O desempenho das ações da Klabin (KLBN11), gigante brasileira do setor de papel e celulose, tem gerado debates no mercado financeiro. Nos últimos doze meses, os papéis da companhia registraram uma desvalorização de cerca de 9%, com um recuo de 3,18% apenas no mês corrente, sendo negociados a R$ 17,80 no fechamento desta quinta-feira (23). Esse cenário de queda não é casual, e especialistas apontam que movimentos internos recentes da própria empresa contribuem para explicar o fôlego reduzido, levantando questionamentos entre investidores sobre a viabilidade de apostar na companhia neste momento.
Apesar da pressão observada sobre as ações, a Klabin mantém sua reputação como uma das empresas mais diversificadas dentro do seu segmento, conforme avaliam analistas. Sua atuação abrange três vertentes principais: celulose, papéis e embalagens, o que lhe confere uma resiliência importante para absorver as flutuações de preços, especialmente as da celulose, que são notoriamente voláteis no cenário global. Em setembro, a empresa fortaleceu sua posição de caixa por meio de uma operação estratégica de arrendamento de terras nos estados do Paraná e Santa Catarina. Essa negociação, que envolveu a disponibilização de 30 mil hectares de terras produtivas, resultou em um aporte financeiro de R$ 600 milhões, provido por um investidor institucional, garantindo maior estabilidade em um setor que lida com custos elevados e margens apertadas.
Klabin (KLBN11): Vale a pena investir nas ações da gigante?
Mesmo diante de desafios como o aumento nos custos logísticos e a desaceleração da demanda internacional, a Klabin demonstrou margens superiores às expectativas do mercado. Esse resultado foi impulsionado pelo reajuste de preços nos segmentos de papéis e embalagens, além da desvalorização do real em relação ao dólar, que beneficiou as exportações da companhia. No segundo trimestre deste ano (2T25), a empresa reportou um lucro líquido de R$ 585 milhões, representando um crescimento de 86% na comparação com o mesmo período de 2024. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 2,041 bilhões, uma leve queda de 1% em relação ao ano anterior, com margem de 39%, dois pontos percentuais abaixo do registrado previamente. A receita líquida totalizou R$ 5,247 bilhões, evidenciando um avanço de 6%, diretamente ligado ao aumento dos preços em seus produtos de papel e embalagens.
Contudo, analistas também ressaltam pontos de preocupação. Um dos principais focos de atenção recai sobre o nível de endividamento da Klabin. Ao final de 2024, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado atingiu aproximadamente 3,9 vezes, um patamar que se aproxima do limite interno estabelecido pela própria companhia. Adicionalmente, uma valorização do real frente ao dólar representa um fator desfavorável, pois impacta negativamente a competitividade das exportações e intensifica a pressão sobre as margens em um setor já caracterizado por preços estagnados e rentabilidade desafiadora.
Gustavo Moreira, planejador financeiro e especialista em investimentos, expressa uma visão mista sobre a Klabin. “Eu valorizo os caminhos de crescimento e a eficiência operacional da Klabin, mas a exposição internacional e os custos me preocupam”, comenta. Ele aconselha que investidores considerem esses fatores críticos antes de tomar uma decisão de investimento mais arrojada na empresa.
O terceiro trimestre deste ano (3T25) é aguardado com expectativa, pois deverá fornecer indícios mais claros sobre a habilidade da Klabin em balancear crescimento e eficiência. Angelo Belitardo, diretor de gestão da Hike Capital, projeta que a empresa divulgará seus resultados em 4 de novembro, e a expectativa é de um desempenho mais robusto em comparação com concorrentes que dependem exclusivamente da produção de celulose. A estimativa para o Ebitda neste trimestre é de cerca de R$ 2 bilhões, o que representaria uma redução de aproximadamente 2% em relação ao trimestre anterior, mas um avanço de 11% se comparado ao mesmo período de 2024. A margem Ebitda esperada é de cerca de 37%, ligeiramente abaixo dos 38,9% registrados no trimestre anterior.
