Os protestos no Irã, que capturaram a atenção global e representaram um dos maiores desafios ao regime clerical desde a Revolução Islâmica de 1979, parecem ter sido amplamente contidos após uma intensa e letal repressão. Informações divulgadas por um grupo de direitos humanos e relatos de moradores locais indicam uma diminuição significativa das manifestações, enquanto a mídia estatal confirmou mais prisões na última sexta-feira (16 de janeiro), em um cenário de ameaças de intervenção por parte dos Estados Unidos.
A situação de escalada de tensões entre Teerã e Washington passou por momentos de intensa diplomacia. As repetidas ameaças do então presidente norte-americano, Donald Trump, de uma ação militar contra o Irã em apoio aos manifestantes, geraram temores que recuaram a partir da quarta-feira (14 de janeiro). Naquela ocasião, Trump anunciou que havia sido informado sobre a redução no número de mortes relacionadas à repressão dos protestos, um sinal de uma possível desescalada.
Protestos no Irã Recuam Após Forte Repressão
Aliados estratégicos dos Estados Unidos na região, como a Arábia Saudita e o Catar, desempenharam um papel crucial nesta semana, engajando-se em intensa diplomacia com a Casa Branca. O objetivo principal era dissuadir Washington de qualquer ataque, alertando sobre as severas consequências que tal intervenção poderia acarretar para a estabilidade regional e, em última análise, para os próprios interesses americanos, conforme revelou uma autoridade do Golfo.
Em um comunicado oficial, a Casa Branca reiterou que o Presidente Trump estava acompanhando de perto os acontecimentos no Irã. A nota acrescentou que tanto o presidente quanto sua equipe de segurança nacional emitiram um alerta claro a Teerã, indicando que haveria “graves consequências” caso o número de mortes vinculadas à repressão aos movimentos de contestação continuasse a aumentar. Esta postura demonstra a vigilância constante dos EUA sobre a crise humanitária e política no país persa.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, trouxe à tona uma informação relevante, afirmando que o Presidente Trump tinha conhecimento de que 800 execuções previamente programadas haviam sido interrompidas. Leavitt sublinhou ainda que o líder americano mantinha “todas as suas opções sobre a mesa”, indicando que, apesar de uma aparente diminuição nas mortes, a possibilidade de outras ações ainda não estava descartada, mantendo a pressão sobre o regime iraniano.
Os focos de descontentamento que impulsionaram os protestos no Irã surgiram em 28 de dezembro, inicialmente motivados por um aumento acentuado da inflação. A economia iraniana tem sido severamente impactada por uma série de sanções internacionais, gerando dificuldades significativas para a população. Contudo, rapidamente, as manifestações transcenderam a questão econômica e se transformaram em um dos maiores e mais complexos desafios já enfrentados pelo establishment clerical que detém o poder no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, questionando a legitimidade e a eficácia do governo.
A fluidez e a veracidade das informações provenientes do Irã foram severamente comprometidas por um apagão na internet imposto pelas autoridades, dificultando a obtenção de relatos independentes. No entanto, diversos moradores de Teerã, a capital iraniana, relataram que a cidade permaneceu tranquila desde o domingo anterior. Segundo esses testemunhos, observaram-se drones sobrevoando a capital, mas não havia sinais de qualquer tipo de protesto nas ruas nem na quinta-feira, nem na sexta-feira.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O grupo de direitos curdo-iraniano Hengaw, com sede na Noruega, reforçou as observações de calmaria, informando que nenhuma reunião de protesto foi registrada desde o último domingo. Em comentários direcionados à agência Reuters, o Hengaw destacou que “o ambiente de segurança permanece altamente restritivo” em todo o país. A organização também confirmou, através de suas “fontes independentes”, a presença massiva e ostensiva de forças militares e de segurança tanto nas cidades e vilas que foram palco de manifestações anteriores quanto em outras localidades que não registraram grandes eventos.
A percepção de tranquilidade não se limitou à capital. Outro residente de uma cidade localizada na região norte do país, às margens do Mar Cáspio, também descreveu as ruas como aparentemente calmas, corroborando a tendência de arrefecimento dos protestos no Irã em diversas áreas geográficas. É importante notar que todos os moradores que forneceram informações optaram por não ser identificados, citando sérias preocupações com sua segurança pessoal, um indicativo da repressão e do clima de intimidação prevalecente no país.
A repressão do governo iraniano, portanto, parece ter alcançado seu objetivo imediato de sufocar as manifestações de rua, ao menos temporariamente. A atuação das forças de segurança, aliada à interrupção de comunicações e à presença militar ostensiva, contribuiu para o atual cenário de calmaria. Contudo, a tensão subjacente, impulsionada por problemas econômicos e insatisfação com o regime, permanece como um fator crucial na dinâmica interna do país. Para aprofundar a compreensão sobre os desafios geopolíticos na região, é fundamental consultar fontes de notícias globais, como a cobertura da Reuters sobre o Oriente Médio, que oferece análises e reportagens detalhadas sobre o cenário.
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Em suma, os protestos no Irã, que mobilizaram milhares de pessoas contra a inflação e o governo, foram duramente reprimidos, levando a uma diminuição da intensidade das manifestações. A comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos e seus aliados, monitora de perto a situação, com advertências sobre as consequências da violência. Para continuar acompanhando os desdobramentos políticos e sociais no mundo, visite nossa editoria de Política e mantenha-se informado.
Crédito da Imagem: Rede Social/via REUTERS







