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Priorização na Comunicação Interna: O Desafio da Inflação de Prioridades

DP E RH

A constante questão “Se tudo é prioridade, o que verdadeiramente não pode aguardar?” revela uma lacuna crítica na experiência do colaborador: a escassez de priorização, especialmente na comunicação interna. Apesar do discurso crescente sobre prioridades, discernir o que deve vir em primeiro lugar tornou-se um desafio. Esta dinâmica tem levado à inflação de prioridades, um termo que a mídia internacional cunhou para descrever o paradoxo de um excesso de demandas urgentes que disputam atenção.

Análises aprofundadas demonstram que frequentemente há uma confusão entre a abundância de prioridades e uma abordagem dinâmica e estratégica. A categorização indiscriminada de tarefas como “urgentes” pode sugerir agilidade, mas na realidade, frequentemente sinaliza uma inaptidão para selecionar e ordenar as ações. Tal cenário, onde a percepção de urgência ofusca a real importância, é amplamente discutido no âmbito da gestão estratégica e da produtividade. Para aprofundar-se em como lidar com múltiplas demandas e definir o que realmente merece atenção, especialistas de instituições renomadas, como a Harvard Business Review, oferecem perspectivas valiosas sobre como priorizar quando tudo parece urgente. Quando a priorização na comunicação interna carece de critérios definidos, o canal informativo perde sua função orientadora, transformando-se em um mero repositório de emergências. Em meio a uma torrente de mensagens e alertas simultâneos, a “inflação de prioridades” escancara a incapacidade organizacional de estabelecer o que é realmente relevante e justificar essa escolha.

A maneira como as informações são transmitidas, juntamente com seu conteúdo, possui um vasto potencial para guiar as decisões, contanto que haja uma hierarquia de importância bem definida. Sem essa clareza, o volume de dados provoca uma sobrecarga cognitiva, dispersa a atenção dos profissionais e os força a decifrar mensagens ambíguas, em vez de serem munidos de uma orientação explícita.

Priorização na Comunicação Interna: O Desafio da Inflação de Prioridades

Estratégia, em sua essência, implica definição – escolher o que é imediato e o que pode aguardar. Portanto, o acúmulo de prioridades aponta para uma lacuna estratégica. No contexto da comunicação interna, a ausência de qualquer tipo de priorização a converte em um vetor de ansiedade, reverberando ruídos de diversas frentes que raramente se conectam. Cada departamento surge com sua pauta inadiável, prazos irredutíveis e a exigência de máxima visibilidade. Gerenciar essa quantidade é sempre complexo, mas Marcela Villas Bôas, gerente de Comunicação da Multiplan, sugere que a solução reside no aprimoramento da governança. Essa falha compromete a construção de sentido para os colaboradores, argumenta.

Em vez de meramente reagir às demandas, a comunicação interna necessita ancorar-se em critérios genuinamente estratégicos, com transparência sobre o que será comunicado, quando e por quê. “Com processos bem delimitados, conseguimos estabelecer critérios objetivos e uma atuação mais estratégica”, afirma Marcela. É vital salientar que a definição de critérios não engessa a comunicação; ao contrário, eleva a qualidade do conteúdo e sua pertinência. Diante disso, o que se transforma com a governança e a priorização na comunicação interna? Segundo Marcela, o tipo de questionamento que guia a decisão muda. A pergunta automática “Onde vamos divulgar?” é substituída por um filtro estratégico: “Isso realmente precisa ser divulgado, para quem e com qual nível de destaque?”. Este processo também exige uma revisão do ecossistema de canais, definindo o propósito de cada um e evitando republicações mecânicas em todos os veículos sem uma análise prévia. Tal padrão, cômodo e usual, culmina no que ela denomina “infoxicação”, um termo que sintetiza o excesso de informações e a consequente perda de foco.

Do ponto de vista da gestão de pessoas, observamos um cenário similar, impulsionado por uma comunicação fragmentada e pela ausência de priorização por parte da alta direção. Em ambientes multifacetados, a ocorrência simultânea de eventos é natural, mas a equivalência de urgência não é. Bruno Junqueira, diretor de Recursos Humanos da Petlove, ressalta o risco inerente à falta de contraste de relevância. Se todas as mensagens chegam com o mesmo peso simbólico, o que é, de fato, mais urgente? O efeito disso, segundo ele, é a perda de foco no que impulsiona o negócio, fazendo com que as equipes respondam às demandas à medida que surgem, muitas vezes sem parâmetros claros ou contexto suficiente para decidir o que vem primeiro.