A projeção de Belitardo sugere que o segmento de papéis e embalagens será o principal motor de resultados, com volumes e preços mais favoráveis, ajudando a compensar a queda nos preços e volumes da celulose. No entanto, o cenário geral continua complexo, com preços de celulose sob pressão, um câmbio desfavorável e desafios contínuos nos custos de insumos e madeira. A Genial Investimentos, por sua vez, prevê um crescimento de 16,8% no Ebitda da divisão de papel e embalagem em relação ao trimestre anterior. Esse avanço seria sustentado pelo aumento de volumes em papel cartão e caixas de papel ondulado, impulsionado pela sazonalidade e pela performance robusta das exportações de frutas e proteínas. Em contrapartida, a divisão de celulose deve exercer pressão negativa devido à significativa desvalorização dos preços das fibras. A receita líquida total da Klabin para o 3T25 deve girar em torno de R$ 5,2 bilhões, praticamente estável na comparação sequencial, pois a retração na celulose tende a neutralizar o progresso das divisões de papel e embalagem.
Para Gustavo Moreira, o resultado do trimestre será diretamente proporcional à capacidade da Klabin de ampliar a produção de celulose e aprimorar sua eficiência operacional. Ele destaca que a empresa já manifestou a intenção de superar os volumes de 2024, e caso essa meta seja alcançada, uma leve melhora nas margens é possível, embora sem expectativa de uma alta extraordinária. “Meu palpite é um 3T25 consistente, com melhor execução. Se o mercado assimilar essa melhoria, há espaço para a ação reagir”, afirma Moreira.
Investidores interessados na Klabin devem monitorar três riscos principais antes de tomar qualquer decisão sobre as ações KLBN11, segundo especialistas. O primeiro envolve uma possível desaceleração na demanda global por embalagens premium ou celulose, ou um evento externo imprevisto, como uma recessão em um país comprador chave, o que poderia impactar preços e volumes, comprimindo as margens. O segundo risco está ligado aos custos de matérias-primas, logística e flutuações cambiais. Uma valorização do real, por exemplo, ou um aumento nos custos operacionais, poderia afetar as operações internacionais da empresa, fortemente dependentes das exportações. Por fim, o terceiro ponto de atenção é o perfil de dívida elevado da companhia e seus investimentos de grande porte. Se esses projetos não apresentarem o retorno esperado ou se uma parcela significativa do caixa for destinada à amortização de dívidas, o retorno aos acionistas pode ser comprometido, assim como a capacidade de crescimento agressivo da Klabin no futuro. Para uma análise mais aprofundada sobre o mercado e seus impactos, consultar reportagens financeiras confiáveis é fundamental.
A Hike Capital, apesar de reconhecer algumas vantagens estruturais da Klabin, avalia que os riscos inerentes ao setor tornam o investimento pouco atrativo no curto e médio prazo, recomendando a venda das ações. Embora alguns analistas projetem um preço-alvo entre R$ 4,98 e R$ 5,50, a recuperação pode demorar. Angelo Belitardo reforça que o setor enfrenta excesso de capacidade global, demanda mais fraca e margens comprimidas. Ele alerta que uma queda no Ebitda poderia levar a relação dívida líquida/Ebitda a patamares insustentáveis, afetando o rating de crédito da empresa e o custo de capital. Portanto, a orientação é aguardar por sinais claros de melhora nas margens e redução da alavancagem antes de considerar abrir ou aumentar posições. Em contraste, a Genial Investimentos mantém uma recomendação de compra para KLBN11, com um preço-alvo de R$ 23,50 para os próximos 12 meses, indicando um potencial de valorização de 35,4%. O Santander, por sua vez, sustenta a recomendação ‘outperform’, que prevê um desempenho acima da média do mercado. Em agosto, com as ações a R$ 18,35, o banco projetava um preço-alvo de R$ 33, conforme relatório enviado ao mercado.
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A Klabin se apresenta como um caso complexo no mercado de ações, com pontos fortes de diversificação e gestão, mas também desafios consideráveis de endividamento e cenário macroeconômico. A divergência entre as recomendações de grandes casas de análise reflete essa complexidade. Para se manter atualizado sobre o cenário econômico e as perspectivas de investimento, continue acompanhando as análises e notícias em nossa editoria de Economia.
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