A St George Mining, mineradora australiana responsável pelo promissor Projeto Araxá de terras raras em Minas Gerais, anunciou na última terça-feira, dia 31, um avanço significativo em sua estratégia de colaboração internacional. A empresa firmou um memorando de entendimento com a renomada Técnicas Reunidas, um grupo global de engenharia com sede na Espanha, marcando uma nova etapa para o processamento de terras raras do empreendimento mineiro. Esta parceria estratégica visa otimizar a rota industrial e a produção de materiais de alto valor agregado, reforçando a posição do Brasil no cenário global de minerais críticos.
A colaboração com a Técnicas Reunidas é parte integrante do projeto europeu PERMANET, uma iniciativa ambiciosa financiada pela União Europeia. O PERMANET tem como objetivo primordial estabelecer a primeira cadeia de valor no continente europeu focada na produção de ímãs permanentes, elementos essenciais para diversas tecnologias modernas. A união entre a mineradora australiana e a gigante da engenharia espanhola promete trazer expertise e recursos cruciais para o desenvolvimento das terras raras extraídas em Araxá, alinhando interesses comerciais e geopolíticos.
O cerne desta nova cooperação reside na realização de testes de processamento detalhados com amostras das terras raras provenientes de Araxá. O objetivo principal é discernir a rota industrial mais eficaz e determinar quais produtos, desde materiais intermediários até compostos de maior valor agregado, se mostram mais viáveis ao longo da cadeia produtiva.
Parceria Internacional Impulsiona Projeto de Terras Raras em MG
Esta análise minuciosa considera diversas alternativas, que podem variar desde a produção de um concentrado ou carbonato misto de terras raras até estágios mais avançados, como a separação de óxidos individuais de neodímio e praseodímio. Estes são dois dos elementos mais preciosos dentro do grupo das terras raras e são insumos fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, empregados em setores como veículos elétricos e turbinas eólicas, reforçando a importância estratégica do Projeto Araxá de terras raras em Minas Gerais.
A relevância desses testes vai além da mera extração mineral, estendendo-se ao desenho da etapa industrial subsequente à mina. A St George Mining busca definir até onde é possível avançar no Brasil com o processamento antes de comercializar o produto. A decisão envolve entregar um material ainda misto, com algum nível de processamento químico, ou progredir para uma fase mais sofisticada, com a separação de óxidos individuais. Essa escolha impacta diretamente o valor do projeto, o perfil dos potenciais compradores e a capacidade de inserção de Araxá em cadeias estratégicas que buscam reduzir a dependência da China.
A inclusão da Técnicas Reunidas no Projeto Araxá amplifica a visibilidade internacional do empreendimento mineiro. A companhia espanhola foi selecionada para coordenar o PERMANET dentro do renomado programa Horizon Europe, da Comissão Europeia, trabalhando com uma vasta rede de 32 parceiros em 12 países para estruturar uma cadeia europeia robusta de fornecimento de terras raras e ímãs permanentes. Mais informações sobre o projeto PERMANET podem ser encontradas no portal CORDIS da União Europeia, destacando a complexidade e a importância dessa iniciativa.
Para a St George, essa aliança abre portas para futuros mercados europeus, um movimento estratégico em um momento crucial. Europa e Estados Unidos intensificam os esforços para diminuir a dependência da China nas fases mais críticas da cadeia de terras raras, onde o país asiático detém a maior parte da capacidade global de processamento e separação. A estratégia da mineradora também se alinha com a agenda do governo brasileiro, que defende a ampliação da agregação de valor aos minerais críticos em território nacional. No caso das terras raras, mesmo a produção de um composto misto representa um avanço industrial significativo, pois demanda processamento químico e reduz o volume de material bruto exportado.
A separação de óxidos individuais, por sua vez, representa um estágio de maior sofisticação, exigindo domínio tecnológico restrito e gerando insumos vitais para indústrias de ponta, como as de veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e defesa. Atualmente, poucos países, excluindo a China, possuem o domínio dessas etapas industriais complexas, o que ressalta o potencial do Projeto Araxá de terras raras em Minas Gerais para o Brasil.
O apoio europeu complementa outras articulações já em curso para o Projeto Araxá. A St George já havia noticiado negociações com a REalloys, empresa americana, para um possível contrato de offtake, que poderia abranger até 40% das terras raras produzidas pelo empreendimento. À época, a mineradora afirmou que essa parceria fazia parte de uma estratégia mais ampla para inserir o projeto nas cadeias industriais ligadas aos Estados Unidos, consolidando um perfil global para suas operações.
No Brasil, a St George também tem estabelecido conexões com a iniciativa MagBras, um projeto nacional dedicado ao desenvolvimento da cadeia de ímãs permanentes de terras raras. Essa iniciativa congrega indústrias, centros de pesquisa e instituições de apoio com o propósito de produzir ligas metálicas e ímãs no país, buscando reduzir a dependência externa no segmento mais nobre da cadeia de valor. O projeto é desenvolvido sob a estrutura do SENAI, com o suporte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a participação ativa de diversas empresas industriais. Com isso, o Projeto Araxá de terras raras em Minas Gerais congrega frentes de negociação com atores relevantes dos Estados Unidos, do Brasil e, agora, da Europa.
O depósito de Araxá é considerado particularmente promissor por combinar terras raras e nióbio no mesmo sistema mineral. Ele conta com recursos estimados em 70,91 milhões de toneladas, apresentando um teor médio de 4,06% de terras raras e 0,62% de nióbio. O teor de 4,06% de terras raras é notavelmente elevado para projetos fora da China, país que atualmente domina a produção e o processamento desses minerais cruciais. A metodologia de medição da empresa considera apenas as áreas com concentração superior a 2% de teor médio de terras raras, excluindo zonas com teores inferiores. Além disso, há novas perfurações planejadas que ainda não foram incorporadas à estimativa atual, indicando um potencial para futuras revisões e possíveis aumentos no volume de recursos do projeto, solidificando a importância do Projeto Araxá.
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A expansão das parcerias internacionais da St George Mining para o Projeto Araxá de terras raras em Minas Gerais representa um marco estratégico para o Brasil, posicionando o país como um player relevante na cadeia global de minerais críticos. A busca por valor agregado e a redução da dependência de mercados específicos não apenas impulsionam a economia local, mas também fortalecem a autonomia tecnológica e industrial em setores de alta tecnologia. Para aprofundar a compreensão sobre o impacto de projetos como o de Araxá no cenário econômico nacional, convidamos você a explorar outros artigos em nossa editoria de Economia e manter-se atualizado sobre as tendências do mercado.
Crédito da imagem: Reprodução / CNN Brasil

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