuízo.

Imagem: Editorial via valor.globo.com
A sequência das investigações, especialmente após a primeira libertação de Vorcaro, revelou que ele representava não apenas um risco para o esclarecimento de suas ações, mas também um perigo iminente. Contrariando o parecer inicial da Procuradoria Geral da República, que solicitou tempo para avaliar a necessidade de sua prisão, os fatos indicam que Vorcaro continuou a desafiar a lei. As novas descobertas expõem um lado ainda mais sombrio: comportamentos que sugerem práticas mafiosas e o potencial de violência por parte de seu círculo.
Em um grupo de WhatsApp intitulado “A Turma”, foram descobertos planos para simular um assalto com violência contra o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A coordenação desse grupo, conforme apontado pela Polícia Federal, estava a cargo de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário” e também como Felipe Mourão, que, segundo a PF, recebia um milhão de reais mensais por “serviços sórdidos”, como ameaças, chantagem, espionagem e suborno. Mourão faleceu recentemente, na prisão, após atentar contra a própria vida.
Em resposta às ameaças, o jornal O Globo emitiu uma nota repudiando os métodos criminosos atribuídos a Vorcaro, afirmando que seus jornalistas não se intimidarão e continuarão a acompanhar o caso, divulgando informações de interesse público. Diversas entidades ligadas à imprensa também se manifestaram. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), por exemplo, classificou a tentativa de intimidação por meio de violência como um ataque inaceitável à liberdade de expressão, declarando que “métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira”. Para entender mais sobre a atuação do Banco Central em casos de fiscalização e liquidação, acesse o site oficial do Banco Central do Brasil.
O império montado por Vorcaro, que burlava as leis e já gerou um rombo estimado em R$ 52 bilhões, demonstra uma audácia e ambição sem limites. Sua liberdade, após a primeira prisão, revelou que ele estaria disposto a usar todos os meios ao seu alcance, inclusive a violência, para alcançar seus objetivos. Assim, até que seja devidamente julgado, com todos os recursos e direitos garantidos pela legislação, Daniel Vorcaro representa uma ameaça à ordem pública e a manutenção de sua prisão é vista como necessária para a continuidade das investigações e a proteção da sociedade.
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A complexidade e a profundidade da investigação sobre Daniel Vorcaro continuam a revelar camadas de fraude e coerção que impactam diretamente o sistema financeiro e a liberdade de imprensa no Brasil. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos deste e de outros casos de relevância, acompanhe a nossa editoria de Economia.
Foto: EDILSON DANTAS / Agencia O Globo/Agência O Globo