É neste contexto que a comunicação interna pode atuar como um diferencial. Em vez de disputar a atenção, ela possui o alcance para direcionar decisões sem alimentar ambiguidades. “Na Petlove, trabalhamos com uma hierarquização clara das mensagens e entendemos que o tom da comunicação e os canais escolhidos são peças-chave para sinalizar prioridade”, destaca Junqueira. Isso capacita os times a compreenderem, desde o primeiro contato, a importância de cada tópico. Na prática, isso envolve categorizar as mensagens, combinando tom, canal e recorrência, reconhecendo a relevância de cada tema. “Comunicar com clareza é, também, uma forma de construir confiança, mostrando que existe escolha, direção e intencionalidade por trás do que é colocado em destaque”, afirma Bruno.

No entanto, se a prioridade é uma escolha, quem, de fato, está decidindo o que chega ao colaborador? Para Giusepe Giorgi, diretor de RH da Pirelli para a América Latina, a declaração de tudo como prioritário muitas vezes revela uma evasão decisória, transferindo o ônus da escolha da organização para o receptor. Ele é enfático ao afirmar que tratar todas as demandas como prioritárias evidencia uma dificuldade em ordenar decisões e traduzi-las em escolhas precisas. Isso, conforme Giusepe, indica que a questão transcende um simples problema de comunicação, sendo, na verdade, um desafio decisório. Por essa razão, o trabalho interno para aprimorar a tomada de decisão sobre prioridades é crucial. Não por acaso, a ausência de hierarquia nas mensagens acarreta a perda de hierarquia de contexto. As solicitações chegam desprovidas da moldura necessária para orientar o julgamento – e é o contexto que permite tomar boas decisões sem a necessidade de questionar a cada passo. Giusepe associa a hierarquização comunicacional à construção de um sentido coletivo: com uma ordem de importância clara, as pessoas compreendem não apenas o que fazer, mas por que agir naquele momento. Sem isso, a execução ocorre de forma fragmentada. Em suma, prioridade não comunicada é, efetivamente, prioridade inexistente.

A estratégia para combater a “inflação de prioridades” passa por reinserir o contexto nas escolhas. Na comunicação, não se trata de falar menos, mas de explicar com mais eficácia. O ponto de virada surge quando a mensagem deixa de ser um mero aviso para refletir decisões, explicitando o impacto e a expectativa de ação. Como transformar isso em prática? Na Petlove, de acordo com Bruno Junqueira, o caminho começa tratando a comunicação interna como um componente fundamental da arquitetura de decisão diária, e não apenas como uma fase final de divulgação. Essa abordagem, que leva à priorização das mensagens, pode auxiliar as pessoas a fazerem escolhas assertivas no cotidiano. Ele detalha um modelo baseado em alinhamentos periódicos, ciclos estratégicos e uma conexão direta com métricas e objetivos. A lógica é clara e potente: quando a mensagem explica o “porquê”, ela mitiga a ansiedade operacional. “Ao explicar não só o que está sendo feito, mas, principalmente, por que aquilo importa, ela reduz a sensação de urgência constante e traz mais segurança para a tomada de decisão”, afirma Junqueira. Há, ainda, um elemento mais refinado e frequentemente negligenciado: o tom. Nem toda mensagem pode ter a mesma sonoridade, assim como nem toda pauta deve carregar a mesma intensidade. Bruno enfatiza a importância dessa calibração: “evitamos usar sempre o mesmo tom para todos os temas. Parece detalhe de linguagem, mas é pura engenharia de foco”. Este código ajuda o colaborador a organizar tempo, energia e esforço, recursos que a inflação de prioridades tende a corroer primeiro. “Quando há narrativa, cadência e coerência entre o que se diz e o que se pratica, a comunicação passa a funcionar como um apoio real, oferecendo clareza, previsibilidade e senso de direção e colaboração”, resume Bruno.

Todavia, contexto e tom não se sustentam sem uma estrutura robusta. É aqui que a governança retorna ao centro da discussão, agora como um método operacional. Marcela Villas Bôas, da Multiplan, reforça que a priorização na comunicação interna depende de processos claros para avaliação de demandas, critérios de entrada e canais com funções bem definidas. Ela faz um alerta crucial: a área não deve atuar apenas como receptora passiva de pedidos. Precisa assumir uma posição ativa junto a lideranças e tomadores de decisão para identificar temas estratégicos antes que se tornem solicitações urgentes. O planejamento é, também, uma forma de reduzir urgências fabricadas. “É preciso estar próximo a fim de mapear assuntos estratégicos previstos, estruturando um planejamento prévio”, pontua.

