PSD Racha em Apoio a Lula: Kassab Busca Candidato Próprio

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A política brasileira testemunha um momento de intensa articulação no Partido Social Democrático (PSD), onde o PSD racha em apoio a Lula, enquanto seu presidente nacional, Gilberto Kassab, demonstra forte empenho em lançar uma candidatura própria à Presidência da República. Esta divisão interna expõe as tensões entre as estratégias nacionais da legenda e os interesses regionais, especialmente nas bancadas estaduais, que em grande parte já sinalizam apoio à reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A ambição de Kassab para o PSD é clara: posicionar o partido como uma força política capaz de concorrer ao mais alto cargo do país. No entanto, essa aspiração se choca com a realidade de diretórios estaduais, notadamente na região Nordeste, que já estabeleceram alianças estratégicas com o Partido dos Trabalhadores, visando a continuidade de projetos e a manutenção de estruturas de poder locais. A complexidade dessa equação reflete o cenário multifacetado da política nacional, onde acordos regionais frequentemente superam diretrizes partidárias centrais.

PSD Racha em Apoio a Lula: Kassab Busca Candidato Próprio

Gilberto Kassab tem sido vocal sobre o objetivo do PSD de apresentar um nome para a disputa presidencial, prometendo uma decisão até abril. Entre os potenciais candidatos citados pelo líder partidário estão os governadores Ratinho Junior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás). Este último, inclusive, filiou-se recentemente ao PSD, fortalecendo a base da sigla. Kassab também ventila a possibilidade de uma chapa pura, rememorando casos de sucesso dentro da legenda, como a reeleição do governador Ratinho Junior, que concorreu com um vice do próprio PSD, e a vitória do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que igualmente formou chapa com um membro do partido. Essas estratégias visam consolidar a identidade e a força eleitoral do PSD em diferentes níveis da federação.

O líder do PSD se esforça para projetar o partido como um fiador de uma “terceira via” política no Brasil, buscando alternativas aos polos tradicionais. Recentemente, Kassab anunciou a adesão de seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania ao PSD a partir de 4 de março, um movimento que amplia a representatividade da legenda nas assembleias legislativas. Além de Caiado, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, migrou do União Brasil para o PSD, consolidando a presença do partido em estados-chave. Essa série de filiações demonstra a capacidade de Kassab de atrair lideranças e fortalecer o arcabouço político do PSD, aumentando seu capital político para as próximas eleições.

Em um aceno a setores da direita, Kassab sinalizou apoio ao bolsonarismo, declarando que, em um eventual segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o PSD o apoiaria. Essa declaração, embora estratégica, acentua as nuances ideológicas dentro do partido e a busca por um posicionamento que possa transitar em diferentes espectros políticos, dependendo do cenário eleitoral. A movimentação busca garantir relevância em qualquer configuração de disputa presidencial.

A Contradição Regional e o Alinhamento com Lula

Apesar dos esforços de Kassab em expandir a influência do PSD e projetar uma candidatura própria, a realidade nos diretórios estaduais revela uma contradição. A divisão se acentua com diversos estados já alinhados à reeleição de Lula. Dirigentes partidários reconhecem, nos bastidores, que mesmo com o lançamento de um candidato próprio, o PSD careceria de unidade nacional para enfrentar o presidente petista. Esta falta de coesão interna é um obstáculo significativo para as ambições presidenciais da sigla.

O Nordeste, uma região de grande peso eleitoral para o PT e para o presidente Lula, é o epicentro desse alinhamento. Em vários estados da região, o PSD já sinaliza apoio ao petista, independentemente da decisão nacional sobre uma candidatura própria. Essa postura regional é estratégica para as lideranças locais, que priorizam as alianças que garantem a continuidade de seus projetos políticos e a manutenção de suas bases eleitorais. Para mais informações sobre o contexto político nacional, consulte o portal G1 Política.

A força do movimento pró-Lula no Nordeste é evidente em diversos estados:

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Imagem: noticias.uol.com.br

  • Bahia: O senador Otto Alencar (PSD) afirmou categoricamente que o partido “vai com Lula” no estado, assegurando que a aliança local está mantida em acordo com Gilberto Kassab.
  • Pernambuco: A liderança do PSD no estado é exercida por André de Paula, Ministro da Pesca e Aquicultura, que é um aliado declarado do presidente Lula.
  • Ceará: A sigla local demonstra alinhamento com o governador Elmano de Freitas (PT), reforçando a coalizão governista.
  • Sergipe: O governador Fábio Mitidieri (PSD) já tornou público seu apoio à candidatura de Lula.
  • Piauí: O PSD integra a base de apoio do governador Rafael Fonteles (PT), e o presidente Lula manifesta suporte ao deputado Júlio César (PSD) para o Senado, em uma chapa que incluiria Fonteles.
  • Alagoas: Luciano Amaral, uma das principais lideranças do partido no estado, também endossa o apoio a Lula.
  • Maranhão: Embora o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), mantenha uma posição neutra, ele é amplamente percebido como um potencial aliado do campo governista.

Divisões em Minas Gerais e São Paulo

A divisão interna do PSD não se restringe ao Nordeste, manifestando-se também nos dois maiores colégios eleitorais do país: Minas Gerais e São Paulo. Em Minas, o cenário é contrastante com o Nordeste, já que o PSD mineiro não trabalha pela reeleição de Lula.

No estado, o governador Romeu Zema (Novo) é cotado para deixar o cargo e se lançar como candidato à Presidência. Seu vice, Mateus Simões (PSD), já iniciou articulações para viabilizar sua própria candidatura ao governo estadual. Simões possui familiaridade com a ala bolsonarista, mantendo proximidade com figuras como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o que desenha um cenário de disputa complexo e polarizado. Além disso, Rodrigo Pacheco, atualmente no PSD, articula sua filiação ao União Brasil, movimento que, segundo interlocutores, está avançado e deve se concretizar em breve. A intenção de Pacheco é disputar o governo de Minas. Lula já expressou publicamente seu apoio a Pacheco em uma eventual candidatura em Minas, um estado crucial para suas ambições de reeleição.

Em São Paulo, o PSD busca manter sua influência ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Gilberto Kassab atua como secretário da Casa Civil no governo paulista e chegou a ser cogitado para a vice na chapa do governador. Atualmente, o vice-governador é Felício Ramuth, também do PSD, o que assegura à sigla uma posição estratégica na gestão estadual. Apesar da pressão do bolsonarismo para que Tarcísio se filie ao PL, integrantes do PSD reconhecem que, mesmo nesse cenário, a prioridade é garantir espaço político e a sobrevivência da legenda no maior colégio eleitoral do país.

Apesar de seu notável crescimento – o PSD conta hoje com seis governadores, a segunda maior bancada no Senado e foi o partido que mais elegeu prefeitos nas eleições de 2024 – dirigentes admitem que esse avanço numérico não se traduz em unidade política nacional. Essa realidade reforça o desafio que Gilberto Kassab enfrenta ao tentar consolidar uma candidatura presidencial própria em um partido com tamanha diversidade de interesses e alianças regionais.

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Em suma, o PSD se encontra em um dilema estratégico, equilibrando a ambição de lançar uma candidatura presidencial com as alianças regionais já consolidadas em torno da reeleição de Lula. A liderança de Gilberto Kassab busca construir uma “terceira via” e expandir a influência da legenda, mas a fragmentação interna impõe desafios significativos. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos dessa e de outras movimentações políticas importantes, continue acompanhando nossa editoria de Política.

Imagem: Raul Luciano – 9.jul.2025/Ato Press/Estadão Conteúdo

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