Na última quarta-feira, dia 18 de março de 2026, a Fabiana Bolsonaro, deputada estadual pelo Partido Liberal (PL) no estado de São Paulo, protagonizou um episódio de blackface durante um discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A ação foi uma forma de expressar crítica à eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados, gerando ampla repercussão e controvérsia.
A prática de blackface, central neste incidente, consiste na utilização de artifícios por pessoas brancas – como pintura facial escura, perucas ou outros acessórios – para simular, de maneira caricata e frequentemente ofensiva, características físicas de indivíduos negros. O termo tem sua origem nos Estados Unidos, onde atores brancos, utilizando graxa, carvão e outras ferramentas, representavam pessoas negras em espetáculos de forma estereotipada, degradante e com forte conotação racista, perpetuando preconceitos e discriminação.
Durante sua manifestação, a deputada Fabiana Bolsonaro, com o rosto pintado, fez declarações que justificavam sua postura ao afirmar: “Eu estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que eu não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra”, questionou. Este posicionamento, articulado em um contexto de blackface, intensificou as discussões sobre apropriação cultural e a representatividade em pautas raciais. O episódio com a
Fabiana Bolsonaro faz blackface na Alesp e critica Erika Hilton
reverberou imediatamente nos corredores da Assembleia e nas redes sociais, dado o peso simbólico e histórico da prática do blackface.
Adicionalmente, a deputada do PL expandiu sua crítica à nomeação de Erika Hilton com falas de teor transfóbico. Em seu discurso, ela declarou: “Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Eu não estou aqui ofendendo transexual, muito pelo contrário, eu estou dizendo, eu sou mulher, quero ser vista como mulher. A mulher do ano não pode ser trave (sic) transsexual”, acrescentou. Tais afirmações aprofundaram a polêmica, conectando a prática de blackface a discursos discriminatórios contra a comunidade LGBTQIAP+.
Diante da gravidade da situação, as reações foram imediatas. O presidente da Alesp, André do Prado (PL), e a deputada federal Erika Hilton foram procurados para se manifestarem sobre o ocorrido, mas até o momento da publicação desta notícia, não haviam respondido às solicitações da imprensa. A ausência de um posicionamento inicial por parte da presidência da casa legislativa foi um ponto de atenção para os críticos do incidente.
Em resposta direta ao episódio, a deputada estadual paulista Mônica Seixas (PSOL) e a vereadora de São Paulo Luana Alves (PSOL) tomaram a iniciativa de ir à Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para registrar um boletim de ocorrência contra Fabiana Bolsonaro. A medida legal busca formalizar a denúncia e dar seguimento às investigações sobre os possíveis crimes cometidos.
Mônica Seixas utilizou suas redes sociais para externar sua indignação e detalhar a ação, afirmando que “Crime de racismo é inafiançável, aconteceu de forma televisionada sem nenhuma reação da presidência da Assembleia Legislativa ao fato da deputada Fabiana Bolsonaro ter feito blackface enquanto dizia impropérios transfóbicos na tribuna da Assembleia Legislativa”. A deputada do PSOL ressaltou a natureza flagrante do crime e a omissão da liderança da Alesp em intervir no momento do incidente.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A dificuldade no registro do flagrante também foi um ponto levantado por Mônica Seixas. Ela mencionou que “Eu tive muita dificuldade de registrar o flagrante, sendo que a Assembleia Legislativa no seu regimento interno Artigo 282 prevê que a autoridade policial tem que agir quando há crime flagrante no plenário da Assembleia Legislativa”. Este fato destaca uma possível falha na aplicação das normas internas da casa legislativa em situações de transgressão flagrante.
Diante do cenário, a deputada Mônica Seixas reiterou seu compromisso em tomar medidas mais enérgicas contra a deputada do PL. Ela declarou que “Nós vamos representar no Conselho de Ética. Estou exigindo da presidência da Assembleia Legislativa uma resposta e uma atuação agora, porque a população do estado, a população negra do estado de São Paulo merece respeito que não teve nessa Casa”. A representação no Conselho de Ética da Alesp é uma medida disciplinar interna que pode resultar em sanções para a parlamentar, dependendo do entendimento dos conselheiros.
O caso da deputada Fabiana Bolsonaro levanta questões cruciais sobre a liberdade de expressão parlamentar versus a responsabilidade de não incitar o ódio ou a discriminação, especialmente em um espaço de representatividade como o parlamento. A repercussão do incidente no cenário político e social de São Paulo e do Brasil sublinha a importância de combater práticas racistas e transfóbicas em todas as esferas. Para mais informações sobre a história e o significado do blackface, você pode consultar fontes históricas e culturais que detalham a origem e o impacto dessa prática discriminatória.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
O episódio envolvendo a deputada Fabiana Bolsonaro e sua performance de blackface na Alesp, acompanhado de discursos transfóbicos direcionados a Erika Hilton, gerou uma onda de condenação e ações legais. A mobilização de parlamentares e a busca por responsabilização na esfera criminal e ética reforçam a importância da vigilância contra atos de discriminação. Para continuar acompanhando os desdobramentos deste e de outros temas relevantes no cenário político brasileiro, convidamos você a explorar mais em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Reprodução/TV Alesp







