Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram um **pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha**, o governador, na sequência de sua citação pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A menção ocorreu em meio às investigações que apuram a tentativa de alienação da instituição financeira privada ao Banco de Brasília (BRB), uma operação que levantou sérias preocupações quanto à gestão pública e à integridade do erário local.
As solicitações para o impedimento do chefe do Executivo foram formalizadas pelo PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL. As legendas fundamentam seus pedidos em supostos crimes de responsabilidade, diretamente ligados à maneira como o governo distrital teria atuado em transações que envolviam o banco público. Conforme as acusações, a conduta do Executivo foi temerária, expondo o erário a riscos significativos e desrespeitando os princípios essenciais que regem a administração pública.
Oposição no DF Pede Impeachment de Ibaneis por Citação em Caso BRB
As acusações detalham pontos cruciais que motivaram a ação dos partidos. Entre eles, destacam-se a aquisição de títulos financeiros de qualidade duvidosa e procedência irregular, a criação de dívidas sem a devida previsão orçamentária, negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro que careciam de transparência e uma possível interferência indevida do governador Ibaneis Rocha nas decisões internas do BRB. Essas alegações formam a base do processo que busca o afastamento do governador.
Em resposta às graves acusações, o governador Ibaneis Rocha negou veementemente qualquer irregularidade. Em pronunciamentos à imprensa na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, ele declarou que nunca discutiu a operação BRB-Master com Daniel Vorcaro. Ibaneis atribuiu a condução de todas as negociações a Paulo Henrique Costa, que ocupava a presidência do BRB naquele período. O governador reconheceu a ocorrência de encontros de caráter social com Vorcaro, incluindo um almoço na residência do banqueiro, que, segundo ele, foi “organizado por um amigo em comum”, mas reiterou que nessas ocasiões não foram tratados assuntos relacionados ao banco público.
Ibaneis reforçou que a totalidade das tratativas era de responsabilidade do ex-presidente do BRB, que foi exonerado do cargo após o início das operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público. Entre os anos de 2024 e 2025, o BRB realizou injeções financeiras no valor de R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Essas transferências específicas são agora o cerne de uma investigação que apura a suspeita de gestão fraudulenta.
O governador Ibaneis Rocha, ao se defender das alegações, foi enfático: “Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRBMaster. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”. Esta declaração sublinha sua estratégia de defesa, focada na delegação de responsabilidades e na ausência de envolvimento direto nas negociações críticas que levaram aos pedidos de impeachment.
Detalhes das Acusações e Investigação do Banco Master
As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal revelam um cenário preocupante. Conforme as apurações, o Banco Master teria supostamente vendido ao BRB carteiras de crédito inexistentes, totalizando cerca de R$ 12,2 bilhões. Essa manobra é interpretada como uma tentativa de evitar a falência da instituição privada, que enfrentava uma crise severa de liquidez. O desdobramento final desse processo foi a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, medida que foi efetivada em novembro do ano anterior.
O prejuízo estimado para o BRB, decorrente dessas operações, alcança a impressionante cifra de R$ 4 bilhões. Em reportagens divulgadas pela Folha de S.Paulo e pelo Valor Econômico, foi noticiado que o Banco Central (BC) impôs ao BRB a necessidade de realizar um provisionamento, ou seja, uma reserva financeira para cobrir potenciais perdas, de pelo menos R$ 2,6 bilhões. Até o momento, a informação sobre este provisionamento específico não foi oficialmente confirmada pelo BC. Para mais detalhes sobre a atuação do Banco Central em fiscalização bancária e liquidações de instituições financeiras, consulte o site oficial do Banco Central do Brasil.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Ex-executivos de ambas as instituições foram convocados para depor entre o final de janeiro e o início de fevereiro. As investigações em curso apontam para falhas graves na governança corporativa e para a existência de possíveis ilícitos administrativos que teriam ocorrido durante as operações financeiras em questão. Estes depoimentos são cruciais para desvendar a extensão das irregularidades.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Daniel Vorcaro, o banqueiro envolvido, afirmou à Polícia Federal ter mantido conversas com o governador Ibaneis Rocha em diversas ocasiões sobre as negociações. Essa revelação veio à tona após o periódico ter acesso ao depoimento prestado por Vorcaro à PF em 30 de dezembro, uma ação determinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação contradiz as declarações do governador e adiciona complexidade ao caso.
Andamento das Apurações e Barreiras Encontradas
As apurações indicam que, ao longo de 2025, o Banco de Brasília (BRB) manifestou intenção de adquirir uma parcela significativa do Banco Master. Esta iniciativa contou com o apoio do governo do Distrito Federal, que figura como acionista controlador do BRB, mas encontrou resistência e foi eventualmente barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal está investigando se o BRB efetuou a compra de carteiras de crédito de alto risco da instituição privada, focando na avaliação de possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança que deveriam ter prevenido tais operações.
Em novembro, uma operação conjunta deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público resultou no afastamento de Paulo Henrique Costa do cargo de presidente do BRB, que foi posteriormente demitido. Além das investigações conduzidas por esses órgãos e pelo Banco Central, a atual gestão do BRB e uma auditoria independente também estão empenhadas em analisar as transações. No entanto, as conclusões oficiais desses exames ainda não foram divulgadas publicamente, mantendo o caso em aberto e sob intensa vigilância.
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A situação envolvendo o **impeachment de Ibaneis Rocha** no Distrito Federal, impulsionado pelas revelações no caso BRB-Master, sublinha a complexidade das relações entre o poder público e o setor financeiro, e a rigorosa fiscalização que tais interações exigem. As investigações continuam, e o desenrolar dos fatos será acompanhado de perto pelas autoridades e pela população. Para aprofundar-se em análises sobre governança e transparência no setor público, clique aqui para ler mais artigos sobre política e economia no Distrito Federal.
Crédito da imagem: José Cruz/Agência Brasil







