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Mercado de Personal Shopper Cresce 9,6% ao Ano até 2032

Economia

A profissão de personal shopper, focada na curadoria de vestuário e outros itens para clientes, projeta um crescimento robusto de 9,6% ao ano até 2032, consolidando-se como um serviço de alta demanda. Essa atividade, que transcende a simples compra, exige dos profissionais um conjunto de habilidades sofisticadas, especialmente a capacidade empática de compreender as necessidades e anseios, muitas vezes emocionais, de seus clientes. Apesar do panorama promissor, uma discussão pertinente entre os especialistas do setor é a potencial influência da inteligência artificial (IA) e seu papel futuro.

O bom gosto é um atributo fundamental para quem atua como personal shopper, mas a expertise vai muito além. É crucial para esses profissionais discernir e atender às demandas estéticas, econômicas e sociais de cada indivíduo. Tatiana Amendola, socióloga e professora de comportamento de consumo na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em São Paulo, enfatiza que o personal shopper exerce uma função de acolhimento e mediação. Conforme a especialista, a vestimenta não é apenas estética; ela simboliza segurança, pertencimento e inteligibilidade social, funcionando como uma tecnologia de reconhecimento e, em diversas situações, de sobrevivência.

Mercado de Personal Shopper Cresce 9,6% ao Ano até 2032

Dados do relatório Global Personal Shopper Services Market, divulgado pela consultoria americana WorldWide Market Reports, revelam o expressivo valor movimentado pelo setor. Em 2025, a atividade de personal shopper alcançou a marca de US$ 8,1 bilhões. A projeção é que esse montante atinja US$ 15,4 bilhões anuais até 2032, impulsionado pela taxa de crescimento anual de 9,6% mencionada. Tradicionalmente, este é um segmento que atende a indivíduos com alto poder aquisitivo, porém, o benefício oferecido transcende o aspecto financeiro, adentrando o campo emocional e da otimização do tempo.

À primeira vista, pode parecer incomum delegar uma decisão tão pessoal quanto a escolha de vestuário. Contudo, a personal shopper Juliana Bacellar, baseada em Curitiba, explica que seus clientes buscam mais do que a simples compra; eles terceirizam o complexo processo mental e emocional que antecede a decisão. Muitas de suas clientes, segundo Bacellar, chegam esgotadas de desperdiçar tempo em lojas, de realizar compras impulsivas, de cometer equívocos e de gastar dinheiro em peças que não as representam. Outras sentem-se inseguras, percebendo que, apesar das mudanças no corpo, na carreira e na vida, sua imagem pública permaneceu estagnada. O motivador mais profundo, ela observa, é quase sempre emocional: o desejo de bem-estar, respeito e conforto em sua própria pele. Muitas vezes, ao contratar uma personal shopper, o cliente está implicitamente buscando auxílio para organizar-se tanto interna quanto externamente.

A experiência de compra pode ser estressante, e recorrer a um personal shopper atenua essa ansiedade, de acordo com Tatiana Amendola. A função do profissional é reduzir o esforço, simplificar escolhas e otimizar o tempo, agindo como um agente de terceirização da dúvida. Em um cenário de excesso de opções e medo de errar os códigos sociais, o personal shopper surge como uma solução prática. Juliana Berman, personal shopper que atua em Salvador, relata que a falta de tempo é um dos principais motivos pelos quais seus clientes a procuram. Eles reconhecem a necessidade de novas peças, mas carecem de tempo ou paciência para pesquisar, experimentar e decidir. Outra motivação frequente é a insegurança: pessoas que não dominam a moda, mas entendem a importância de se vestir melhor e aprimorar a comunicação por meio da imagem. Berman também atende clientes que, apesar de gostarem de se vestir bem, percebem que seu guarda-roupa está estagnado, sempre comprando das mesmas marcas. Nesses casos, ela expande o repertório, introduzindo novas marcas e possibilidades, sempre mantendo o estilo e a identidade do cliente, mas abrindo espaço para o novo.

O perfil da clientela de personal shoppers é predominantemente feminino, embora executivos homens também busquem o serviço, ainda que em menor número. Amendola explica essa disparidade pela intensa socialização de vigilância estética vivenciada pelas mulheres, que precisam ser constantemente avaliadas positivamente. A roupa, para elas, funciona como uma ferramenta de cobrança social ininterrupta. Errar na escolha do vestuário pode, muitas vezes, resultar em uma punição moral. Para os homens, a vestimenta tende a ser um detalhe, enquanto para as mulheres, ela frequentemente se torna um argumento sobre seu caráter e sua legitimidade para ocupar determinados espaços.

A atividade de curadoria de compras, como também é conhecida, ainda é desconhecida por grande parte do público, em parte pela sua escassa representação na indústria do entretenimento – uma das poucas exceções é o filme francês “Personal Shopper”, de 2016, dirigido por Olivier Assayas. A frequente associação da atividade com a ideia de ostentação também não contribui para sua popularização. Juliana Berman refuta esse estereótipo, afirmando que muitos veem o personal shopper como alguém que estimula o consumo desenfreado. Na prática, ela faz o oposto: auxilia os clientes a comprar menos, mas com mais qualidade, a evitar desperdícios e a construir um guarda-roupa funcional e alinhado ao seu estilo de vida e objetivos.

O trabalho de personal shopper abrange mais do que apenas a aquisição de roupas. Juliana Bacellar destaca que sua atuação envolve estratégia de imagem, posicionamento pessoal e profissional, além de uma profunda leitura do estilo de vida e metas de cada cliente. Ela ajuda o cliente a edificar uma imagem coerente com sua essência e suas aspirações. Bacellar, que acompanha o mercado global de personal shopping (que engloba a seleção e compra de produtos em moda, decoração, tecnologia e outros segmentos), ressalta as variações entre países. Na Europa, o serviço está mais ligado à tradição, qualidade, alfaiataria e herança cultural, com valorização da durabilidade e história. Nos Estados Unidos, a lógica da praticidade e rapidez predomina, com clientes buscando soluções imediatas e funcionalidade, focados mais no consumo e menos na tendência. No Oriente Médio, o luxo absoluto é o foco, priorizando exclusividade, compras volumosas e experiências personalizadas. Já nos países do Leste Asiático (Japão, Coreia do Sul e China), há uma grande ênfase na técnica, regras sociais e na imagem como símbolo de status, respeito e harmonia coletiva.

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Imagem: valor.globo.com

O personal shopping também se manifesta em outros formatos, como o conhecido serviço de contratação de profissionais nos EUA por famílias brasileiras à espera de um bebê. Essas personal shoppers adquirem enxovais, aproveitando os preços mais acessíveis nos Estados Unidos, especialmente em cidades da Flórida como Miami e Orlando. Um desenvolvimento significativo é a crescente integração da inteligência artificial na curadoria de compras. Por enquanto, a tecnologia serve como um valioso apoio aos personal shoppers. A C&A, varejista de moda, lançou em dezembro de 2025 o “AI Personal Shopper”, ferramenta que recebeu um investimento de R$ 300 milhões no mesmo ano. Essa tecnologia oferece recomendações personalizadas de moda, espelhando a função de um personal shopper, e está acessível no site e aplicativo da marca, com planos de expansão para lojas físicas. Outros grandes nomes do varejo nacional, como Renner e Dafiti, também exploram o mesmo caminho.

Sobre o futuro da profissão, Juliana Bacellar argumenta que o personal shopping é um trabalho de organização externa que reflete uma organização interna. Para ela, a roupa é uma linguagem silenciosa e poderosa que precede qualquer palavra, e seu papel é assegurar que essa linguagem expresse cada cliente com verdade, coerência e intenção. Juliana Berman, por sua vez, manifesta ceticismo quanto à substituição humana pela tecnologia. Embora a IA possa auxiliar na análise do histórico do cliente e até oferecer recomendações, apenas os humanos são capazes de criar memórias e experiências por meio de conexões emocionais e afetivas genuínas. Essa perspectiva destaca o valor insubstituível da interação humana na construção de uma imagem verdadeiramente representativa.

A expansão do mercado de personal shopper reflete uma sociedade que valoriza cada vez mais a otimização do tempo e a construção de uma imagem pessoal alinhada aos seus objetivos. A humanização do serviço, aliada à capacidade de adaptação às inovações tecnológicas, como a inteligência artificial, será crucial para a sustentabilidade e evolução dessa profissão. O papel do personal shopper vai além do consumo, englobando aspectos psicológicos e sociais profundos, um fator que solidifica sua importância no cenário atual. Para aprofundar-se em tendências de mercado e o impacto das novas profissões na economia, clique aqui para conferir mais análises sobre o mercado.

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Este panorama sobre o mercado de personal shopper oferece uma visão abrangente sobre o crescimento e a complexidade dessa atividade em ascensão. A interação humana, a personalização e a adaptabilidade a novas ferramentas tecnológicas são elementos-chave que moldarão o futuro da profissão. Continue explorando as tendências e análises em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Gabriel Reis/Valor e Divulgação

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