Honduras Elege Nasry Asfura Presidente: Apoio de Trump Decisivo

Economia

A política centro-americana testemunhou um desdobramento significativo com a eleição de Nasry Asfura como presidente de Honduras. O ex-prefeito de Tegucigalpa, um opositor conservador, garantiu a vitória no pleito com um apoio internacional de peso: o do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proclamação do resultado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) oficializou a nova guinada à direita do país, após um processo eleitoral marcado por intensas revisões e controvérsias.

O CNE declarou Asfura vencedor na última quarta-feira, dia 24, quase um mês após a realização da votação em 30 de novembro. Este longo período de apuração e o processo caótico de divulgação dos dados eleitorais provocaram uma onda de protestos em todo o país, além de diversas acusações de fraude. A lentidão na consolidação dos resultados alimentou a tensão e a polarização entre os eleitores e os partidos políticos envolvidos.

Com 99,2% das urnas apuradas, o órgão eleitoral hondurenho aprovou um relatório na noite da última terça-feira, dia 23, que culminou na decisão de proclamar o vencedor com os dados disponíveis até então. Essa medida pavimentou o caminho para a oficialização do resultado que consagrou

Honduras Elege Nasry Asfura Presidente: Apoio de Trump Decisivo

para o período que governará o país entre 2026 e 2030, conforme indicado pelos termos da eleição.

De acordo com os números oficiais divulgados pela autoridade eleitoral, Nasry Asfura, representando o Partido Nacional, obteve 40,3% dos votos. Sua vitória foi apertada, com uma margem de menos de um ponto percentual sobre o segundo colocado, o apresentador de televisão Salvador Nasralla, do Partido Liberal, que alcançou 39,5% dos votos. A governista Rixi Moncada, do partido Liberdade e Refundação, ficou em terceiro lugar na disputa. Outros candidatos que também concorreram neste pleito de turno único foram Nelson Ávila, do Partido de Inovação e Unidade Social-Democrata, e Mario Enrique Rivera Callejas, do Partido Democrata Cristão.

O Conselho Nacional Eleitoral de Honduras possui um prazo legal até 30 de dezembro para a proclamação formal do novo mandatário. Ainda pairava, no momento da decisão, a pendência de revisão de aproximadamente 600 atas que apresentavam inconsistências. A resolução que declarou Asfura vencedor, e que rejeitou várias impugnações apresentadas, foi aprovada por dois dos três conselheiros do órgão. A composição do CNE é marcada por disputas políticas internas, com o controle do órgão e do tribunal eleitoral dividido entre os três principais partidos do país.

A polarização interna dentro do CNE veio à tona com a declaração do conselheiro Marlon Ochoa, representante da esquerda governista. Ele se opôs à resolução, afirmando: “Não devo nem posso participar de um ato ilícito. Aqui se consumará um golpe de Estado eleitoral.” Ochoa alegou que ainda restavam 288 impugnações, nulidades e recursos a serem analisados e formalizou uma denúncia ao Ministério Público, questionando a legitimidade do processo. Salvador Nasralla, o segundo colocado, também manifestou sua insatisfação, recusando-se a aceitar o resultado sem que todas as urnas fossem apuradas e as atas com supostas irregularidades fossem devidamente revistas. “Não aceito a proclamação […]. Estão impedindo a contagem voto por voto”, declarou Nasralla em um vídeo disseminado em suas redes sociais, intensificando a controvérsia sobre a eleição presidencial de Honduras.

Paralelamente, uma comissão do Congresso hondurenho já havia expressado sua intenção de rejeitar os resultados eleitorais, fundamentando sua posição na alegação de um “golpe eleitoral” e acusando Donald Trump de interferência direta no pleito. No entanto, um relatório divulgado pela missão eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no país, em 15 de novembro, apontou a existência de atrasos e “falta de perícia” no processo, mas descartou a presença de indícios concretos de fraudes que pudessem comprometer a integridade da votação. Para entender melhor o cenário político e as tensões eleitorais em países da América Central, é fundamental consultar fontes confiáveis como a BBC News Brasil, que oferece análises aprofundadas sobre a região.

