Gustavo Petro nega categoricamente qualquer ligação com o narcotráfico, respondendo a reportagens que indicam uma investigação por parte das autoridades dos Estados Unidos. Em uma postagem na rede social X, nesta sexta-feira, 20 de outubro, o presidente da Colômbia afirmou nunca ter tido contato com traficantes de drogas ao longo de sua vida.
A declaração do chefe de Estado colombiano veio à tona logo após o jornal The New York Times noticiar que promotores norte-americanos estariam apurando possíveis elos entre o líder político e atividades ilícitas relacionadas ao tráfico de entorpecentes. Para entender mais sobre a complexidade das relações internacionais e o combate ao narcotráfico, confira as últimas notícias da América Latina na Reuters.
Petro Nega Vínculos com Narcotráfico após Investigação dos EUA
Ao compartilhar uma publicação do jornal El Espectador no X, que divulgava a matéria do The New York Times, o presidente colombiano enfatizou que não há uma única investigação na Colômbia que o relacione ao narcotráfico. Ele justificou essa ausência afirmando veementemente que jamais conversou com indivíduos envolvidos no comércio ilegal de drogas.
O líder do executivo colombiano contrastou as acusações ao destacar seu histórico pessoal. Ele mencionou ter dedicado uma década de sua vida, correndo riscos pessoais e forçando o exílio de sua família, para denunciar os profundos laços entre poderosos narcotraficantes e figuras políticas tanto no Congresso da República quanto em esferas de governos locais e nacionais, período que ele classificou como a “época da governança paramilitar”.
Detalhes da Investigação Norte-Americana
A reportagem mencionada por Petro aponta para documentos que o designaram como alvo prioritário pela Administração de Combate às Drogas dos EUA (DEA). Paralelamente, procuradores federais em Nova York estariam investigando suas alegadas conexões com traficantes de drogas, conforme informações de pessoas familiarizadas com o assunto e documentos acessados pela Associated Press (AP).
Registros da DEA indicam que o nome de Petro surgiu em diversas investigações desde 2022. Essas apurações, muitas delas fundamentadas em entrevistas com informantes confidenciais, levantam suspeitas sobre possíveis negócios com o cartel de Sinaloa, no México. Além disso, há um esquema investigado que sugere o uso de seu plano de “paz total” para beneficiar traficantes influentes que teriam contribuído para sua campanha presidencial, de acordo com a AP. Os registros também apontam para um suposto uso de agentes da lei para o contrabando de cocaína e fentanil por meio de portos colombianos.
A designação de “alvo prioritário” é uma medida que a DEA reserva para suspeitos considerados com impacto significativo no tráfico de narcóticos. Diante das indagações, procuradores federais dos Estados Unidos optaram por não comentar o caso, e a DEA não respondeu prontamente a um pedido de posicionamento da AP.
Defesa de Petro e Antecedentes das Acusações
Gustavo Petro tem reiterado consistentemente sua negativa às acusações de tráfico de drogas. Essa postura foi particularmente enfática após Donald Trump o classificar como “líder do narcotráfico” e o Departamento do Tesouro dos EUA aplicar sanções contra ele no final de 2025, por supostos vínculos com o comércio ilícito, sem, contudo, apresentar provas concretas.
O presidente colombiano defende que, embora seu governo combata agressivamente os maiores cartéis, sua administração mantém o foco em uma abordagem mais flexível e social para os pequenos agricultores que cultivam a folha de coca, buscando alternativas econômicas e sociais para essas comunidades.
Em sua publicação desta sexta-feira, Petro afirmou ter instruído os responsáveis por sua campanha a não aceitarem doações de banqueiros ou de narcotraficantes. Ele assegurou que uma investigação “profunda e intensa” sobre sua campanha presidencial “não identificou um único peso proveniente do narcotráfico”, reiterando que essa é sua orientação e seu princípio pessoal como líder político.
O presidente concluiu sua declaração com a convicção de que os processos nos Estados Unidos servirão para desmantelar as acusações da “extrema direita colombiana”, grupo que, segundo ele, está “articulada até o pescoço com os narcotraficantes da Colômbia”.

Imagem: infomoney.com.br
Status da Investigação e Envolvimento da Casa Branca
As investigações envolvendo Petro encontram-se em estágio inicial, e ainda não há clareza se resultarão em acusações formais, conforme revelado por outra fonte familiarizada com o tema. A Casa Branca, por sua vez, não teve qualquer participação nas apurações em curso, distanciando-se do processo.
Histórico e Relações Internacionais
Petro, um ex-líder rebelde, ascendeu ao poder com promessas de reduzir a dependência do país em combustíveis fósseis e de redirecionar recursos estatais para combater a pobreza estrutural. Em momentos anteriores, ele criticou abertamente o governo Trump por seu apoio a Israel, pelos bombardeios a embarcações de narcotráfico no Caribe e chegou a comparar a repressão à imigração promovida pela Casa Branca a táticas nazistas, evidenciando um histórico de atrito diplomático entre os dois.
Membros da Família sob Investigação
Além do presidente, membros de sua família também estão sob escrutínio. Em 2023, seu filho, Nicolás Petro, foi acusado de solicitar contribuições ilegais de um traficante condenado para sua campanha, com o intuito de financiar um estilo de vida luxuoso, incluindo a compra de carros e imóveis caros. Nicolás declarou-se inocente, e o presidente Petro afirmou que nenhum desses valores foi empregado em sua campanha.
As autoridades colombianas têm investigado membros da família Petro por possíveis atos criminosos há anos. O irmão do presidente, Juan Fernando Petro, também foi envolvido em supostas negociações secretas com traficantes detidos, visando protegê-los da extradição para os Estados Unidos em troca de seu desarmamento.
Atrito entre EUA e Colômbia
Conforme relatado pela AFP, o atrito entre os dois países começou quando Donald Trump se opôs ao projeto de esquerda de Gustavo Petro, no poder desde 2022, que buscou alianças na América Latina contra Washington. A tensão diplomática se intensificou com a ofensiva norte-americana lançada em setembro passado contra embarcações suspeitas de transportar drogas, inicialmente no Caribe e depois também no Pacífico.
Petro chegou a participar da Assembleia Geral da ONU e, posteriormente, de um protesto nas ruas de Nova York, onde instou militares americanos a desobedecerem a Trump. Em meio a uma guerra de declarações entre os dois líderes, Washington revogou o visto e aplicou sanções econômicas contra Petro e vários membros de sua família. Trump, inclusive, ameaçou ações militares na Colômbia após a operação e a captura, em 3 de janeiro, do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi preso em Nova York à espera de julgamento por narcotráfico.
Apesar da escalada de tensões, Trump e Petro estabeleceram uma inesperada via de diálogo, culminando em um acordo para uma visita do líder colombiano a Washington, que ocorreu em fevereiro. As supostas relações de Petro com o tráfico de drogas têm sido amplamente debatidas publicamente na Colômbia, segundo a AFP.
Ao mesmo tempo, Petro tem defendido medidas como a legalização da maconha pelo Congresso e promovido o diálogo com grupos guerrilheiros dissidentes, os quais Washington acusa de se financiar com o tráfico de drogas.
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Em suma, a negação veemente de Gustavo Petro às acusações de ligação com o narcotráfico por parte das autoridades dos EUA e a subsequente defesa de seu histórico e ações políticas revelam um cenário complexo de tensões diplomáticas e investigações em andamento. As implicações dessas apurações para a política interna colombiana e as relações bilaterais com os Estados Unidos ainda se desdobrarão. Para se aprofundar em outros temas relevantes da política e economia global, continue acompanhando a editoria de Política em nosso portal.
Crédito da imagem: EFE/EPA/Chema Moya






