A Polícia Federal identificou suspeitos de ataque a indígenas no MS, na região de Iguatemi, Mato Grosso do Sul. A ação violenta, que resultou na morte de um indígena Guarani Kaiowá e deixou outros quatro feridos, está sob intensa investigação pelas autoridades competentes. Os trágicos fatos ocorreram na madrugada do último domingo, dia 16, em uma área de retomada territorial de grande importância para a comunidade local.
Detalhes revelados pela superintendência estadual da Polícia Federal indicam que dois indivíduos foram apontados como prováveis participantes do ataque armado contra o grupo de indígenas. Um desses suspeitos foi detido em flagrante logo após o ocorrido, tendo sido reconhecido por uma das vítimas feridas durante o confronto. As investigações prosseguem com o objetivo de esclarecer a dinâmica completa dos acontecimentos e de identificar e responsabilizar todos os envolvidos, incluindo o segundo suspeito.
PF identifica suspeitos de ataque a indígenas no MS
O incidente chocante teve lugar no município de Iguatemi, localizado a aproximadamente 394 quilômetros da capital do estado, Campo Grande, e teve como alvo principal o grupo Guarani Kaiowá que ocupava a área conhecida como Pyelito Kue. O homem que foi preso em flagrante possui nacionalidade paraguaia e se autodeclara indígena. Conforme as apurações, ele é casado com uma mulher indígena brasileira e, em determinado período de sua vida, residiu na própria ocupação de Pyelito Kue, que se tornou o cenário deste lamentável confronto.
Apesar da confirmação da identificação dos dois suspeitos pela Polícia Federal, as suas identidades não foram divulgadas publicamente até o momento. Também não foi especificado se o segundo suspeito já se encontra sob custódia das autoridades. O avanço nas investigações foi significativamente impulsionado pela pronta atuação das equipes da PF e do Instituto de Criminalísticas, que foram deslocadas para atender a ocorrência. Durante a perícia no local do ataque, foram apreendidas duas espingardas calibre 12, que, segundo informações, eram utilizadas por seguranças privadas de uma fazenda da região. Além das armas de fogo, cápsulas de munição e material biológico foram coletados e serão submetidos a análises periciais detalhadas, visando à obtenção de mais provas contundentes.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) emitiu uma grave denúncia, afirmando que o ataque envolveu ao menos 20 homens, todos eles fortemente armados. A agressão foi diretamente direcionada aos indígenas Guarani Kaiowá que participam do processo de retomada da área de Pyelito Kue, que, por sua vez, integra a Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá I, no município de Iguatemi. O Cimi, que é um órgão indigenista vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), informou que a investida criminosa aconteceu por volta das 4h da madrugada. Muitos indígenas, incluindo mulheres e crianças, foram pegos de surpresa enquanto dormiam, evidenciando a brutalidade e a covardia da ação perpetrada pelos agressores.
Vítima fatal e feridos no confronto
O indígena Vicente Fernandes Vilhalva, de 36 anos, foi a vítima fatal do ataque, sendo tragicamente alvejado na cabeça. Ele não resistiu à gravidade dos ferimentos e faleceu no próprio local do incidente. Relatos de testemunhas indicam que os atiradores ainda tentaram levar o corpo de Vilhalva, mas foram impedidos pela corajosa resistência dos demais indígenas presentes. Além de Vicente Fernandes Vilhalva, outros quatro Guarani Kaiowá ficaram feridos, entre eles dois adolescentes e uma mulher, o que sublinha a violência indiscriminada do ataque e o risco iminente que a comunidade enfrentou.
Paralelamente à investigação do ataque aos indígenas, as autoridades policiais estão verificando a possível conexão entre uma segunda morte, a de um vigilante funcionário de uma empresa de segurança privada que atua na região, com o incidente em Pyelito Kue. Inicialmente, no domingo, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública chegou a emitir uma nota oficial correlacionando a morte do vigilante ao ataque contra os Guarani Kaiowá. Contudo, a responsável pela empresa de segurança à qual o vigilante era vinculado negou veementemente essa relação, afirmando que a morte ocorreu sob outras circunstâncias, conforme consta do atestado de óbito. Em seu comunicado, a empresa mencionou apenas um “grave incidente” ocorrido durante uma operação de escolta armada, sem fornecer mais detalhes específicos sobre o que de fato aconteceu com seu funcionário.
Funai exige rigor nas investigações
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) reagiu de forma contundente ao ataque, emitindo uma nota oficial na qual exigiu uma investigação rigorosa e célere por parte das autoridades competentes. A fundação também cobrou uma ação conjunta e eficaz para combater os grupos de pistoleiros que, de forma preocupante, atuam na região. A Funai defende o fortalecimento da proteção dos indígenas e de seus territórios tradicionais, classificando como “inaceitável que indígenas continuem perdendo suas vidas por defender seus territórios”. O órgão ressaltou que o ataque ocorrido em Pyelito Kue se insere em um contexto mais amplo de retomada de áreas que são legitimamente reivindicadas pelas comunidades como territórios ancestrais. Para mais informações sobre as ações e comunicados da fundação, consulte o site oficial da Funai, que detalha suas iniciativas em defesa dos povos indígenas.
As retomadas por parte dos indígenas Guarani Kaiowá na região de Mato Grosso do Sul têm se intensificado nos últimos meses, impulsionadas por objetivos claros e urgentes. O principal propósito dessas ações é frear a pulverização indiscriminada de agrotóxicos em áreas próximas às comunidades, prática que tem gerado graves problemas de saúde entre a população indígena, além de provocar insegurança hídrica e alimentar, comprometendo a subsistência. A Funai enfatiza a urgência da situação, lembrando que este crime lamentável ocorre justamente em um período em que líderes e especialistas de todo o mundo estão reunidos para debater a importância vital dos povos indígenas na mitigação das mudanças climáticas, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). A atuação desses grupos é fundamental para a preservação ambiental e a sustentabilidade global, conforme amplamente discutido em fóruns internacionais.
A área de Pyelito Kue, palco deste trágico ataque, faz parte da Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá I e, conforme relatos das comunidades, está sobreposta à Fazenda Cachoeira. Os indígenas retomaram essa região em 3 de novembro, e a comunidade afirma esperar há cerca de 40 anos pela conclusão do processo de demarcação de suas terras, um direito fundamental garantido pela Constituição Brasileira e por tratados internacionais de direitos humanos.
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Este grave incidente reforça a necessidade urgente de atenção e ação decisiva por parte das autoridades brasileiras na proteção dos direitos, da vida e dos territórios dos povos indígenas. Para acompanhar mais notícias sobre política, questões sociais, direitos humanos e investigações em curso no Brasil, continue navegando em nossa editoria de Política e mantenha-se informado.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil






