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Saneamento Guarujá: Falta de Água e Esgoto Preocupam Após Virose

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A questão do saneamento em Guarujá, no litoral de São Paulo, ressurgiu com força um ano após a região ser palco de um surto de virose gastrointestinal. Moradores e comerciantes da cidade relatam persistentes problemas de abastecimento de água e falhas no sistema de tratamento de esgoto, gerando preocupação e exigindo respostas das autoridades competentes.

Em 10 de janeiro de 2025, enquanto banhistas aproveitavam um dia ensolarado na Praia da Enseada – local apontado como impróprio para banho em boletim da Cetesb de 9 de janeiro –, os desafios da infraestrutura local se faziam sentir. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) emitiu um pedido de “desculpa” pelos transtornos relacionados à falta d’água, mas refutou as alegações de falhas em sua rede de esgotamento sanitário.

Saneamento Guarujá: Falta de Água e Esgoto Preocupam Após Virose

Desde dezembro de 2025 e intensificando-se na virada do ano, bairros em Guarujá têm registrado baixa pressão, fluxo de água fraco nas torneiras e interrupções no fornecimento em diversas horas do dia, incluindo períodos matutinos. A população local afirma que o problema é recorrente ao longo do ano, mas atinge seu ponto mais crítico durante a alta temporada, quando o fluxo turístico aumenta significativamente. Algumas áreas, inclusive próximas à orla, enfrentam longos períodos sem abastecimento, obrigando os residentes a buscar alternativas.

Um exemplo dramático é a Praia do Tombo, que, de acordo com relatos, ficou aproximadamente 30 dias sem água. José Manoel Ferreira Gonçalves, engenheiro civil e presidente da Associação Água Viva, informou que os moradores da região tiveram que recorrer ao uso de caminhões-pipa para suprir suas necessidades básicas. Bairros como Santo Antônio também foram impactados por essa escassez, levando muitos a utilizar água mineral até mesmo para tarefas mínimas, conforme expressou Gonçalves.

Causas Apontadas e Ações Legais

A Associação Água Viva aponta a carência de reservatórios adequados como a principal causa do desabastecimento crônico. O projeto da Cava da Pedreira, considerado uma solução fundamental para a reserva de água na área, teve seu edital de construção suspenso pela Sabesp em 2023 e permanece inativo.

Diante da complexidade dos problemas, a associação acionou o Ministério Público, apresentando duas ações civis públicas. O objetivo é cobrar da prefeitura e da Sabesp a tomada de providências efetivas, incluindo a intensificação da fiscalização e a apresentação de cronogramas claros para a realização de obras essenciais. Entre as denúncias, destaca-se o lançamento irregular de esgoto nas praias, um problema que ameaça a saúde pública e o meio ambiente.

Poluição no Litoral e o Risco para a Saúde

O grupo de moradores também relata que há esgoto chegando diretamente ao mar em várias praias da cidade. As praias da Enseada, Pernambuco, Pitangueiras e Tombo seriam as mais afetadas por esse tipo de ocorrência, segundo a Associação. Em Pitangueiras, residentes afirmam observar pontos visíveis de despejo de esgoto. Já na Praia do Tombo, a situação é ainda mais contraditória, pois, apesar de possuir o selo Bandeira Azul – uma certificação internacional de qualidade da água concedida pela ONG dinamarquesa FEE (Foundation for Environmental Education) – os moradores descrevem a água com um forte odor, indicativo de contaminação. Em 10 de janeiro de 2025, uma denúncia de esgoto na Praia do Tombo foi amplamente divulgada.

É fundamental recordar o contexto do surto de infecção gastrointestinal que assolou a região na virada de 2024 para 2025. Naquela ocasião, foram reportados sintomas como náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais intensas. A Secretaria de Saúde de São Paulo confirmou a presença de norovírus em amostras de fezes humanas coletadas não apenas em Guarujá, mas também em Praia Grande. Este vírus, conhecido por causar gastroenterite, pode ser transmitido por água e alimentos contaminados, reforçando a gravidade dos problemas de saneamento. Para aprofundar a compreensão sobre os desafios de saneamento no Brasil, um artigo detalhado da CNN Brasil oferece uma perspectiva ampla sobre a universalização do saneamento básico no país, destacando os avanços e as lacunas existentes.

