Força-Tarefa Agiliza Identificação de Mortos na Operação Contenção

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A identificação dos mortos na Operação Contenção é uma prioridade para as autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro. Conforme anunciado pelo secretário de Segurança Pública do estado, Victor Santos, a expectativa é que todas as vítimas fatais da recente ação policial estejam identificadas até o final desta semana. Para cumprir esse objetivo, uma força-tarefa especializada foi mobilizada no Instituto Médico Legal (IML), visando acelerar os procedimentos necessários.

A complexidade do processo de reconhecimento dos corpos foi detalhada pelo secretário. Ele explicou que existem diversas etapas e métodos para a identificação. As formas mais diretas envolvem o reconhecimento visual por parte dos próprios familiares ou parentes das vítimas. Paralelamente, utiliza-se a dactiloscopia, técnica de análise de impressões digitais. Contudo, em casos mais desafiadores, o IML recorre a métodos avançados, como a análise de DNA e outras técnicas forenses. Santos enfatizou que, embora o trabalho seja minucioso e exija tempo, a força-tarefa está empenhada em concluir a identificação de todos os indivíduos.

Força-Tarefa Agiliza Identificação de Mortos na Operação Contenção

A declaração do secretário ocorreu durante uma entrevista coletiva à imprensa, realizada após um encontro com parlamentares na manhã de quarta-feira, 29 de outubro. A reunião aconteceu no Centro Integrado de Comando e Controle da Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro. O evento contou com a participação de um número significativo de representantes políticos, incluindo dez deputados federais, nove deputados estaduais e quatro vereadores da capital fluminense, demonstrando a relevância do tema para os diferentes níveis de governo.

O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, complementou as informações, destacando um dos principais fatores que podem prolongar o processo de identificação: a origem das vítimas. Ele observou que muitos dos mortos na operação não são residentes do estado do Rio de Janeiro, o que adiciona uma camada de complexidade aos procedimentos. Nesses casos, a polícia técnica do Rio precisa entrar em contato e coordenar-se com as corporações correspondentes em outros estados. Essa comunicação é essencial para obter dados adicionais e assegurar a identificação precisa dos corpos, explicando o tempo adicional que o processo tem demandado.

Questionado sobre a divulgação dos nomes das vítimas fatais, Curi reiterou que uma lista será tornada pública em um “momento oportuno”. A Operação Contenção, foco das discussões, foi desencadeada na terça-feira, 28 de outubro, nos Complexos do Alemão e da Penha. A mobilização envolveu um efetivo impressionante de 2,5 mil policiais, configurando-se como a maior ação do tipo realizada no estado do Rio de Janeiro nos últimos 15 anos, e também a mais letal. O governo estadual confirmou oficialmente 121 mortos, dos quais quatro eram policiais, e reconhece que o número de vítimas ainda pode ser revisto. No entanto, organizações da sociedade civil já indicam que o total de mortos ultrapassa 130.

O objetivo central da operação era frear o avanço do Comando Vermelho e executar 180 mandados de busca e apreensão, além de 100 mandados de prisão. Trinta desses mandados de prisão foram emitidos pelo estado do Pará, que atuou como parceiro na força-tarefa. Embora o alvo principal da operação, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca e apontado como o principal chefe solto do Comando Vermelho, não tenha sido capturado, o secretário Victor Santos classificou a operação como um sucesso. Ele citou a prisão de 113 indivíduos e a apreensão de HDs (discos rígidos), que, segundo ele, podem fornecer informações cruciais sobre esquemas de lavagem de dinheiro, auxiliando significativamente as investigações policiais em curso.

A atuação do Comando Vermelho tem sido um ponto de preocupação crescente. Uma pesquisa divulgada no ano passado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e pelo Instituto Fogo Cruzado revelou que essa foi a única facção criminosa a expandir seu controle territorial na Grande Rio entre 2022 e 2023. Com um aumento de 8,4%, a organização criminosa superou as milícias, passando a controlar 51,9% das áreas dominadas por grupos criminosos na região. O estudo também apontou que o Comando Vermelho retomou a liderança em 242 km² que haviam sido perdidos para as milícias em 2021, ano em que as milícias detinham 46,5% do controle criminoso e o Comando Vermelho, 42,9%.

Apesar da Operação Contenção ter resultado na apreensão de toneladas de drogas – cujo volume exato ainda não foi totalmente determinado –, o secretário Curi fez uma ressalva importante sobre a principal fonte de financiamento do crime organizado. Ele explicou que as drogas representam apenas cerca de 10% a 15% do faturamento total das facções. A maior parte da receita, segundo ele, deriva da exploração econômica do território controlado. Isso inclui a exploração de serviços como internet, gás, energia elétrica, água, além de construções irregulares e a extorsão de comerciantes e moradores dentro das comunidades. Curi enfatizou que a busca pelo controle territorial é, para o Comando Vermelho, sinônimo de receita e exploração econômica.

Em relação a possíveis vazamentos de informações sobre a operação nos complexos da Penha e do Alemão, o secretário Santos afirmou que não houve um vazamento grave que comprometesse os objetivos da ação. Ele argumentou que, em uma operação de tal magnitude, com a mobilização de 2,5 mil policiais, é natural que a movimentação em si já sugira a realização de uma grande operação em um complexo extenso. Para Santos, o fato de os objetivos da operação terem sido alcançados é a prova de que não houve um vazamento “qualificado” ou sério.

Desde o dia anterior às declarações, os secretários também foram questionados sobre alegações de torturas e execuções de indivíduos que teriam se rendido a policiais. Ambos negaram veementemente as acusações, assegurando que tais denúncias serão minuciosamente investigadas nas perícias realizadas pelo IML. Curi mencionou a instauração de um inquérito para apurar o crime de fraude processual, relacionado à suposta remoção de roupas e coturnos dos corpos. Ele também levantou a possibilidade de que as lesões encontradas nas vítimas não tivessem sido provocadas pelos policiais. Esta matéria sobre a Operação Contenção no Rio de Janeiro destaca a importância da segurança pública e a complexidade de combater o crime organizado em áreas urbanas densas, como discutido em análises sobre políticas de segurança pública.

Na quarta-feira, 29 de outubro, moradores do Complexo da Penha localizaram e removeram cerca de 60 corpos de uma área de mata, um dia após a Operação Contenção. Os corpos foram reunidos na Praça São Lucas, no coração da comunidade. As famílias relataram que as vítimas apresentavam marcas de tortura e afirmaram ter recebido provas de que os indivíduos haviam se entregado às forças de segurança antes de morrerem, levantando sérias questões sobre a conduta policial durante a operação.

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A identificação dos mortos na Operação Contenção representa um passo crucial para as famílias das vítimas e para a transparência da ação policial. As autoridades do Rio de Janeiro continuam a investigar os fatos, enquanto a sociedade civil monitora de perto os desdobramentos. Para acompanhar mais notícias sobre a segurança pública e o cotidiano nas cidades brasileiras, continue explorando nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil