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Mercado de Ações Trump: O Início Mais Fraco em 20 Anos

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O desempenho do mercado de ações no primeiro ano do segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca revelou-se o mais modesto entre todos os inícios de novos períodos presidenciais desde 2005, quando George W. Bush inaugurou sua segunda gestão. Apesar de um cenário de ganhos saudáveis em termos absolutos, a performance comparativa aponta para um período de menor dinamismo.

Desde a posse de Trump até 20 de janeiro de 2026, o índice S&P 500 registrou uma valorização de 13,3%. Embora este seja um crescimento considerável sob qualquer prisma, a análise histórica da CFRA Research o posiciona como o início de presidência com o menor avanço em duas décadas. Para contextualizar, durante o primeiro ano do primeiro mandato de Trump, o mesmo S&P 500 acumulou ganhos de 24,1%, evidenciando uma desaceleração significativa no ritmo de crescimento.

Mercado de Ações Trump: O Início Mais Fraco em 20 Anos

Ao longo do último ano, o mercado acionário global continuou sua trajetória ascendente, impulsionado principalmente pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial. Notavelmente, em 2025, as ações internacionais superaram as norte-americanas pela primeira vez em vários anos, indicando uma mudança na dinâmica dos investimentos globais. É crucial entender que o mercado de ações não opera isoladamente; o segundo mandato de Trump iniciou-se após dois anos consecutivos em que o S&P 500 registrou ganhos anuais superiores a 20% – um feito não visto desde a década de 1990. Consequentemente, as expectativas para novos aumentos já se encontravam em patamares elevados.

O período foi marcado por intensas e abruptas mudanças nas políticas da administração Trump. Em abril, as ações estiveram à beira de um mercado baixista, refletindo a incerteza gerada pelas ameaças tarifárias do governo. Contudo, uma recuperação robusta foi observada logo em seguida, quando Trump recuou de suas posições mais severas. Ao longo do ano, o S&P 500 alcançou 39 recordes históricos. Em contraste, no primeiro ano de seu primeiro mandato, em 2017, o índice havia atingido impressionantes 62 recordes históricos, reforçando a percepção de um desempenho menos exuberante.

O próprio presidente Donald Trump demonstrou estar atento à performance do mercado acionário, considerando-o um indicador direto de seu sucesso político. Em 21 de janeiro, ele minimizou uma recente queda do mercado de ações, atribuindo-a à incerteza sobre a Groenlândia e as tarifas, classificando-a como “insignificante” e prevendo que o mercado seria “duplicado” em breve. Horas depois, ele reverteu as tarifas, o que impulsionou a recuperação das ações.

Em 2025, as ações americanas registraram alta devido a uma combinação de fatores, incluindo o já mencionado entusiasmo com a inteligência artificial, o otimismo em relação a possíveis cortes nas taxas de juros por parte do Federal Reserve, a solidez dos lucros corporativos e a resiliência demonstrada pela economia. Adicionalmente, durante o verão, Trump sancionou o “O Grande e Belo Projeto de Lei” (One Big Beautiful Bill Act), cuja expectativa é que seu impacto estimulante possa injetar um impulso adicional nos mercados ao longo deste ano.

Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co, destacou em um e-mail que “a antecipação desse estímulo é uma das principais razões pelas quais o mercado de ações teve um bom desempenho no primeiro ano deste mandato”. Ele acrescentou que é por essa razão que muitos investidores acreditam que o presidente deseja “deixar a economia aquecer” até as eleições legislativas. Maley ponderou que, embora isso não garanta que o segundo ano será tão otimista quanto o primeiro para as ações, “não há dúvida de que o governo quer ver um mercado de ações muito forte este ano, especialmente nos 5-6 meses que antecedem essas eleições”.

Ganhos Expressivos, Volatilidade Histórica

O primeiro ano do segundo mandato de Trump, embora tenha resultado em ganhos sólidos, foi também caracterizado por períodos de intensa volatilidade. O VIX, conhecido como o “indicador de medo de Wall Street”, disparou para níveis historicamente elevados na primavera, em meio à turbulência associada às políticas comerciais. Nick Colas, cofundador da DataTrek Research, observou que “a única coisa verdadeiramente excepcional foi que o VIX ultrapassou 50 pela primeira vez desde a pandemia durante o auge da incerteza sobre a política comercial”.

Tim Thomas, diretor de investimentos da Badgley Phelps Wealth Management, revelou ter ajustado algumas carteiras de clientes para adotar uma postura mais “defensiva”, ou seja, com menor exposição a ativos de maior risco. Contudo, ele enfatiza a importância de olhar além da volatilidade de curto prazo, concentrando-se em fundamentos como o robusto crescimento dos lucros, o avanço da inteligência artificial e uma política fiscal favorável. “O desempenho do mercado no ano passado foi muito bom”, afirmou Thomas. Ele reconheceu a “muita incerteza política por aí”, tornando “difícil investir em torno da incerteza política porque, por sua própria natureza, ela pode mudar em um instante”.

Disciplina é Fundamental para Investidores

“Você precisa ter algum tipo de proteção”, recomendou Thomas, mas ressaltou que “o outro ponto-chave é realmente manter o foco no longo prazo e nas empresas e seus fundamentos. No final, esses serão os impulsionadores dos retornos”. Após três anos de fortes valorizações, Wall Street projeta amplamente que o S&P 500 continuará a subir este ano, apesar da abundância de incertezas no cenário global. O dólar americano, por exemplo, enfrenta dificuldades, enquanto ativos considerados seguros, como ouro e prata, têm atingido máximas históricas.

Jim Hagerty, CEO da Bartlett Wealth Management, em entrevista à CNN Internacional, destacou que a principal lição do último ano é a necessidade de os investidores manterem a disciplina. “Quando os mercados estão muito bons, ou ocasionalmente quando estão assustadores, isso pode afastar as pessoas de sua disciplina”, afirmou Hagerty. Ele enfatizou: “Eu apenas enfatizaria: mantenha-se disciplinado. E considerando o quanto as coisas têm estado fortes, examine cuidadosamente sua alocação de ativos, certifique-se de que está adequada e rebalanceie se necessário.”

Analisar o desempenho do mercado de ações em períodos de transição política é fundamental para compreender as dinâmicas econômicas e o impacto de decisões governamentais. O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, com seus altos e baixos e a comparação com períodos anteriores, oferece insights valiosos para investidores e observadores da economia global. A resiliência da economia americana, aliada ao fervor em torno da inteligência artificial e as expectativas de estímulos fiscais, continuará a moldar o cenário financeiro.

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Crédito da imagem: CNN Brasil

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