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Publicidade em IA Chega aos Chatbots e Gera Preocupações

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A expansão da publicidade em IA marca uma nova fronteira no universo digital, invadindo espaços antes considerados livres de anúncios. Historicamente, a presença publicitária se intensificou em diversos domínios, desde plataformas de streaming e experiências de compra online e físicas, até serviços de transporte por aplicativo, mensagens instantâneas e delivery de alimentos. Agora, assistentes de inteligência artificial desenvolvidos pelo Google e outras gigantes tecnológicas começam a integrar publicidade, sinalizando o início de uma fase experimental que promete moldar o futuro da monetização desses serviços.

Embora a maioria dos usuários não aprecie anúncios, a convivência com eles tornou-se uma realidade em muitas interações digitais. No entanto, a integração de anúncios em chatbots de inteligência artificial representa uma mudança significativa, pois tais ferramentas passaram a ser vistas como parceiras de conversa quase privadas e fontes confiáveis de informação, supostamente imunes a promoções pagas, spam e manipulação frequentemente encontrados em outras fontes online. A cautela das empresas de IA é evidente, mas a inserção de anúncios é um movimento inevitável para sustentar o desenvolvimento e a operação dessas tecnologias de alto custo.

Publicidade em IA Chega aos Chatbots e Gera Preocupações

Os primeiros indícios da inserção de publicidade no campo da inteligência artificial emergiram no domingo, 11 de janeiro, quando o Google, líder global em publicidade, informou seus anunciantes sobre a disponibilidade de um novo formato de anúncio no AI Mode, seu assistente de busca baseado em chatbot. Qualquer iniciativa do Google nesse segmento tem o potencial de estabelecer novos padrões de mercado. A empresa demonstrou essa funcionalidade através de um exemplo prático: um usuário que pesquisava o tapete ideal para sua sala de jantar no AI Mode poderia clicar em um dos tapetes sugeridos pelo chatbot e ser apresentado a um cupom de desconto de uma loja que pagou ao Google pela exibição da oferta.

Essa oferta promocional representa um anúncio, possivelmente um formato engenhoso, projetado para atrair o usuário com um benefício direto. O Google já vinha testando diversos formatos de anúncios no AI Mode há meses, bem como nos resumos gerados por IA que aparecem no topo de vários resultados de busca. A empresa assegura que os cupons pagos por anunciantes não influenciam as informações fornecidas pela inteligência artificial, e que seu propósito é oferecer aos usuários “acesso a uma oferta exclusiva de um produto pelo qual eles já demonstraram interesse”. Apesar dos testes, a probabilidade de um usuário comum ter encontrado esses anúncios no AI Mode ou nos resumos de busca com IA ainda é baixa, dado o volume massivo de bilhões de pesquisas diárias que permite ao Google testar discretamente novos formatos publicitários.

O Impacto da Publicidade nos Assistentes de IA

O Google não será a única empresa a integrar publicidade em suas ferramentas de inteligência artificial. De acordo com um relatório de dezembro do site The Information, a OpenAI, criadora do ChatGPT, também explora a possibilidade de introduzir anúncios em sua plataforma. Um executivo da empresa comentou no X que, se a OpenAI avançar com anúncios, adotará uma “abordagem cuidadosa”, com o objetivo de “respeitar a confiança” que os usuários depositam no ChatGPT. A Perplexity, outra empresa de busca com IA, havia recuado de testes iniciais com anúncios no ano passado, mas continua “experimentando com anunciantes que priorizam os usuários e a forma como eles usam a internet hoje”. É importante notar que o The Washington Post, fonte desta notícia, possui parcerias com a OpenAI e a Perplexity.

A Meta, por sua vez, já se autorizou a utilizar dados compartilhados com seu bot para direcionar anúncios no Instagram e Facebook, embora não exiba publicidade diretamente dentro do chatbot Meta AI. Nate Elliott, analista da consultoria eMarketer, ressalta que as empresas de IA navegam em um terreno delicado. O mercado global de publicidade, avaliado em aproximadamente US$ 1 trilhão anualmente, poderia ser crucial para financiar os custos exorbitantes associados ao desenvolvimento e manutenção de sistemas de IA. Por essa razão, as empresas geralmente são discretas sobre seus planos de monetização através de anúncios. “Elas precisam começar a gerar receita com esses investimentos, mas a inserção de anúncios, algo que os usuários geralmente evitam, cria o risco de afastá-los”, explica Elliott.

A forma como os anúncios em IA se desenvolverão ainda está em aberto, e podem não ser drasticamente diferentes da publicidade online já existente. Por exemplo, o Google já experimentou com promoções pagas similares aos resultados “patrocinados” das buscas tradicionais. Se um usuário utiliza o AI Mode para criar um site para um pequeno negócio, a empresa admite a possibilidade de cobrar para exibir anúncios de softwares de criação de sites, uma abordagem que parece lógica e alinhada às expectativas do usuário.

Publicidade em IA Chega aos Chatbots e Gera Preocupações - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

Contudo, é fácil prever cenários onde a publicidade pode se tornar intrusiva ou desconfortável. Isso é especialmente relevante em chatbots que operam como espaços pessoais íntimos e armazenam grandes volumes de dados privados dos usuários. A interrupção de uma conversa pessoal, como um diálogo com uma “namorada virtual”, por um “oferecimento da Coca-Cola”, ou a exibição de um anúncio de um medicamento ao pedir conselhos sobre sintomas de menopausa — o que poderia ser interpretado como uma sugestão tendenciosa e paga — são exemplos de como a publicidade pode minar a confiança e a privacidade. Tais situações podem gerar uma forte reação negativa dos usuários.

Elliott projeta que empresas menores provavelmente avançarão mais agressivamente com anúncios em IA ainda neste ano. Em contraste, gigantes como Google e OpenAI devem prosseguir com testes mais cautelosos antes de implementar estratégias de monetização mais robustas em 2027. Diante de uma possível rejeição generalizada dos usuários, o analista aposta que a maioria das empresas oferecerá a opção de evitar a publicidade através de uma assinatura paga, transferindo o custo para o usuário em troca de uma experiência livre de interrupções.

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Em suma, a chegada da publicidade aos chatbots de inteligência artificial representa um ponto de inflexão na interação humana com a tecnologia. Enquanto as empresas buscam monetizar seus vastos investimentos em IA, o desafio reside em equilibrar a necessidade de receita com a manutenção da confiança e da privacidade do usuário. A evolução dos modelos de anúncios neste novo ecossistema definirá se a publicidade se integrará de forma útil ou se enfrentará resistência. Para se manter atualizado sobre as últimas tendências e análises do mercado de tecnologia e suas implicações, continue acompanhando nossa editoria de Análises e descubra como a inteligência artificial continua a remodelar nosso mundo.

Crédito da imagem: Idrees Mohammed – 5.jan.26/AFP