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Oito Governadores Desistem da Eleição e Permanecem no Cargo

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Pelo menos oito governadores que estão no fim do segundo mandato decidiram não disputar as eleições deste ano, optando por permanecer no cargo para gerenciar a própria sucessão. Esta escolha, que se solidifica com o prazo de descompatibilização próximo, revela uma série de estratégias e impasses políticos em diferentes estados brasileiros.

O panorama inclui gestores que viram seus projetos de candidatura à Presidência da República serem frustrados, aqueles que enfrentaram rupturas com seus vices e os que navegam por cenários políticos estaduais turbulentos. A permanência desses líderes nos seus respectivos cargos molda a dinâmica eleitoral e a corrida por vagas em outros pleitos, como o Senado.

Oito Governadores Desistem da Eleição e Permanecem no Cargo

Este número de chefes de executivos estaduais que não participarão do pleito eleitoral é o mais elevado das últimas disputas. Em 2022, apenas cinco dos 27 governadores não concorreram, e em 2018, esse número foi ainda menor, com apenas quatro gestores fora da corrida. Dez gestores estaduais, por outro lado, renunciam até o próximo sábado, 4 de abril, que marca o limite legal para a descompatibilização. Além disso, nove governadores optam por seguir no cargo para tentar a reeleição.

Razões para a Permanência no Cargo

Entre os governadores que permanecerão em seus postos até o término do mandato estão Ratinho Junior (PSD), do Paraná, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul. Ambos chegaram a ter suas figuras projetadas como potenciais candidatos ao Palácio do Planalto, mas acabaram fora da disputa por motivos distintos. Ratinho Junior retirou-se da corrida por decisão pessoal, enquanto Eduardo Leite foi preterido pelo PSD. Fora da disputa presidencial, Leite optou por não se candidatar ao Senado e concentrará seu apoio no vice, Gabriel Souza (MDB), como candidato ao governo gaúcho.

Em cinco estados, a decisão de não se candidatar esteve ligada a rupturas políticas com os respectivos vices. A estratégia visa evitar a entrega do comando estadual a um potencial adversário. Em Alagoas, por exemplo, Paulo Dantas (MDB) permanece no cargo em um clima de consenso, apoiando a volta de seu antecessor, Renan Filho (MDB). No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra (PT) optou por ficar após o rompimento com seu vice, Walter Alves (MDB), que concorrerá a deputado estadual. Uma renúncia de ambos resultaria em uma eleição indireta para um mandato-tampão, com um desfecho incerto na Assembleia Legislativa. Fátima Bezerra, que era uma forte aposta do PT para o Senado, adiou seus planos para fortalecer o palanque de Lula e tentar impulsionar a candidatura de seu secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como seu sucessor.

No Maranhão, o governador Carlos Brandão (sem partido) e seu vice Felipe Camarão (PT) travam uma acirrada disputa política e judicial, com ambos enfrentando pedidos de afastamento. A tendência é que estejam em palanques opostos, com o governador escolhendo seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), para a sucessão, enquanto Camarão poderá ser candidato ao governo ou apoiar Eduardo Braide (PSD), atual prefeito de São Luís. Wilson Lima (União Brasil-AM), Marcos Rocha (PSD-RO) e Vanderlei Barbosa (Republicanos-TO), todos em fim de mandato, também permanecem no cargo, enfrentando desafios com seus vices.

Quem Renunciou ao Cargo

Entre os governadores que optaram pela renúncia, o mineiro Romeu Zema (Novo) foi um dos primeiros a se descompatibilizar, passando o bastão para seu vice e pré-candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD). Zema busca viabilizar-se como candidato à Presidência, sendo inclusive cortejado para compor chapa como vice. A decisão de muitos gestores está atrelada às diretrizes da legislação eleitoral brasileira, que define prazos para descompatibilização e as condições de elegibilidade para diferentes cargos, conforme detalhado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Oito Governadores Desistem da Eleição e Permanecem no Cargo - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

Um dos nomes que buscam aliança com o governador mineiro é Ronaldo Caiado, de Goiás, que teve sua candidatura à Presidência confirmada em 30 de março pelo PSD, com um discurso alinhado à direita. Caiado mira o eleitorado conservador, concorrendo na mesma faixa do senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele formalizou sua saída do governo de Goiás em 31 de março, passando o comando para seu vice e pré-candidato à sucessão, Daniel Vilela (MDB).

Busca pelo Senado e Reeleição

Outros oito governadores seguirão o caminho mais tradicional para gestores estaduais em fim de mandato: concorrer ao Senado. Nomes como Helder Barbalho (MDB-PA) e João Azevêdo (PSB-PB), ambos aliados do presidente Lula, e Mauro Mendes (União Brasil-MT) e Gladson Cameli (PP-AC), que devem reforçar o palanque de Flávio Bolsonaro (PL), estão nessa lista. Cláudio Castro (PL) renunciou ao governo do Rio de Janeiro em 23 de março para disputar o Senado, mas enfrenta pendências judiciais. O ex-governador foi condenado pelo TSE por abuso de poder econômico e político, decisão que o tornou inelegível.

Nove governadores tentarão renovar seus mandatos em outubro. Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, que chegou a ser cotado como presidenciável, apoiará Flávio Bolsonaro e deverá reeditar a disputa de 2022 contra Fernando Haddad (PT). Três governadores petistas concorrerão a um novo mandato: Rafael Fonteles (PT), do Piauí, desfruta de um cenário mais confortável e caminha para uma reeleição tranquila. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reeditará o embate contra o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), em meio a turbulências em sua base aliada. No Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) enfrenta um cenário ainda mais complexo, com pesquisa Datafolha indicando que o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) lidera a disputa com 47% das intenções de voto contra 32% do petista. Para completar, Elmano permanecerá até as convenções sob a influência do ex-governador Camilo Santana (PT), que deixou o Ministério da Educação para manter-se elegível e pode substituir o atual governador na corrida.

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A decisão de diversos governadores de permanecer no cargo, renunciar ou buscar a reeleição ou uma vaga no Senado reflete a complexa teia de interesses e estratégias políticas que antecedem o pleito eleitoral. Fique por dentro de todas as análises e desdobramentos acompanhando a editoria de Política em nosso portal.

Crédito da Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress; Ronny Santos/Folhapress; Divulgação ANPr /Montagem

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