Nasry Asfura, de 67 anos, conhecido popularmente como “Tito”, concorreu à presidência pela segunda vez, buscando ascender ao palácio José Cecilio del Valle. Com raízes palestinas, ele possui um histórico político consolidado, tendo atuado como prefeito da capital hondurenha, Tegucigalpa, de 2014 a 2022. Seu período à frente da prefeitura foi marcado pela execução de importantes obras de infraestrutura na cidade, mas também foi acompanhado por acusações de desvio de fundos públicos. Em sua campanha para a presidência, Asfura adotou o lema “trabalho e mais trabalho” para a população, demonstrou admiração pelo programa econômico do argentino Javier Milei e revelou inspiração na política de segurança de linha-dura implementada por Nayib Bukele em El Salvador.

O apoio de Donald Trump a Nasry Asfura foi um fator de grande destaque na eleição para presidente de Honduras. A influência do ex-presidente americano não se limitou a manifestações públicas, estendendo-se a atos concretos que reverberaram na política hondurenha. Trump chegou a conceder indulto ao ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, um aliado de Asfura que havia sido condenado a 45 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de cocaína. Essa ação gerou críticas e levantou questões sobre a real motivação por trás do indulto.

Além disso, o ex-presidente Trump não hesitou em reforçar a ameaça de cortar a ajuda financeira dos EUA a Honduras caso Asfura não vencesse o pleito. Suas declarações públicas incluíram severas críticas à governista Rixi Moncada, a quem classificou de “comunista”, e a Salvador Nasralla, que foi rotulado como “quase comunista”. A intervenção direta de Trump na política local teve um peso considerável em um país que apresenta forte dependência econômica dos Estados Unidos e onde cerca de 60% da população vive abaixo da linha da pobreza. O resultado das urnas, que elegeu Nasry Asfura presidente de Honduras, pareceu reforçar a tendência da Casa Branca de apoiar líderes alinhados aos seus objetivos na América Latina, ao mesmo tempo em que penaliza aqueles que se desviam dessa rota.

A complexa questão dos imigrantes hondurenhos nos Estados Unidos também figurou como um ponto sensível nesse intrincado cenário geopolítico. Inicialmente, o governo hondurenho havia confrontado as políticas de Trump, ameaçando, inclusive, rever a presença de militares americanos em seu território caso o então presidente dos EUA insistisse na deportação de cidadãos do país. Posteriormente, Tegucigalpa acabou cedendo e ofereceu apoio aos deportados. Em uma entrevista concedida antes das eleições, o futuro presidente Nasry Asfura celebrou o apoio recebido de Trump, expressando a expectativa de que essa aproximação pudesse gerar “benefícios” tanto para os imigrantes hondurenhos quanto para a economia nacional. “Hoje estamos em um dia muito importante para Honduras, onde precisamos defender a democracia, a liberdade e viver em paz, que é o que cada um de nós deseja”, afirmou Asfura ao votar, sublinhando a importância do momento eleitoral.

A polarização política em Honduras se acentuou e consolidou após o golpe de Estado de 2009, que resultou na deposição do então presidente Manuel Zelaya, marido de Xiomara Castro. Esse evento histórico marcou profundamente o cenário político do país, criando clivagens ideológicas duradouras. Durante a recente campanha eleitoral, a intensidade dessa polarização ficou evidente: a candidata Moncada rotulava seus adversários de “oligarcas do golpe”, enquanto era, por sua vez, chamada de aliada “comunista” da Venezuela pelos oponentes. A campanha se notabilizou pelos ataques mútuos entre os candidatos, que, em muitos momentos, deixaram de lado as preocupações prementes da população hondurenha, como a pobreza endêmica e a crescente violência que aflige o país.

Ambos os lados da disputa eleitoral levantaram alertas sobre supostos planos de alterar os resultados da votação, contribuindo para um clima de desconfiança e instabilidade. Além de eleger o presidente de Honduras para o mandato de 2026 a 2030, os cidadãos hondurenhos também compareceram às urnas para escolher prefeitos, representantes para o Parlamento Centro-Americano e para renovar as 128 vagas de deputados no Congresso Nacional, que no país é unicameral, consolidando um extenso processo democrático.

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A eleição de Nasry Asfura como presidente de Honduras, com a notável intervenção de Donald Trump, configura um marco político com profundas ramificações para o futuro do país e para as relações com os Estados Unidos. As controvérsias em torno da apuração e os desafios de governabilidade em um cenário polarizado exigirão atenção constante. Para mais análises e notícias sobre política internacional, explore nossa seção de Política e fique atualizado sobre os desdobramentos globais. Continue acompanhando os desdobramentos da política internacional e as análises sobre eleições em nossa editoria para se manter bem informado.

Crédito da imagem: Leonel Estrada/Reuters