A Ministra Luciana Santos, à frente da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), enfatizou a importância de impulsionar a participação feminina em áreas cruciais do conhecimento. Em recente entrevista ao programa “Bom Dia, Ministra”, ocorrida nesta quarta-feira, 11 de março, a ministra ressaltou que a visibilidade de mulheres em carreiras científicas é um fator primordial para inspirar futuras gerações. Ela destacou a necessidade premente de intensificar políticas que promovam o empoderamento de meninas e mulheres no universo da ciência e da tecnologia.
Apesar dos inegáveis avanços no acesso das mulheres ao ensino superior no Brasil, a ministra apontou para a persistência de obstáculos estruturais que dificultam a permanência e a ascensão feminina no ambiente científico. Estas barreiras são especialmente notáveis em campos tradicionalmente dominados por homens, como engenharia e ciências exatas. A disparidade salarial também foi um ponto crucial de sua fala, revelando que, na ciência, a diferença de remuneração para funções equivalentes é ainda mais acentuada do que a média nacional em outras profissões.
Luciana Santos: Visibilidade Impulsiona Mulheres na Ciência
Conforme dados apresentados pela ministra Luciana Santos, enquanto a média da desigualdade salarial no país é de 27%, no setor científico e em ramos da engenharia e ciências exatas, essa diferença pode atingir 36,7% a menos para as mulheres. Diante deste cenário, o MCTI lançou a Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação. Esta política visa articular e consolidar diversas ações e programas com o objetivo de promover a equidade de oportunidades, assegurar condições de permanência na carreira e fomentar a presença feminina em campos estratégicos de pesquisa e inovação.
A iniciativa do MCTI busca estabelecer a equidade de gênero, raça, classe social e diversidade como um pilar estruturante e transversal de todas as políticas do ministério. A ministra reiterou que, ao fortalecer a participação das mulheres e dar-lhes a devida visibilidade, o país cria um ambiente propício para que mais meninas se sintam encorajadas a seguir trilhas no mundo científico. “Estimulamos e fortalecemos a participação das mulheres e damos visibilidade, porque, às vezes, a visibilidade é que inspira as meninas a percorrerem essas carreiras científicas”, pontuou Luciana Santos.
Inclusão e Fortalecimento de Trajetórias
Como parte da agenda de intensificação do empoderamento feminino na ciência, o MCTI tem implementado diversas outras ações. Entre elas, destaca-se o edital de mestrado-sanduíche no exterior, exclusivo para mulheres negras, indígenas e quilombolas, batizado de “Atlânticas – Beatriz Nascimento”. Este programa já garantiu 90 bolsas, permitindo que pesquisadoras com este perfil realizem estudos e se especializem em instituições fora do Brasil. Adicionalmente, o MCTI está preparando uma nova chamada pública, direcionada ao apoio financeiro e ao fortalecimento das carreiras acadêmicas para este mesmo público.
Outra iniciativa relevante é o programa “Futuras Cientistas”, focado em alunas do ensino médio. Este programa oferece a elas a oportunidade de vivenciar experiências em laboratórios, estimulando o interesse pelas áreas de ciência e tecnologia. Os resultados são animadores: aproximadamente 80% das participantes são aprovadas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e 70% delas optam por seguir carreiras nessas áreas. Luciana Santos também mencionou alterações nas diretrizes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para considerar o impacto da maternidade na trajetória profissional das cientistas, além de incentivar a participação feminina em microeletrônica e empreendedorismo.
Investimentos Estratégicos e Infraestrutura de Ponta
A entrevista também abordou os investimentos significativos nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação. A ministra explicou que o Governo do Brasil tem priorizado grandes infraestruturas científicas, visando fortalecer a pesquisa nacional, atrair talentos e aumentar a capacidade do país de responder a desafios globais. Tais investimentos são cruciais para o desenvolvimento e a soberania tecnológica do Brasil, como detalhado no site oficial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Entre os projetos de destaque estão a expansão do acelerador de partículas Sirius, considerado de última geração, e a construção do Laboratório Orion (NB4), que permitirá o estudo de vírus altamente perigosos e a antecipação de futuras pandemias. Este laboratório está inserido no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e, ao ser ativado, representará um marco, colocando o Brasil em um patamar único globalmente. Será a única infraestrutura de pesquisa a combinar luz síncrotron com um laboratório de contenção biológica máxima, antecipando-se a epidemias cada vez mais frequentes, conforme ressaltado pela ministra.
No período entre 2023 e 2025, os recursos alocados para o setor atingiram a cifra de R$ 49,3 bilhões, um valor que praticamente dobra os R$ 26,3 bilhões investidos entre 2019 e 2022. Estes investimentos substanciais visam fortalecer programas estratégicos, aprimorar a infraestrutura científica e impulsionar a inovação tecnológica em todo o país.
Prevenção de Desastres e Repatriação de Talentos
Ao abordar o monitoramento de desastres naturais, a ministra Luciana Santos detalhou o trabalho conjunto de órgãos de pesquisa ligados ao ministério, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN). Essas instituições são responsáveis por gerar dados e alertas antecipados, que são fundamentais para orientar as ações da Defesa Civil. O trabalho inclui uma vertente educacional para a prevenção e a disponibilização de dados online para a Defesa Civil, tanto nacional quanto em níveis estaduais e municipais, permitindo antecipação de fenômenos climáticos com até 72 horas de antecedência.
A abrangência do monitoramento também foi ampliada, passando de 1.133 para 1.942 municípios atendidos, cobrindo atualmente cerca de 73% da população brasileira. Outro ponto crucial destacado pela ministra foi a estratégia de atração e retenção de talentos científicos. Luciana Santos enfatizou que a disponibilidade de infraestrutura de pesquisa de ponta é essencial para atrair pesquisadores brasileiros que atuam no exterior. O programa de repatriação de talentos, financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), já resultou na volta de aproximadamente 2,5 mil pesquisadores ao Brasil, um sucesso inédito que demonstra a capacidade do país de reter e atrair mentes brilhantes de instituições de renome mundial como Oxford e Cambridge.
Impacto na População e Popularização da Ciência
Os investimentos em ciência e tecnologia, conforme a ministra, geram impactos diretos e positivos no cotidiano da população, especialmente na área da saúde. Como exemplos concretos, ela citou o desenvolvimento de vacinas 100% brasileiras contra a Covid-19 e a dengue, além de iniciativas para a produção nacional de equipamentos e medicamentos. Esses esforços são vitais para a autonomia do país, protegendo o povo brasileiro de qualquer dependência externa, um ponto cada vez mais relevante no atual cenário geopolítico.
A popularização da ciência também foi um tema central. O MCTI desenvolve iniciativas dentro do programa Pop Ciência, que inclui olimpíadas e feiras científicas, bem como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). O objetivo é tornar a ciência mais acessível e combater o negacionismo, reafirmando que a ciência não é algo distante, mas sim um campo palpável e incentivado desde as primeiras fases da educação, através da prática e da experimentação.
Participaram da edição do “Bom Dia, Ministra” desta quarta-feira veículos de comunicação de diversas regiões do país, incluindo a Rádio TMC (Recife/PE), Rádio Oceano FM (Rio Grande/RS), Portal A Cidade ON (Campinas/SP), Portal Mundo Bahia (Salvador/BA), Grupo Norte de Comunicação (Manaus/AM), Rádio Mais FM (São Luís/MA) e Portal Folha do Bico (Araguatins/TO).
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Em suma, a Ministra Luciana Santos reitera o compromisso do MCTI em fortalecer a ciência e tecnologia no Brasil, com um foco especial no empoderamento e na visibilidade de mulheres nessas áreas. Com investimentos recordes, programas de inclusão e infraestruturas de ponta, o governo busca não apenas impulsionar a pesquisa, mas também garantir que os benefícios cheguem à população, protegendo-a e inspirando novas gerações de cientistas. Continue explorando as novidades em Política e outras áreas do conhecimento em nosso portal.
Crédito da imagem: Diego Campos / Secom-PR