Atuação e Críticas do Ministério Público

A atuação da Sabesp em 2025 foi alvo de fortes críticas por parte do Ministério Público. Em agosto, o promotor Diogo Albuquerque expressou que a empresa se mantinha “omissa na apresentação de um planejamento concreto e eficiente” para lidar com as questões. Em setembro, ele reiterou que “a população permanece à mercê de um serviço recorrentemente falho”, apontando para o descumprimento da exigência legal de continuidade no abastecimento de água.

Em resposta, a Sabesp apresentou um novo plano de obras no início de dezembro de 2025, com previsão de investimento de R$ 430 milhões. Paralelamente, a prefeitura municipal informou ao UOL que intensificou a fiscalização no setor de saneamento básico, com foco na coleta e tratamento de esgoto durante a alta temporada. Em 6 de novembro, o prefeito Farid Madi (Podemos) participou de uma reunião com representantes da concessionária para discutir a “Operação Verão Sabesp”. Embora a gestão municipal afirme manter fiscalização contínua das redes e estações de tratamento, a prefeitura não detalhou quais medidas foram efetivamente adotadas para prevenir falhas no sistema de esgotamento sanitário e no abastecimento de água, nem apresentou os resultados dessa fiscalização contínua.

A Defesa da Sabesp

Em nota enviada ao UOL, a Sabesp pediu “desculpas pelo transtorno” e atribuiu as falhas de abastecimento a uma combinação de fatores: temperaturas extremas, o “aumento expressivo do consumo com o número recorde de turistas entre o Natal e o Ano-Novo”, e o baixo volume de chuvas em 2025, que resultou na redução da vazão do rio Jurubatuba. A empresa também mencionou que episódios de chuvas intensas aumentaram a turbidez da água nos mananciais, exigindo ajustes “imediatos no processo de tratamento” e reduzindo temporariamente a capacidade de produção em alguns pontos.

Como medidas emergenciais, a concessionária informou ter reforçado suas equipes de plantão em 40%, utilizado 45 caminhões-pipa e realizado manobras operacionais para restabelecer o serviço. Além disso, a Sabesp está doando caixas-d’água a moradores de baixa renda de Guarujá e Vicente de Carvalho, mediante solicitação. Sobre o projeto do reservatório Cava da Pedreira, a empresa declarou ter desenvolvido “alternativas técnicas” e que está investindo em novos reservatórios de água tratada, na ampliação de estações de tratamento e na transferência de água entre municípios.

A Sabesp negou veementemente falhas em sua rede de esgoto. Questionada sobre os alegados despejos irregulares no mar, a empresa afirmou que as redes sob sua responsabilidade “operam normalmente” e são “monitoradas 24 horas”. A concessionária atribui a responsabilidade pela drenagem pluvial que deságua nas praias à gestão municipal. A Sabesp também mencionou que testes de fumaça e corante realizados na Baixada Santista entre janeiro e setembro de 2025 – quase 10,5 mil no total – identificaram ligações irregulares em 46% dos imóveis vistoriados, indicando um problema de infraestrutura interna das residências.

A empresa também contestou a alegação de desabastecimento por 30 dias na Praia do Tombo. Após a publicação da reportagem, a assessoria da Sabesp enviou uma nota afirmando que “o que ocorreu foram momentos em que a distribuição operou com pressões reduzidas devido à alta demanda”. Segundo a concessionária, a região do Tombo possui 2.625 ligações de água e, entre 23 de dezembro do ano passado e 4 de janeiro deste ano, registrou 60 notificações de falta de água, uma média de apenas cinco reclamações por dia. A Sabesp também destacou ter identificado e resolvido, por meio de testes na região, quatro interligações irregulares no primeiro semestre de 2025.

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A crise do saneamento em Guarujá, evidenciada pela falta de água e pela presença de esgoto nas praias, mantém a população em alerta. O histórico de surto de virose gastrointestinal reforça a urgência de soluções eficazes e transparentes por parte da Sabesp e da prefeitura. Para continuar acompanhando o desenrolar desta e de outras notícias relevantes sobre o cotidiano das cidades, explore a editoria Cidades em nosso portal.

Crédito da imagem: Zanone Fraissat/Folhapress e Divulgação

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Imagem: noticias.uol.com.br