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Marquise Praça Patriarca: Gestão Nunes Opta por Gradis Retráteis

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A Marquise Praça do Patriarca, um dos ícones arquitetônicos do centro histórico de São Paulo, terá seu projeto de intervenção alterado pela Prefeitura. Após uma série de críticas e divergências, inclusive de órgãos de proteção ao patrimônio cultural, a administração municipal, sob a gestão Ricardo Nunes (MDB), decidiu abandonar a ideia inicial de fechamento da estrutura com vidro. A nova proposta agora contempla a instalação de gradis retráteis na área abaixo da marquise, que foi projetada pelo renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

Os detalhes do modelo dos gradis retráteis serão pormenorizados na fase final do desenvolvimento do projeto executivo. Esta etapa será responsabilidade da empresa ou do consórcio vencedor da licitação, cujo resultado está previsto para ser anunciado em 13 de abril. A escolha por um sistema retrátil havia sido previamente sugerida em uma reunião do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), realizada em novembro. O conselho avaliou que essa alternativa teria um impacto visual reduzido na marquise e, ao mesmo tempo, permitiria o fechamento intermitente do acesso à Galeria Prestes Maia, via que conecta a praça ao Vale do Anhangabaú, conforme a defesa da prefeitura.

Marquise Praça Patriarca: Gestão Nunes Opta por Gradis Retráteis

Em comunicado oficial, a gestão Nunes afirmou que a modificação na proposta para a Marquise Praça do Patriarca e seu entorno foi uma resposta direta às solicitações de diversas entidades de preservação do patrimônio cultural. O objetivo principal, segundo a prefeitura, é minimizar qualquer interferência na integridade e na visualização da marquise. A administração municipal justificou a mudança indicando que ela “visa qualificar seu uso como acesso de pedestres ao Vale do Anhangabaú, além de contribuir para a preservação do espaço”. As características finais da intervenção ainda serão submetidas à aprovação dos órgãos competentes.

A licitação em questão não se restringe apenas à marquise. Ela abrange uma série de outras intervenções significativas na Praça do Patriarca, no Viaduto do Chá e nas áreas adjacentes ao Theatro Municipal. O custo total estimado para todas essas obras é de R$ 75,4 milhões, com a previsão de que os trabalhos sejam concluídos em um período de dois anos. As intervenções têm previsão de início em agosto.

Principais Intervenções no Centro de São Paulo

O pacote de obras detalha uma vasta gama de ações que visam revitalizar e modernizar o centro histórico. Entre as principais intervenções listadas, destacam-se a recuperação estrutural e o restauro do histórico Viaduto do Chá, um marco da cidade. Além disso, haverá a substituição de parte do calçamento de pedra portuguesa por granito, uma medida que gerou debates e críticas por parte de alguns setores da sociedade e especialistas em patrimônio.

Outros pontos relevantes do projeto incluem a instalação de um bonde histórico, que será transformado em um centro de informações turísticas. A estátua de José Bonifácio, obra do artista Alfredo Ceschiati, será deslocada para o centro da praça, uma alteração que também suscitou controvérsias. Uma base da Guarda Civil Metropolitana será instalada próximo ao Theatro Municipal, e três bancas de revistas serão transferidas para áreas vizinhas. O projeto também prevê o restauro da marquise e de parte do piso português da praça e do Municipal, a implantação de recuos para embarque e desembarque de veículos, a instalação de novos totens informativos, inspirados nos da Avenida Paulista, e a execução de obras de drenagem essenciais para a região.

Controvérsias e Críticas ao Projeto

Apesar da alteração no projeto da marquise, que agora prevê gradis retráteis, nem todas as críticas foram sanadas. Uma das modificações mais questionadas é o reposicionamento da estátua de José Bonifácio para o centro da Praça do Patriarca. Pedro Mendes da Rocha, filho do arquiteto responsável pela marquise, manifestou sua oposição veemente em uma carta enviada à prefeitura. Ele critica especialmente a mudança da estátua e a atual presença de viaturas e veículos públicos sob a cobertura da marquise.

O arquiteto Pedro Mendes da Rocha classificou a proposta como um “equívoco” e uma “mutilação” do projeto original de seu pai, Paulo Mendes da Rocha, que foi agraciado com prêmios de prestígio como o Pritzker, considerado o “Nobel da Arquitetura”, e o Leão de Ouro da Bienal de Veneza. Ele chegou a comparar a situação a “colocar a ‘Mona Lisa’ de ponta-cabeça”. Pedro explicou que o projeto original de seu pai concebia a distribuição dos elementos da praça de forma que a marquise pairasse sobre ela como uma cobertura suspensa. Para ele, o restauro e a manutenção da praça em sua concepção original seriam uma homenagem adequada a um dos maiores nomes da arquitetura brasileira. A ideia de centralizar a estátua é vista por ele como “paroquial”, defendendo que “o mais moderno é deixar o centro vazio, de uso da população”. Sobre o gradil retrátil, ele ressalta a falta de detalhes, mas reconhece que pode ser uma alternativa viável se seguir os moldes sugeridos pelo Condephaat, órgão de preservação cultural do Estado de São Paulo, cujas ações podem ser acompanhadas em seu site oficial, Condephaat.

A gestão Nunes, por sua vez, informou que o novo posicionamento da estátua teria sido sugerido por órgãos de preservação do patrimônio, com o intuito de “resgatar sua configuração histórica”. Contudo, essa mudança foi alvo de críticas por parte de alguns conselheiros, conforme registrado em atas publicadas no Diário Oficial.

Marquise Praça Patriarca: Gestão Nunes Opta por Gradis Retráteis - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

Mudanças no Mosaico Português e Outras Intervenções

A obra prevê também a substituição da maior parte do piso de pedra portuguesa do Viaduto do Chá, incluindo a área em frente à sede da prefeitura e ao Shopping Light, bem como parte do ladrilho hidráulico da Praça Ramos de Azevedo. Um laudo técnico apontou diversas anomalias, como fissuras, lacunas, trincas e desnivelamentos no piso atual. O edital exige a utilização de granito “capão bonito” e “andorinha”, cujas cores remetem aos tons avermelhados e cinzentos presentes hoje. O piso original será preservado e restaurado em pontos específicos do entorno do Theatro Municipal e da Praça do Patriarca. Esta decisão, contudo, também gerou controvérsias por alterar uma característica presente há décadas na paisagem urbana.

Outro ponto que provocou reclamações foi o deslocamento de algumas bancas de revistas, com permissionários alegando desconhecer o projeto até poucos meses antes. A prefeitura respondeu que o granito, além de reduzir a carga sobre a estrutura, facilitará a manutenção, e que a mudança foi aprovada pelos órgãos de patrimônio. A administração também assegurou que os permissionários das bancas foram devidamente comunicados da transferência e que o projeto foi apresentado ao sindicato da categoria.

Bonde Histórico e Revitalização do Viaduto

O edital contempla a aquisição e a transformação de um bonde elétrico desativado em um centro de atendimento ao turista, que ficará localizado em frente ao Shopping Light. O custo estimado para essa intervenção é de aproximadamente R$ 2 milhões. A presença do veículo visa evocar a linha que percorria o viaduto na primeira metade do século XX. Curiosamente, o edifício que hoje abriga o shopping foi a sede da The São Paulo Tramway, Light and Power, a companhia responsável pela implantação desse sistema de transporte na cidade em 1900.

A revitalização do Viaduto do Chá faz parte do programa municipal de recuperação de pontes e viadutos. Assim como a obra realizada no Viaduto Santa Ifigênia em 2024, esta iniciativa também inclui intervenções de restauro. Um laudo técnico contratado pela prefeitura em 2022 identificou uma série de anomalias no Viaduto do Chá, tais como fissuras, infiltrações, exposição de armadura estrutural, colônias biológicas e vegetação parasitária. A expectativa é que as obras resolvam também as infiltrações em espaços subterrâneos da região, como o Shopping Light e as Galerias Prestes Maia e Formosa. Adicionalmente, o projeto inclui a criação de acessos permanentes para facilitar o monitoramento e a manutenção da estrutura. Diante do fato de que o viaduto atual foi construído em 1938 e há poucas informações sobre o projeto original, a falta de acessos adequados tem dificultado o acompanhamento de sua condição.

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Em suma, a alteração no projeto da Marquise da Praça do Patriarca para gradis retráteis simboliza uma resposta da gestão Nunes às demandas de preservação, inserindo-se em um plano mais amplo de revitalização do centro de São Paulo. As obras, que somam R$ 75,4 milhões, prometem transformar marcos históricos como o Viaduto do Chá, o Theatro Municipal e a Praça do Patriarca, buscando equilibrar a modernização com a conservação do patrimônio. Para se manter atualizado sobre as principais notícias e análises da capital paulista e de outras regiões do Brasil, continue acompanhando nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Bruno Santos – 10.mai.22/Folhapress

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