Exposição Hip Hop no Sesc 24 de Maio Celebra Cultura SP

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A exposição hip hop Sesc 24 de Maio, intitulada “HIP-HOP 80sp – São Paulo na Onda do Break”, oferece uma imersão profunda na história e na relevância desse gênero musical e cultural. A mostra, que ocupa o espaço do Sesc 24 de Maio, na região central de São Paulo, vai além de um simples resgate cronológico, destacando a influência e o impacto do movimento não apenas nas vibrantes ruas da capital paulista, mas em todo o cenário nacional.

Com uma curadoria meticulosa, idealizada por renomadas figuras da cena paulistana, como o duo OSGEMEOS, Rooneyoyo e Sharylaine, a exposição é um verdadeiro acervo vivo. Foram resgatadas e apresentadas mais de 3 mil peças que contam a trajetória do hip-hop, abrangendo desde ricas coleções de fotografias e vestuário autêntico até discos históricos, equipamentos de som e valiosos registros audiovisuais. Cada item contribui para pintar um panorama detalhado da evolução e da energia desse movimento.

Exposição Hip Hop no Sesc 24 de Maio Celebra Cultura SP

Um dos pontos cruciais da mostra é a valorização do protagonismo feminino dentro da cultura hip-hop. As artistas Sharylaine e Rose MC, em depoimentos e textos presentes na exposição, sublinham o papel fundamental das mulheres nos anos 1980. Elas relatam como, em um ambiente frequentemente marcado pelo machismo, preconceito e sexismo, as mulheres bravamente abriram espaço para suas próprias composições e rimas. Sua luta e perseverança foram essenciais para “meter o pé na porta”, conquistando reconhecimento e espaço com força e garra que moldaram a cena.

A “HIP-HOP 80sp” estará aberta ao público até o dia 29 de março de 2026, oferecendo tempo suficiente para que interessados de todas as idades possam vivenciar essa experiência cultural. O Sesc 24 de Maio funciona de terça-feira a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos e feriados, das 9h às 18h, proporcionando horários flexíveis para a visitação e garantindo acessibilidade a um público amplo.

As Raízes do Hip Hop: Do Bronx para o Mundo

Para entender a magnitude da exposição hip hop Sesc, é crucial mergulhar na origem do movimento. O hip-hop emergiu nas décadas de 1960 e 1970, nas comunidades do sul do Bronx, em Nova York, nos Estados Unidos. Essa região era, à época, notoriamente afetada pela extrema violência, resultante de intensos conflitos entre gangues e de uma constante repressão policial. Nesse contexto de adversidade, a necessidade de expressão e a busca por alternativas de lazer deram o tom para o surgimento de uma nova cultura.

Os curadores OSGEMEOS destacam que a concepção da exposição visa transportar o visitante para o cenário da vida em Nova York naquele período, evidenciando o improviso e a criatividade que eram necessários para a diversão entre amigos. Conforme eles descrevem em nota, “O hip-hop aconteceu de forma muito natural no meio de tudo isso”, sublinhando a espontaneidade com que a cultura floresceu a partir da realidade social e cultural do bairro.

A mostra “HIP-HOP 80sp” faz questão de reverenciar figuras essenciais que contribuíram para a notoriedade global da cultura do hip-hop. Entre os pioneiros, são citados os trabalhos de Martha Cooper e Henry Chalfant, considerados os primeiros a documentar a emergente cultura do sul do Bronx. Martha Cooper se destacou como uma das primeiras fotógrafas a registrar o movimento, capturando sua essência em imagens icônicas. Henry Chalfant, por sua vez, foi o criador do filme “Style Wars”, amplamente reconhecido como o documentário definitivo sobre o gênero, oferecendo um olhar aprofundado sobre seus elementos e protagonistas.

Outros nomes que foram cruciais para a difusão do estilo em suas diversas vertentes são também homenageados. Afrika Bambaataa é lembrado por ter fundado a primeira casa de hip-hop em 1983, um marco para a institucionalização do movimento. O grupo Sugar Hill Gang lançou a primeira gravadora dedicada ao gênero, abrindo caminho para sua comercialização. Van Maude se consolidou como uma grande referência na arte do graffiti, elevando a pintura urbana a um novo patamar. E, surpreendentemente, Michael Jackson é reconhecido por incorporar elementos do breakdance em seus trabalhos, contribuindo significativamente para a difusão mundial do gênero e sua popularização entre o grande público.

A exposição no Sesc 24 de Maio presta uma homenagem visual e tátil a essas grandes figuras da cena, utilizando manequins que foram cuidadosamente elaborados para representar a aparência real desses artistas. Além disso, diversos artigos de vestimenta, como camisetas, jaquetas e acessórios, são peças originais, emprestadas especialmente para a exibição, permitindo um contato direto do público com a autenticidade e o estilo da época.

A Chegada e o Legado do Hip Hop no Brasil

Embora não haja um registro exato da data de chegada do hip-hop ao Brasil, a grande explosão e popularização do gênero no país são amplamente atribuídas aos anos 1980. Um nome de destaque nesse processo é o dançarino Ricardinho, integrante do grupo Electric Boogies. Após uma viagem aos Estados Unidos, onde teve contato direto com a efervescente cena, Ricardinho retornou ao Brasil e começou a realizar apresentações nas ruas do centro de São Paulo, introduzindo o estilo para o público brasileiro.

OSGEMEOS descrevem o impacto de Ricardinho: “Quando ele volta para cá, vai nos bairros e começa a abrir roda de break. A galera não sabia o que era isso”. Essa novidade gerou um fascínio imediato e as ruas 24 de Maio e São Bento, no coração de São Paulo, rapidamente se tornaram palcos improvisados para o movimento. Contudo, essa efervescência cultural também atraiu uma forte repressão policial. Como apontado em um dos murais presentes na exposição, “Os agentes da corporação policial viam os dançarinos como vagabundos e marginais, gente na maioria preta, parda e periférica”, revelando o preconceito e a marginalização enfrentados pelos artistas.

O impacto duradouro da cultura do hip-hop em São Paulo é visível até hoje, especialmente nos grafites que adornam diversas ruas da cidade. Um dos exemplos mais emblemáticos dessa manifestação artística é o Beco do Batman, na Vila Madalena, um verdadeiro museu a céu aberto que reflete a influência e a força do graffiti, um dos pilares do hip-hop.

A “HIP-HOP 80sp – São Paulo na Onda do Break” está disponível no Sesc 24 de Maio, localizado na República, centro de São Paulo, até 29 de março de 2026. Os horários de visitação são de terça a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos e feriados, das 9h às 18h. A mostra é uma oportunidade imperdível para conhecer e celebrar a rica trajetória do hip-hop, um movimento que transcendeu a música para se tornar um poderoso veículo de expressão social e cultural.

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Esta completa imersão na exposição hip hop Sesc 24 de Maio oferece uma perspectiva abrangente sobre a história, os desafios e o legado de um dos movimentos culturais mais influentes do século XX. Convidamos você a explorar mais sobre a cultura e os eventos que moldam nossas cidades em nossa editoria de Cidades, e a ficar por dentro de todas as novidades culturais e sociais que impactam o Brasil.

Crédito da imagem: Matheus Crobelatti/Divulgação | Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior | Edição: Aline Leal