Em um movimento que transcendeu as divisões partidárias, políticos impulsionam posts sobre desfile de Lula na Sapucaí, gerando ampla repercussão nas redes sociais. Tanto parlamentares bolsonaristas quanto petistas investiram recursos para amplificar a visibilidade de publicações relacionadas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que prestou homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval de 2026. A ação revela uma estratégica utilização das plataformas digitais para pautar o debate público em torno do evento.
A intensidade do fenômeno foi revelada por um levantamento detalhado do portal UOL, que identificou a atuação de, no mínimo, 30 políticos que impulsionaram conteúdos sobre o tema entre os meses de janeiro e fevereiro. A pesquisa abrangeu um total de 34 postagens difundidas no Facebook e no Instagram, envolvendo um espectro diversificado de agentes políticos: deputados federais, deputados estaduais, vereadores e secretários. A maioria esmagadora dessas publicações, contudo, manifestou um teor crítico em relação à homenagem prestada ao chefe do Executivo nacional.
Políticos impulsionam posts sobre desfile de Lula na Sapucaí
Os pontos de contestação mais frequentes nas publicações impulsionadas giravam em torno do questionamento sobre o repasse de recursos públicos à Acadêmicos de Niterói. A escola de samba foi contemplada com R$ 1 milhão da Embratur, montante idêntico ao destinado às demais agremiações que compõem o Grupo Especial, fato que gerou controvérsia e foi amplamente explorado pelos críticos. Paralelamente, uma parcela significativa dos parlamentares formulou acusações de propaganda eleitoral antecipada, um delito eleitoral que poderia impactar o cenário político vindouro. Adicionalmente, a representação alegórica de “neoconservadores em conserva”, idealizada para satirizar famílias conservadoras durante o desfile, também se tornou alvo de veementes críticas por parte de alguns políticos.
Entre os nomes que se destacaram no impulsionamento de conteúdos críticos, figuram ao menos sete deputados federais. Carlos Jordy (PL-RJ), por exemplo, destinou aproximadamente R$ 500 para expandir o alcance de um trecho de entrevista onde ele próprio acusava a escola de samba de praticar propaganda antecipada em favor de Lula. Questionado, o parlamentar fluminense assegurou que utilizou recursos próprios para custear a ação digital. Outra figura proeminente foi Júlia Zanatta (PL-SC), que celebrou publicamente o rebaixamento da escola de samba para o grupo de acesso, aproveitando a ocasião para manifestar seu desejo de “rebaixar o Lula e o PT”. A deputada catarinense informou, por meio de sua assessoria, que o investimento foi de R$ 63,86, também proveniente de fundos pessoais.
Do outro lado do espectro político, ao menos cinco parlamentares petistas também recorreram ao impulsionamento de posts para defender a homenagem ao presidente. O ministro do Desenvolvimento Agrário e deputado federal, Paulo Teixeira (PT-SP), investiu R$ 174,76 em duas publicações que apoiavam o desfile. Em uma delas, ele contra-argumentou as críticas proferidas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na outra postagem, o ministro abordou a ação protocolada no Tribunal Superior Eleitoral pela senadora Damares Alves (Republicanos), que visava investigar suposta propaganda eleitoral antecipada. Em depoimento ao UOL, Teixeira reiterou que os gastos foram cobertos com recursos próprios e justificou a iniciativa pela necessidade de “ampliar o alcance das informações” diante de “críticas e interpretações equivocadas” sobre o tributo a Lula na Sapucaí, percebendo uma exploração política do tema.
A repercussão do impulsionamento não se restringiu ao âmbito parlamentar, alcançando até mesmo o Palácio do Planalto. Em entrevista à colunista Daniela Lima, Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, expressou a preocupação do governo com a situação. Ele informou que o governo federal está avaliando a possibilidade de acionar a Justiça Eleitoral para que seja apurada a suspeita de que adversários estariam remunerando o impulsionamento de postagens contendo ataques diretos ao presidente da República. Tal medida sublinha a seriedade com que a administração percebe a manipulação do debate público digital.

Imagem: noticias.uol.com.br
Diversos parlamentares procurados afirmaram que não fizeram uso de verba pública para custear essas campanhas nas redes sociais. Além dos já mencionados Jordy e Zanatta, os deputados Júnior Cardoso (PRD-SC), Ismael dos Santos (PSD-SC), Márcio Gualberto (PL-RJ) e Verônica Lima (PT-RJ) declararam ter utilizado exclusivamente recursos próprios. O portal UOL tentou contato com os demais políticos cujos posts foram impulsionados, buscando esclarecimentos sobre a origem dos recursos e os valores exatos investidos, mas não obteve resposta até a publicação da matéria original. É importante ressaltar que a plataforma Meta fornece apenas uma estimativa dos valores aplicados nos impulsionamentos, o que impede a determinação precisa do montante total gasto por cada parlamentar, limitando a análise a faixas de valores.
A lista de envolvidos no impulsionamento evidencia a amplitude da mobilização: Deputados federais como Allan Garcês (PP-MA), Carla Dickson (União-RN), Ismael dos Santos (PSD-SC), Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF) e Ricardo Guidi (PL-SC) figuram entre os que impulsionaram, com gastos que variaram de menos de R$ 100 a R$ 499. No âmbito estadual, nomes como Alexandre Amaro (Republicanos-PR), Ana Caroline Campagnolo (PL-SC), Cairo Salim (PSD-GO), Emerson Stein (MDB-SC), Junior Cardoso (PRD-SC), Maurício Peixer (PL-SC), Márcio Gualberto (PL-RJ), Renan Jordy (PL-RJ) e Teonilio Barba (PT-SP) também investiram, geralmente valores inferiores a R$ 200. Vereadores de diversas cidades, como Aglayson (PT-CE) de Fortaleza e Brandel Junior (PL-SC) de Joinville, até figuras em outros cargos, como Anderson Moraes (PL-RJ), secretário de Ciência e Tecnologia do RJ, e Paulo Teixeira (PT-SP), ministro do Desenvolvimento Agrário, integraram essa complexa teia de engajamento digital.
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A análise do impulsionamento de posts sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Lula revela uma faceta estratégica e muitas vezes polarizada do uso das redes sociais na política brasileira. Seja para criticar a aplicação de verbas públicas e a suposta propaganda eleitoral antecipada, ou para defender a homenagem e combater narrativas consideradas desinformadoras, políticos de diferentes ideologias demonstram a importância atribuída à visibilidade digital. Continue acompanhando nossas análises políticas em Hora de Começar para se manter informado sobre os desdobramentos desses e outros temas relevantes no cenário nacional.
Crédito da imagem: PABLO PORCIUNCULA/AFP







