A recente e acentuada discussão sobre os efeitos da má governança corporativa no Brasil tem ganhado notoriedade, impulsionada por eventos que expuseram sérias fragilidades em grandes corporações. O economista Paulo Narcélio Simões Amaral se aprofunda nesta questão, analisando o que ele descreve como o “custo invisível” de uma gestão deficiente e como isso reverbera diretamente sobre a manutenção de empregos, a disponibilidade de crédito e o fluxo de investimentos no país.
A complexidade e a importância da governança corporativa ascenderam ao centro do debate público e econômico brasileiro. Casos emblemáticos, como as inconsistências bilionárias nos balanços da Americanas, funcionaram como um catalisador para a reavaliação crítica dos mecanismos de controle e transparência nas corporações. Tais incidentes sublinham os riscos sistêmicos inerentes a uma administração que falha em cumprir padrões de boa governança, com ecos reverberando por todo o mercado financeiro.
Má Governança: Paulo Narcélio Detalha Impactos em Empregos
Este cenário de desconfiança e instabilidade, frequentemente gerado pela fragilidade nas estruturas de controle, impacta diretamente a capacidade das empresas de prosperar e, consequentemente, afeta o bem-estar social. A análise de Paulo Narcélio Amaral, portanto, torna-se essencial para compreender como a gestão empresarial pode minar as bases da economia.
O caso específico da Americanas ilustra vividamente como a carência em controle, transparência e supervisão interna desencadeia uma cascata de efeitos negativos. Fornecedores, instituições bancárias e um vasto número de trabalhadores são diretamente afetados, evidenciando que as consequências de uma governança deficiente transcendem o âmbito interno da organização para impactar a confiança de todo o mercado. Esse ambiente de incerteza eleva o custo do capital e diminui a disposição de investidores estrangeiros e nacionais em alocar recursos no país, um reflexo direto da má governança.
Segundo o economista Paulo Narcélio, crises dessa natureza são um reflexo direto de uma administração excessivamente focada no curto prazo, que negligencia indicadores consistentes de risco e sustentabilidade financeira. “A ausência de métricas estratégicas e de processos robustos de governança faz com que a empresa só perceba a deterioração quando o problema já se tornou estrutural e de difícil reversão”, pontua Amaral, destacando a importância de uma visão de longo prazo para evitar que a má governança se estabeleça.
A valorização da governança corporativa ressoou também entre as entidades representativas do mercado. O presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) reforçou que, em resposta aos recentes escândalos, a tendência é por uma fiscalização mais rigorosa das práticas de governança. Este endurecimento visa, primariamente, atenuar a exposição a riscos ocultos, consolidando a ideia de que transparência, controle interno e a prestação de contas não são meros adornos reputacionais, mas pilares fundamentais para o acesso a financiamento e para a manutenção da credibilidade junto aos investidores, mitigando os efeitos da má governança.
Estudos conduzidos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) corroboram a tese de que a governança corporativa assume um papel crucial na prevenção e gestão de crises. Empresas dotadas de conselhos administrativos independentes, sistemas de auditoria eficientes e indicadores de desempenho bem definidos demonstram maior agilidade na reação a choques econômicos. Isso evita rupturas abruptas que podem comprometer a manutenção de empregos e a liquidez financeira.
Para Paulo Narcélio, o verdadeiro “custo invisível da má governança” se manifesta justamente nessa incapacidade de antecipar e reagir rapidamente. “Quando a empresa não monitora adequadamente seus riscos, ela retarda decisões estratégicas vitais e, consequentemente, amplifica o impacto social e econômico da crise sobre a sociedade”, explica. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais brasileiro, constantemente reforça a importância de práticas de governança robustas para a saúde do sistema financeiro, como detalhado em suas diretrizes sobre o tema.
O economista ainda enfatiza a influência direta que a má governança exerce sobre o mercado de crédito. Instituições financeiras, ao identificar fragilidades nos controles internos de uma empresa, tendem a impor garantias mais elevadas e a reduzir os prazos de pagamento. Este encarecimento do crédito restringe os investimentos produtivos, diminui a capacidade de expansão empresarial e, em muitos casos, acelera processos de recuperação judicial ou até mesmo de falência, tudo em decorrência da má governança.

Imagem: Divulgação via valor.globo.com
“O efeito cascata recai de forma inexorável sobre o nível de emprego e sobre a própria dinâmica econômica do país, pois menos investimento se traduz em menor geração de renda, menor inovação e uma arrecadação tributária mais reduzida”, analisa Amaral. Ele sugere que a governança corporativa deve ser encarada não como uma mera formalidade, mas sim como um ativo estratégico indispensável para mitigar os riscos da má governança.
A implementação de indicadores financeiros e operacionais integrados, a adoção de políticas de compliance transparentes e a promoção de uma cultura organizacional focada na ética e na transparência são apresentadas como medidas essenciais para mitigar riscos e preservar o valor da companhia no longo prazo. Paulo Narcélio Simões Amaral defende que investir em governança é, em sua essência, um investimento na longevidade e na sustentabilidade do próprio negócio, evitando os malefícios da má governança.
“Uma boa governança, embora não consiga eliminar todas as crises inerentes ao ambiente de negócios, é um instrumento poderoso que permite identificá-las em estágios iniciais e enfrentá-las com um custo econômico e social significativamente menor para a empresa e para a sociedade como um todo”, conclui o especialista.
Paulo Narcélio Simões Amaral é um renomado economista, graduado pela UERJ, com sólida formação que inclui MBA em Finanças e especializações de alto nível em instituições como INSEAD e Wharton. Com uma carreira que abrange mais de três décadas, ele acumulou vasta experiência atuando como CEO e CFO em setores diversificados como telecomunicações, mídia, tecnologia e energia. Sua expertise atual foca em reestruturação empresarial, gestão estratégica de investimentos e consultoria especializada em tecnologia e logística portuária.
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Em síntese, a análise de Paulo Narcélio Simões Amaral sobre o custo invisível da má governança ressalta a urgência de fortalecer as estruturas de controle e transparência nas empresas brasileiras. Compreender e combater os impactos da má governança é crucial para a saúde econômica e social do país. Para aprofundar-se em outros temas relevantes para o cenário econômico e corporativo, convidamos você a explorar mais artigos em nossa editoria de Análises.
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