Judicialização Médica Cresce e Aumenta Busca por Seguros

Economia

A judicialização médica no Brasil tem mostrado uma tendência de crescimento contínuo, impulsionando profissionais e instituições de saúde a buscarem formas mais robustas de proteção jurídica e patrimonial. Esse cenário, que reflete a maior conscientização e acesso dos pacientes aos seus direitos, tem levado a uma elevação significativa na procura por seguros especializados que amparem a atividade profissional.

Dados recentes do setor indicam que o número de processos judiciais envolvendo médicos e demais profissionais de saúde tem se expandido. Tal realidade sublinha a necessidade de adoção de estratégias preventivas e de segurança por parte dos envolvidos na prestação de serviços de saúde, desde a comunicação com o paciente até a completa documentação dos procedimentos e atendimentos realizados.

Judicialização Médica Cresce e Aumenta Busca por Seguros

No país, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que existem mais de 520 mil processos judiciais relacionados à área da saúde, um volume que abrange tanto o sistema público quanto o setor suplementar. Dentro desse montante, há um crescimento notável nas ações direcionadas a médicos, clínicas e hospitais. Um levantamento conduzido pela Academia Médica revela que, em média, cerca de 70 novas ações são ajuizadas diariamente contra médicos em território nacional.

Principais Causas e Especialidades Afetadas

Entre os motivos mais frequentes que dão origem a essas ações de judicialização médica estão os erros de diagnóstico, as falhas na comunicação entre profissional e paciente, e a insatisfação com os resultados dos tratamentos. As especialidades que mais figuram nesses litígios, conforme a Academia Médica, são ginecologia e obstetrícia, cirurgia plástica, ortopedia e anestesiologia. Este panorama exige uma atenção redobrada e a implementação de medidas que mitiguem os riscos inerentes à prática médica.

Renê Lima, especialista técnico da Medical Seguro, empresa focada em gestão de riscos e responsabilidade civil profissional, destaca que a escalada nas demandas judiciais tem estimulado médicos e outros profissionais da saúde a adotarem abordagens preventivas. Isso inclui uma comunicação mais clara e transparente com os pacientes e um registro minucioso de todos os atendimentos. Lima enfatiza que muitas das ações judiciais derivam de falhas na comunicação, e não necessariamente de um erro técnico em si.

O Papel do Seguro de Responsabilidade Civil Profissional

“Na grande maioria dos casos, a raiz da ação judicial reside na comunicação falha entre o profissional e o paciente, e não obrigatoriamente em um erro técnico”, explica o especialista. Ele reforça a importância do seguro de responsabilidade civil profissional como uma ferramenta preventiva essencial. “Mais do que um custo, ele configura uma salvaguarda tangível para a carreira, a reputação e o patrimônio do médico”, complementa Lima.

Este tipo de apólice oferece uma cobertura abrangente, que inclui os custos com defesa jurídica, eventuais indenizações civis, acordos tanto judiciais quanto extrajudiciais, e reparação por danos morais que possam surgir da atividade médica. Ele funciona, na prática, como uma rede de proteção que resguarda o profissional e seu capital em situações de alegações de erro ou dano. As condições de cada seguradora definem o alcance das apólices, que podem englobar honorários advocatícios, despesas periciais e até mesmo a retroatividade para fatos ocorridos antes da contratação do seguro.

A Importância da Comunicação e Documentação

O especialista da Medical Seguro reitera que, com a facilidade de acesso à informação e ao Judiciário pelos pacientes, aumenta proporcionalmente a responsabilidade dos profissionais da saúde em manter uma documentação adequada e uma comunicação transparente. Medidas preventivas, como a elaboração de prontuários detalhados e o esclarecimento aprofundado sobre riscos e benefícios dos tratamentos, são consideradas cruciais para a minimização de conflitos.

A crescente onda de judicialização da saúde, amplamente diagnosticada em estudos recentes, incluindo aqueles elaborados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), impulsiona um debate aprofundado sobre a implementação de políticas eficazes de prevenção de litígios e a busca por mecanismos de proteção profissional. Nesse cenário, o Seguro de Responsabilidade Civil Profissional (RC Profissional) é reconhecido na literatura jurídica como um instrumento vital para a gestão de riscos e a salvaguarda patrimonial de médicos e outros agentes da saúde, conferindo-lhes maior segurança e amparo legal para o exercício de suas atividades.

A tendência de expansão das ações judiciais no setor da saúde também está atrelada à necessidade de políticas públicas que visem à segurança jurídica e à otimização do uso do Judiciário nessa área, além da melhoria contínua da comunicação entre médicos e pacientes. Análises sobre erro médico e a atuação judicial, como a realizada em um periódico da Fiocruz (“O erro médico sob o olhar do Judiciário”), evidenciam que falhas de informação e de relacionamento clínico são fatores primordiais que contribuem para a abertura de litígios, reforçando a centralidade da comunicação na prevenção de desavenças.

O aumento da judicialização médica no Brasil é uma realidade que exige dos profissionais de saúde uma postura proativa na gestão de riscos e na busca por proteção. O seguro de responsabilidade civil profissional emerge como um escudo indispensável, garantindo tranquilidade e segurança em um ambiente cada vez mais complexo. Para aprofundar-se sobre o tema e conhecer mais sobre a gestão de riscos, é recomendável buscar informações adicionais em fontes especializadas.

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Crédito da imagem: Conteúdo de Marca