Na quarta-feira, 19 de fevereiro de 2026, uma greve na Argentina de proporções nacionais deflagrou uma série de impactos, notadamente nas operações aéreas da Latam, que se viu obrigada a alterar voos e rotas para pousos e decolagens no país. A paralisação, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), estende-se até a meia-noite de quinta-feira, 20 de fevereiro de 2026, e surge como um robusto protesto contra a reforma trabalhista recém-aprovada pelo Senado argentino. A Câmara dos Deputados inicia sua análise sobre o projeto na mesma data da deflagração da greve, adicionando uma camada de urgência e tensão ao cenário político e social do país.
O grupo Latam confirmou as alterações em suas operações após receber a notificação formal de adesão dos sindicatos que representam os colaboradores da Intercargo, empresa crucial para os serviços de rampa em todos os aeroportos argentinos. A companhia aérea ressaltou que, embora muitos voos pudessem sofrer apenas modificações de horário e/ou data, sem serem necessariamente cancelados, a verificação prévia do status do voo é fundamental. A recomendação expressa é para que todos os passageiros consultem as informações atualizadas antes de se dirigirem aos aeroportos, evitando transtornos desnecessários diante do cenário de instabilidade.
Greve na Argentina: Latam altera voos e reforma trabalhista avança
Para os viajantes que foram diretamente afetados por cancelamentos ou reprogramações, a Latam disponibilizou opções flexíveis. Os passageiros podem escolher entre alterar suas passagens sem custos adicionais para uma nova data, com validade de até um ano a partir da data original do voo, ou solicitar o reembolso integral do valor da reserva. Essas medidas visam mitigar os impactos da greve na Argentina sobre os planos de viagem de milhares de pessoas, oferecendo alternativas para quem teve seus itinerários comprometidos.
A reforma trabalhista, epicentro do descontentamento que gerou a greve na Argentina, propõe uma série de mudanças significativas no mercado de trabalho. Entre as principais alterações, destacam-se a flexibilização das férias e a possibilidade de jornadas de trabalho de até 12 horas. O governo argentino justifica essas propostas com o objetivo de reduzir custos trabalhistas, expandir a segurança jurídica para empresas, estimular a criação de empregos formais e diminuir os custos de demissão para os empregadores. Isso incluiria a exclusão de certos bônus da fórmula de compensação em casos de rescisão contratual. A expectativa governamental é que o texto seja aprovado até 1º de março, um prazo ambicioso que acentua a polarização do debate.
Contrariamente à visão governamental, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) denuncia que a reforma ameaça proteções trabalhistas historicamente estabelecidas, incluindo o fundamental direito à greve. Essa perspectiva é o motor das manifestações e paralisações que se espalham pelo país. A mobilização não se restringe apenas ao setor aéreo ou a serviços básicos.
Paralelamente à greve geral da CGT, o setor de exportação de grãos e derivados da Argentina já enfrentava paralisação desde a quarta-feira (19). Sindicatos marítimos, em um protesto de 48 horas contra a mesma reforma trabalhista, haviam interrompido atividades cruciais. Essa greve específica impactou a atracação e desatracação de navios, o transporte de práticos e outros serviços essenciais a embarcações, especialmente na área portuária de Rosário. Rosário é reconhecido como um dos maiores centros de exportação agrícola do mundo, o que amplifica o potencial impacto econômico dessas paralisações.
A Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf) articulou claramente a motivação de suas ações: “O objetivo é defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos”, conforme declaração da entidade. Essa posição sublinha a gravidade das tensões sociais e a determinação dos trabalhadores em resistir às propostas de alteração na legislação. A Argentina, que se destaca como a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja, sente o peso dessas interrupções em sua cadeia produtiva e comercial.
Reforçando a amplitude do movimento de protesto, o sindicato dos trabalhadores da indústria processadora de oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo também aderiu à greve na quarta-feira (19). San Lorenzo, localizado ao norte de Rosário, representa um polo agroexportador estratégico onde se concentra a maioria das usinas de processamento de soja do país. A participação de entidades tão diversas em uma paralisação conjunta demonstra a capilaridade do descontentamento com a reforma. O cenário de greve geral na Argentina, portanto, é multifacetado, abrangendo desde o transporte aéreo até setores vitais da economia agroexportadora. Para compreender melhor as nuances da reforma trabalhista que catalisou a greve na Argentina, é fundamental consultar análises especializadas, como as apresentadas pelo G1, que detalha o projeto aprovado pelo Senado e as contestações sindicais.
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A greve na Argentina de 19 e 20 de fevereiro de 2026, com suas extensas ramificações desde a aviação civil com a Latam até a crucial exportação de grãos, ilustra a intensa polarização social em torno da reforma trabalhista. O desfecho das discussões no Congresso argentino e a resposta do governo às demandas dos trabalhadores serão cruciais para o futuro do país. Mantenha-se informado sobre os desenvolvimentos políticos e econômicos que impactam a região e o Brasil. Para mais notícias e análises sobre o cenário político e econômico global, continue acompanhando nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil






