A PEC jornada 40 horas, que propõe a redução da carga horária de trabalho semanal no Brasil, teve sua votação adiada nesta quarta-feira (3) na subcomissão especial da Câmara dos Deputados. O adiamento ocorreu após um pedido de vista coletiva, postergando a análise do relatório que, apesar de manter a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), estabelece a transição das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem qualquer prejuízo salarial aos trabalhadores.
A proposta, apresentada pelo relator deputado Luiz Gastão (PSD-CE), enfatiza a importância de tal medida para o bem-estar social e a eficiência produtiva. Segundo o parlamentar, a diminuição da jornada, sem a correspondente redução nos vencimentos, representa um avanço crucial na promoção da saúde e da qualidade de vida da força de trabalho brasileira, além de potencialmente otimizar a produtividade no ambiente corporativo.
O texto revisado da matéria em discussão na Câmara dos Deputados detalha um cronograma de implementação gradual para a
PEC Jornada 40 Horas: Comissão Adia Votação e Mantém 6×1
. Inicialmente, a jornada semanal passaria de 44 para 42 horas no primeiro ano de vigência da emenda constitucional, com uma redução subsequente de uma hora por ano, até atingir o patamar desejado de 40 horas semanais. A expectativa é que os debates e a análise do tema sejam retomados pela subcomissão já na próxima semana.
Justificativas da Proposta do Relator e Compensação Empresarial
Em uma análise aprofundada, o deputado Luiz Gastão defende que o modelo de trabalho brasileiro atual é “excessivamente desgastante”. Ele citou estudos que demonstram o impacto negativo de longas jornadas na produtividade e na vida pessoal dos trabalhadores. A falta de tempo suficiente para o convívio familiar e o engajamento em outras atividades sociais e pessoais é um ponto crítico levantado pelo relator, que busca com a proposta um equilíbrio mais favorável para a população ativa do país.
Para mitigar os custos adicionais que a redução da jornada poderia gerar para as empresas, a proposta da PEC incorpora um mecanismo de compensação. O texto prevê uma diminuição dos tributos incidentes sobre a folha de pagamento para aquelas companhias que destinam 30% ou mais de sua receita total para salários. Este incentivo fiscal visa assegurar a viabilidade econômica para o setor produtivo, evitando impactos negativos na geração de empregos e na estabilidade das empresas.
Alterações em Relação à PEC Original e Argumentos Econômicos
O relatório lido na última quarta-feira (3) representa uma modificação substancial da Proposta de Emenda à Constituição original. A matéria inicial, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), previa um cenário mais ambicioso: o fim completo da escala 6×1 e a implementação de uma jornada de trabalho de 36 horas semanais. Esta versão prévia havia recebido expressivo apoio popular, gerando expectativas distintas sobre a amplitude da reforma trabalhista e os benefícios para os trabalhadores.
O deputado Luiz Gastão justificou as alterações em seu texto como uma “saída possível” diante da complexa realidade econômica brasileira e do elevado índice de informalidade no mercado de trabalho. Ele argumentou que a proposta original, tal como formulada, poderia gerar “sérias consequências econômicas adversas”, citando riscos como queda na produção, redução da produtividade e um possível aumento nas taxas de desemprego. Essa ponderação reflete a busca por um consenso que considere tanto os direitos dos trabalhadores quanto a sustentabilidade do ambiente empresarial. Para mais informações sobre a legislação trabalhista brasileira e suas implicações, consulte fontes oficiais como a Secretaria do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.
Divergências e Posições das Lideranças Políticas
Apesar dos ajustes propostos pelo relator, o governo federal expressou sua intenção de manter a defesa do fim da escala 6×1, alinhando-se à visão da PEC original. Durante a sessão, o deputado Vicentinho (PT-SP), representando a liderança do governo, foi enfático ao solicitar que a definição da escala de trabalho fosse de, no máximo, cinco dias de trabalho por dois de descanso (5×2), priorizando o repouso e o lazer do trabalhador.
Vicentinho reiterou a posição governista, afirmando categoricamente: “Nós não admitimos a hipótese de não ter o fim da jornada 6×1. Nós não admitimos a hipótese da redução salarial e não pensamos, em momento algum, em dar subsídio aos empresários.” O parlamentar argumentou que diversas empresas no país já operam com jornadas de 40 horas semanais sem registrar falências, e que, na verdade, observam ganhos de produtividade e maior satisfação entre os colaboradores. “Não quebraram com isso. Ganharam foi produtividade porque o povo ficou feliz, satisfeito, teve mais tempo de ficar com a família. Empresa não vai quebrar por causa disso”, completou o deputado, reforçando a ideia de que a produtividade está ligada ao bem-estar.
Em contrapartida, o deputado Fausto Pinato (PP-SP) manifestou apoio ao parecer do relator, defendendo a manutenção da escala 6×1. “Nós, que somos mais de partido de centro-direita, temos que ter mais sensibilidade. E alguns parlamentares com mais juízo, vamos dizer assim, que estão longe do extremismo, têm a habilidade de fazer uma discussão saudável, ímpar, vendo o interesse do país”, declarou Pinato, sugerindo uma abordagem mais pragmática e equilibrada para a reforma.
Regulamentação e Limitações para a Escala 6×1
Mesmo com a decisão de manter a escala 6×1 na redação final, o relator Luiz Gastão incluiu no seu parecer regras específicas para restringir e regulamentar o uso dessa modalidade no mercado de trabalho brasileiro. Uma das principais limitações estabelece que a jornada de trabalho aos sábados e domingos não poderá exceder seis horas diárias, visando coibir extensas cargas horárias nos finais de semana.
Adicionalmente, o texto de Gastão estipula que as horas extras trabalhadas além das seis horas nos fins de semana deverão ser remuneradas com um valor adicional de 100% sobre o valor da hora normal, garantindo uma compensação justa ao trabalhador. Outra diretriz importante é a obrigatoriedade de uma escala de revezamento quinzenal em casos de trabalho aos domingos, visando assegurar e favorecer o repouso dominical dos trabalhadores, um aspecto crucial para a qualidade de vida e o cumprimento da legislação vigente.
Detalhes da Compensação Tributária para o Setor Empresarial
A compensação para as empresas, um dos pilares da proposta do relator para viabilizar a redução da jornada, busca aliviar o ônus financeiro. Luiz Gastão sugeriu a diminuição da carga tributária sobre a folha de salários para companhias onde a despesa com pessoal representa um custo significativo em relação ao faturamento, ou alternativamente, a compensação de Imposto de Renda, proporcionando flexibilidade fiscal.
O texto detalha um sistema de desconto gradual na contribuição sobre a folha de pagamento. Este benefício será concedido a empregadores cuja razão entre a folha de salários e o faturamento seja superior a 30%. O desconto será progressivo, podendo atingir o patamar máximo de 50% para as empresas onde essa razão seja igual ou superior a 0,5, ou seja, onde a despesa com folha de pagamento corresponda a 50% ou mais do faturamento total da companhia, incentivando a manutenção de empregos.
Entretanto, essa medida de compensação gerou preocupação por parte da autora da PEC original, deputada Erika Hilton. A parlamentar alertou que a redução da contribuição previdenciária dos empresários em até 50% poderia “colocar em risco a aposentadoria de todos os trabalhadores do país”, especialmente após a reforma da Previdência de 2019. Essa ressalva, expressa em rede social, destaca um dos pontos mais sensíveis da discussão, o financiamento da seguridade social e suas implicações a longo prazo.
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A deliberação sobre a PEC jornada 40 horas na Câmara dos Deputados reflete a complexidade de conciliar os direitos dos trabalhadores, a produtividade empresarial e a saúde econômica do país. As discussões continuam, e o desfecho dessa proposta poderá redefinir o futuro das relações de trabalho no Brasil, impactando milhões de brasileiros. Para acompanhar as últimas novidades e análises sobre os debates políticos no Congresso, continue navegando em nossa editoria de Política e mantenha-se informado.
Tânia Rêgo/Agência Brasil






