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Paço Imperial do Rio recebe grande exposição de 100 artistas

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Na Praça XV, coração do Centro do Rio de Janeiro, uma monumental construção em estilo colonial português se destaca como um tesouro arquitetônico do Rio Antigo. O Paço Imperial, palco de momentos cruciais da história brasileira desde a era colonial, celebra quatro décadas como centro cultural, marcando a ocasião com uma grandiosa exposição no Paço Imperial que reúne mais de uma centena de artistas de renome nacional e internacional.

Inaugurado em 1743, este palácio já serviu como residência para os Vice-Reis do Brasil e, posteriormente, como a augusta sede do Império. Foi em seus salões que Dom João VI, o anfitrião real, recebia seus súditos para a notória cerimônia do beija-mão, quando o local ainda era conhecido como Paço Real. A edificação presenciou eventos transformadores, como o Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822, quando o príncipe regente Dom Pedro I recusou-se a retornar a Portugal, um passo decisivo rumo à independência.

Paço Imperial do Rio recebe grande exposição de 100 artistas

O primeiro pavimento do edifício abriga a notável Sala Treze de Maio, um tributo à assinatura da Lei Áurea, em 1888, que aboliu a escravidão no país. A princesa Isabel firmou o histórico documento dentro das paredes do Paço Imperial. Anos mais tarde, o imperador deposto Pedro II passou suas derradeiras horas em solo brasileiro neste mesmo palácio antes de partir para o exílio em Portugal, após a Proclamação da República, em novembro de 1889.

Mesmo após o fim do regime monárquico, o Paço preservou sua denominação Imperial. Chegou a sediar a Agência Central dos Correios e Telégrafos antes de ser tombado como patrimônio histórico em 1938. Desde 1985, a imponente estrutura funciona como um centro cultural, sob a égide do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura. Essa instituição desempenha um papel fundamental na preservação do patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Com quatro décadas de existência como Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial, a instituição supera em longevidade seu vizinho, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), inaugurado em 1989, consolidando-se como o mais antigo centro cultural em atividade na área central do Rio de Janeiro. Para comemorar este marcante quadragésimo aniversário, o Paço Imperial abriu suas portas neste sábado (28) para a aguardada exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”.

A mostra reúne cerca de 160 obras de mais de 100 artistas, cada um com uma conexão particular e significativa com o emblemático espaço expositivo. A exposição, aberta ao público até 7 de junho, tem como meta atrair a atenção de artistas, críticos de arte, amantes da cultura e o vasto público que transita diariamente pela vibrante Praça XV, incluindo os muitos turistas que visitam o polo cultural do Centro carioca.

“Constelações”: Uma Jornada Artística sem Hierarquias

Intitulada “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, a exposição apresenta tanto trabalhos icônicos quanto algumas obras inéditas de figuras proeminentes da arte brasileira. Entre os nomes que compõem o elenco estelar, destacam-se Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Maria Maiolino, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Hélio Oiticica, Luiz Aquila, Lygia Clark, Marcela Cantuária e Roberto Burle Marx, para citar apenas alguns.

A curadoria da exposição ficou a cargo de Claudia Saldanha, Ivair Reinaldim e da própria equipe do Paço Imperial. A seleção foi criteriosamente elaborada para rememorar as quatro décadas dedicadas à promoção da cultura. Ao longo desse período, o Paço tem sido um palco para diversas vertentes artísticas, tanto nacionais quanto internacionais, abrangendo desde a arte contemporânea até a popular, passando por áreas como arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio.

As obras expostas em “Constelações” não se configuram necessariamente como releituras de exposições passadas, mas sim como uma revisitação a artistas que já brilharam sob os holofotes do centro cultural. O curador Ivair Reinaldim explicou, em entrevista à Agência Brasil, que o conceito por trás do nome “Constelações” remete à ideia do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940) de que constelações são como “desenhos entre as estrelas”.