Um exemplo que ela menciona ilustra essa lógica de forma concreta. Ao discorrer sobre a Semana do Compliance, previamente planejada na Multiplan, Marcela descreve uma campanha estruturada como uma série de streaming, com atores encenando dilemas reais, convites simbólicos e ações presenciais. “Cada colaborador recebeu um convite simbólico, com pipoca na mesa, reforçando a ideia de assistir aos episódios, entre outras ações de ativação”, relata. Ao transformar o conteúdo em uma experiência imersiva e engajadora, a comunicação evidenciou o peso estratégico do tema. Priorizar, nesse cenário, significou conceber de forma mais elaborada o que seria transmitido. “Sabíamos que, além de ser um assunto denso, ele demanda sensibilização, aprendizado e, muitas vezes, mudança de mentalidade por parte do público”, complementa, justificando a inovação no formato.

Priorização na Comunicação Interna: O Desafio da Inflação de Prioridades - Imagem do artigo original

Imagem: melhorrh.com.br

Assim como o conteúdo em si transmite prioridade, a própria arquitetura dos canais funciona como um sinalizador de relevância. Em um sistema de comunicação interna com priorização nítida, o “onde” é tão vital quanto o “quê”. Ao descrever o modelo adotado na Pirelli, Giusepe Giorgi destaca exatamente essa dimensão: a geografia informacional. Não se trata apenas de publicar, mas de posicionar a mensagem no local e com a importância adequados. “Cada veículo carrega, por si, um grau de urgência já reconhecido pelas pessoas. Temos materiais que vão para mural ou TV interna, mais genéricos ou de médio prazo, e comunicados de urgência afixados junto aos relógios de ponto. As pessoas sabem o grau de importância de cada veículo”, explica. Nesse arranjo, o próprio canal comunica a prioridade. Essa classificação visível minimiza o ruído e instaura uma previsibilidade interpretativa. Quando o colaborador aprende a decifrar a relevância da mensagem pelo local onde ela é veiculada, a decisão cotidiana torna-se mais ágil e menos onerosa do ponto de vista cognitivo. Giusepe sintetiza o papel da área sem rodeios: “a comunicação interna cumpre o papel fundamental de filtro estratégico, e não apenas um canal de disseminação”. E filtro, na prática, é a aplicação de uma escolha. Como ele complementa, essa estrutura reduz o ruído, confere previsibilidade e protege as pessoas de uma lógica de urgência incessante que pode comprometer a qualidade do trabalho e o bem-estar.

Ainda persistem organizações que erroneamente creem que, ao delegar o poder decisório ao colaborador, estão conferindo-lhe maior autonomia. Contudo, autonomia desprovida de referências é, na prática, um abandono. A verdade é que não basta solicitar que as equipes decidam mais; é imprescindível oferecer parâmetros claros para a tomada de decisão. Na realidade organizacional, a ausência de priorização na comunicação interna leva as pessoas à hesitação. Não surpreendentemente, Marcela Villas Bôas, da Multiplan, observa que essa conduta costuma gerar insegurança e desalinhamento, fatores que minam a autonomia. “Elas passam a ter mais dificuldade para assumir responsabilidades com confiança”, salienta. Assim, sem saber onde concentrar energia e atenção, o colaborador age, mas com baixa confiança decisória. Por essa razão, na Multiplan, a comunicação interna – com a priorização devidamente estabelecida – é intrinsecamente conectada a valores, cultura e direção do negócio. O objetivo, segundo ela, é forjar uma coerência interpretativa entre diferentes áreas e regiões. Como ela resume, quando valores e diretrizes são comunicados de forma consistente, as decisões fluem mais naturalmente.

A ligação entre relevância e critério também não é meramente abstrata. Marcela descreve que cada mensagem é avaliada por três eixos: aderência ao negócio, alinhamento com os valores e impacto nas pessoas. Quanto maior essa convergência, maior a visibilidade comunicacional. Dessa forma, nem tudo que é novo é prioritário, assim como nem tudo que é urgente é central. “Esses critérios ajudam a avaliar o impacto real da comunicação na organização e o nível de engajamento necessário dos colaboradores”, explica, enfatizando que o que realmente importa é a conexão com o momento estratégico da companhia e o efeito palpável na vida das equipes. Observe-se como isso se manifesta na prática. Segundo ela, projetos diretamente vinculados ao momento atual da empresa, como inaugurações de empreendimentos, a evolução do aplicativo Multi e a divulgação de resultados, recebem maior destaque. Já as alterações de processo que perpassam diversas áreas exigem uma comunicação mais orientativa do que promocional. Assim, as pessoas conseguem compreender não apenas o que mudou, mas como isso afeta sua rotina.

