rss featured 20221 1775116403

Pezeshkian: Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA

Internacional

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, enviou uma carta direcionada ao povo dos Estados Unidos da América e a “aqueles que buscam a verdade”, declarando que a nação persa não manifesta hostilidade contra outras populações. Esta mensagem sublinha que o povo iraniano não nutre inimizade em relação aos cidadãos da América, da Europa ou de seus vizinhos, reiterando uma postura de distinção entre governos e suas populações. A comunicação foi divulgada nesta quarta-feira, 1º de [MÊS], através de uma publicação na rede social X, elaborada em língua inglesa.

No extenso documento, o líder iraniano abordou as recorrentes intervenções estrangeiras que moldaram a história do seu país. Pezeshkian enfatizou a busca por refutar o que denominou de “enxurrada de distorções e narrativas fabricadas” que, segundo ele, têm sido disseminadas sobre o Irã. A carta serve como uma plataforma para esclarecer a posição iraniana perante a comunidade global e, especialmente, os cidadãos norte-americanos.

Pezeshkian: Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA

A mensagem de Pezeshkian ressaltou um princípio cultural profundamente arraigado: “Os iranianos sempre traçaram uma distinção clara entre governos e os povos que eles governam. Este é um princípio profundamente enraizado na cultura iraniana e na consciência coletiva – não uma posição política passageira”. Este ponto é crucial para compreender a perspectiva do Irã sobre suas relações internacionais, dissociando o povo das ações de seus líderes e de conflitos geopolíticos.

Contexto Histórico e Ameaças Militares

O texto do presidente iraniano destaca que o Irã representa uma das mais antigas civilizações contínuas da história humana. Apesar de suas vantagens históricas e geográficas significativas, a nação, segundo Pezeshkian, “nunca escolheu o caminho da agressão, da expansão, do colonialismo ou da dominação”. Essa contextualização histórica visa a reforçar a imagem de um país com uma longa trajetória de resiliência e foco na autodefesa, em vez de iniciativas bélicas.

Pezeshkian apontou que os Estados Unidos concentraram uma quantidade expressiva de forças, bases e capacidades militares em torno do Irã. Esta proximidade é vista como uma ameaça constante para um país que, conforme ele salientou, nunca iniciou uma guerra desde a fundação dos EUA. As agressões recentes lançadas a partir dessas bases americanas, de acordo com o líder iraniano, demonstraram o quão perigosa essa presença militar se tornou. “Naturalmente, nenhum país submetido a tais condições deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas”, afirmou, justificando as ações do Irã como uma resposta comedida e legítima de autodefesa, não como um ato de guerra ou agressão.

Deterioração das Relações Irã-EUA

O presidente Masoud Pezeshkian recordou que as relações entre o Irã e os EUA nem sempre foram marcadas pela hostilidade. No entanto, a cordialidade se desfez após a Operação Ajax. Esse golpe de Estado, orquestrado pelos norte-americanos com o apoio do Reino Unido, depôs o então primeiro-ministro democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh. O episódio ocorreu após o governo iraniano da época decidir nacionalizar seus vastos recursos petrolíferos, uma medida que contrariava interesses ocidentais.

O impacto desse golpe foi profundo: “Esse golpe desestruturou o processo democrático iraniano, restaurou uma ditadura e semeou uma profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA”, detalhou Pezeshkian. A desconfiança, ele acrescenta, foi intensificada pelo suporte americano ao regime do Xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta nos anos 1980, a imposição das mais severas e prolongadas sanções da história moderna, e as agressões militares não provocadas – ocorridas, inclusive, em meio a negociações.

Progresso Interno e Sanções Destrutivas

Apesar das pressões externas, Pezeshkian observou que o Irã não se enfraqueceu, mas sim se fortaleceu em diversas áreas após a Revolução Islâmica. Ele citou avanços mensuráveis, como a triplicação das taxas de alfabetização, a significativa expansão do ensino superior, progressos expressivos em tecnologia moderna, melhorias nos serviços de saúde e um desenvolvimento de infraestrutura em ritmo e escala incomparáveis ao passado. “Essas são realidades mensuráveis e observáveis, que existem independentemente de narrativas fabricadas”, pontuou o presidente.

Simultaneamente, o líder iraniano enfatizou o impacto destrutivo das sanções, da guerra e da agressão na vida do “resiliente povo iraniano”. Ele argumentou que a continuidade da agressão militar e os bombardeios recentes afetam profundamente as vidas, atitudes e perspectivas das pessoas, pois “quando a guerra inflige danos irreparáveis a vidas, lares, cidades e futuros, as pessoas não permanecem indiferentes aos responsáveis”. Pezeshkian questionou se os interesses do povo norte-americano estão sendo genuinamente atendidos por essa guerra, indagando sobre a justificativa para o massacre de crianças inocentes e a destruição de instalações civis.

Pezeshkian: Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

O Papel de Israel e a Máquina de Desinformação

O presidente do Irã reiterou que o país sempre buscou negociações e cumpriu seus compromissos. Ele atribuiu a decisão de se retirar de acordos, escalar o confronto e lançar atos de agressão, mesmo durante negociações, a “escolhas destrutivas feitas pelo governo dos EUA”, que teriam servido “às ilusões de um agressor estrangeiro”. Pezeshkian argumentou que atacar a infraestrutura vital do Irã, incluindo instalações energéticas e industriais, prejudica diretamente o povo iraniano.

Em sua carta, o presidente também levantou dúvidas sobre uma possível manipulação dos EUA por Israel na promoção do conflito. Ele questionou se Israel, ao “fabricar uma ameaça iraniana”, busca desviar a atenção global de seus crimes contra os palestinos. Pezeshkian indagou se não é evidente que Israel “agora pretende lutar contra o Irã até o último soldado americano e até o último dólar do contribuinte americano – deslocando o ônus de suas ilusões sobre o Irã, a região e os próprios Estados Unidos, em busca de interesses ilegítimos”. Para uma análise mais aprofundada sobre as relações geopolíticas na região, pode-se consultar fontes como a BBC News Brasil.

Pezeshkian concluiu sua carta convidando a um olhar “além da máquina de desinformação – parte integrante dessa agressão – e, em vez disso, conversar com aqueles que visitaram o Irã”. Ele destacou o sucesso de muitos imigrantes iranianos, formados em seu país, que hoje contribuem significativamente em universidades e empresas de tecnologia no Ocidente, questionando se essas realidades correspondem às distorções apresentadas sobre o Irã e seu povo.

Um Mês de Conflito no Oriente Médio

Os ataques combinados entre Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, sem uma perspectiva concreta para o fim do conflito. A escalada resultou na morte de importantes autoridades persas, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei. A situação levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica controlada pelo Irã por onde circula cerca de 20% dos carregamentos de petróleo globais. Como consequência, o preço do barril de petróleo já registrou um aumento de aproximadamente 50%, e pesquisadores apontam riscos ambientais e climáticos associados à continuidade das hostilidades.

Nesta mesma quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem um pronunciamento agendado para as 22h (horário de Brasília), com o objetivo de abordar a guerra em curso. A comunidade internacional aguarda as declarações, que podem influenciar os próximos passos do conflito no Oriente Médio, uma região já volátil e crucial para a estabilidade global.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A mensagem do presidente iraniano Masoud Pezeshkian busca redefinir a percepção internacional sobre o Irã, distinguindo o povo de seu governo e ressaltando uma história de autodefesa em face de intervenções estrangeiras. Fique por dentro dos desdobramentos desta e de outras notícias importantes sobre o cenário político internacional, acessando nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: WANA

Deixe um comentário