Reinaldim enfatiza a ausência de hierarquia e linearidade na concepção da mostra. “A ideia de constelação é de não ter hierarquia, não ter linearidade, não ter assimetrias de coisas que são mais importantes do que outras”, afirma. Ele detalha que a equipe buscou “trabalhar com obras de artistas de diferentes gerações, de diferentes contextos, contemporâneos, modernos, populares, jovens, velhos, consagrados e não consagrados, misturando todo mundo”.

Os visitantes podem explorar 12 salões e dois pátios internos, todos adornados com as diversas obras. Em um dos pátios, há um jardim especialmente dedicado ao artista plástico e paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), que foi tema de uma grande retrospectiva no Paço Imperial em 2008. A curadora Claudia Saldanha, que também é diretora do Paço, acrescenta que a proposta de “constelação” se estende à experiência do público, que pode criar seu próprio itinerário pela mostra.

Paço Imperial do Rio recebe grande exposição de 100 artistas - Imagem do artigo original

Imagem:  Tomaz Silva via agenciabrasil.ebc.com.br

“Sempre gostamos quando o visitante faz o seu próprio percurso. Pode começar pelo primeiro ou segundo andar, pode entrar por qualquer um dos portões”, comenta. Ela reforça que a curadoria optou por não impor uma cronologia, evitando “classificar, categorizar, não criar barreiras nem distinções entre as obras”.

Relevância Nacional e Obras Inéditas

Entre as obras inéditas que compõem a exposição, destaca-se “Agrupamento”, de José Damasceno. A peça, criada especificamente para “Constelações”, foi concebida a partir de placas de MDF e grampos de serralheiro, materiais garimpados na feira de antiguidades da Praça XV, que acontece aos sábados, em frente ao Paço. Além da exposição em si, o Paço Imperial sediará uma série de seminários, oficinas e atividades educativas até junho, visando valorizar a rica trajetória da instituição.

O curador Ivair Reinaldim ressalta a importância do Paço Imperial não apenas no cenário local, mas também em âmbito nacional. Ele menciona o Salão Nacional de Artes Plásticas de 1986, quando o Paço abrigou retrospectivas dos icônicos pintores e escultores Hélio Oiticica (1937-1980) e Lygia Clark (1920-1988). “Foram duas exposições que antecederam exposições internacionais desses dois artistas, que estão, certamente, entre os cinco artistas brasileiros mais reconhecidos na arte internacional”, relembra Reinaldim, orgulhando-se de que “aqui foi a primeira vez que uma instituição conseguiu apresentar um conjunto de trabalhos desses artistas”.

Reinaldim também reflete sobre o desafio e a vantagem de ter o Paço localizado em uma área de intensa circulação de um público vasto e heterogêneo. Ele antecipa que, mesmo que um visitante não se sinta atraído por todas as obras, “pelo menos vai ter algumas aqui que vão ter algum tipo de interesse, algum tipo de relação, de proximidade”. A mostra também oferece uma linha do tempo que narra a história do Paço desde sua construção, conectando-o aos grandes acontecimentos da história do Brasil.

Parte das dezenas de obras expostas são resultado de parcerias estratégicas com outras instituições culturais, reforçando a ideia de “constelação”. Acervos de entidades como o Museu Bispo do Rosário, Museu de Arte do Rio (MAR), Museu de Arte Moderna do Rio (MAM), Museu do Folclore, Museu de Imagens do Inconsciente, Instituto Moreira Salles (IMS) e Sítio Roberto Burle Marx contribuíram para a riqueza e diversidade da exposição.

O Paço Imperial está localizado na Praça XV, 48, Centro do Rio de Janeiro. A exposição é gratuita e pode ser visitada de terça-feira a domingo e nos feriados, das 12h às 18h, até o dia 7 de junho. É uma oportunidade única para o público mergulhar na história e na arte brasileira, celebrando um marco importante para a cultura carioca.

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Esta grande exposição no Paço Imperial não apenas celebra quatro décadas de um centro cultural vital para o Rio de Janeiro, mas também reforça a importância da arte e da história na construção da identidade nacional. Convidamos você a explorar o Paço Imperial e seus arredores, descobrindo mais sobre os acontecimentos culturais e urbanos em nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

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