Dessa forma, a comunicação interna exerce um impacto profundo na gestão de pessoas. No contexto da Petlove, o CHRO Bruno Junqueira reitera que a ausência de um contraste claro de prioridades compromete diretamente a autonomia das equipes. Quando tudo parece igualmente importante, decidir torna-se um risco desnecessário; é mais simples executar o que surge primeiro do que hierarquizar. Ele associa diretamente a clareza da prioridade à segurança decisória: “acreditamos que autonomia só existe quando as prioridades estão bem definidas”. Essa declaração é fundamental ao evidenciar que autonomia não é sinônimo de independência total. O efeito prático dessa combinação desfavorável manifesta-se no comportamento diário. Sem uma comunicação interna com priorização consistente, as pessoas tendem a buscar mais validação e a reduzir a iniciativa. Não por falta de capacidade, mas por carência de clareza, observa. Diante disso, o investimento principal não recai apenas na mensagem, mas em rituais, treinamentos e alinhamentos, além do uso consciente dos canais. O objetivo é desenvolver o que ele chama de “senso de urgência saudável”, aquele que distingue a ação imediata do acompanhamento estruturado. “Isso ajuda os times a tomar decisões mais bem embasadas e desenvolver um senso de urgência mais saudável”, afirma.

Mas, afinal, o que realmente eleva uma pauta ao status de prioritária? Aqui, o critério surge como eixo central. Na Petlove, conforme Bruno, a priorização das pautas internas origina-se de referências explícitas, e não da pressão do momento. Fatores como impacto nos objetivos estratégicos, efeito concreto no dia a dia, irreversibilidade da decisão e horizonte de tempo são considerados parâmetros de análise. Há um teste decisivo: uma pauta só se torna verdadeiramente prioritária quando explicita qual decisão ou ação se espera a partir daquela comunicação. Se não há uma ação esperada, há apenas informação a ser compartilhada no seu devido tempo.

Sob uma perspectiva estrutural, Giusepe Giorgi, diretor de RH da Pirelli, adiciona uma camada importante: a visibilidade da hierarquia é o que transforma a autonomia em uma prática sustentável. Na prática, quando a organização explicitamente define a ordem de importância das mensagens, ela oferece parâmetros decisórios claros e fortalece a confiança. Nas suas palavras, “ao tornar essa hierarquia mais visível, a organização fortalece a autonomia real das equipes”. Isso, como ele bem destaca, eleva a qualidade das escolhas, aumenta o senso de responsabilidade individual e consolida uma cultura de confiança. Quanto aos critérios para a priorização, ele acredita que a comunicação interna deve considerar o impacto estratégico, o risco para o negócio, as exigências regulatórias, o impacto nas pessoas e a interdependência entre iniciativas. Não é apenas o que importa, mas o que gera consequências. “A priorização também deve levar em conta que os objetivos da empresa devem coincidir em grande parte com os objetivos pessoais, para que as informações tenham relevância”, complementa Giusepe. Assim, quando a conexão entre pauta, objetivo corporativo e decisão esperada se torna clara para o colaborador, a comunicação passa a orientar comportamentos. Essa é a distinção entre comunicar em grande volume e comunicar para decidir com maior eficácia.

Em um cenário onde a comunicação estratégica se torna cada vez mais crucial, o Prêmio Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores (PEMCC) chega à sua 4ª edição. Este reconhecimento anual visa celebrar as organizações que elevam a comunicação interna a uma vantagem competitiva inquestionável, posicionando-a no centro do protagonismo no mercado. É uma oportunidade ímpar para as empresas inscreverem seus cases e demonstrarem como engajam e inspiram seus colaboradores. O PEMCC oferece 20 categorias diversas para que as empresas possam exibir seu impacto, abrangendo desde “Influenciadores Internos” a “Memória Organizacional”, passando por “Gestão de Crise”, “Liderança Comunicadora” e “Campanha”, entre outras. Com tal variedade, certamente existe uma categoria ideal para cada projeto inovador. Ao participar, as organizações garantem presença no Banco de Cases gratuito, obtêm visibilidade nas plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação, recebem a newsletter mensal e têm a chance de integrar o Fórum Anual de Comunicação Interna. Neste fórum, é possível trocar experiências valiosas com os mais proeminentes nomes do setor e acompanhar a apresentação dos cases vencedores. Para efetivar a inscrição e fazer parte dessa iniciativa que molda o futuro da comunicação interna, acesse o site do PEMCC ou entre em contato com Ana Carolina Felizardo pelo WhatsApp: (32) 99150-1070. A construção do futuro da comunicação interna é pavimentada por aqueles que decidem participar ativamente.

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Em tempos de “inflação de prioridades”, a capacidade de escolher com sabedoria o que comunicar se estabelece como uma prática madura e fundamental tanto para o cuidado com as pessoas quanto para o sucesso da estratégia corporativa. Para mais insights sobre gestão, tendências do mercado e o papel estratégico da comunicação, continue lendo nossas análises em nossa editoria.

Crédito da imagem: Getty Images

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