A Seven-Eleven Japan investe em café no Brasil, iniciando neste ano o apoio a práticas de agricultura regenerativa em uma extensa propriedade cafeeira no país. A iniciativa, revelada pelo “Nikkei Asia”, ocorre em parceria com a trading Mitsui & Co. A decisão da operadora da rede 7-Eleven no Japão reflete uma estratégia para assegurar a estabilidade no fornecimento de grãos, em um cenário global onde a área apta ao cultivo de café está em declínio gradual devido às mudanças climáticas e outros fatores ambientais.
O café fresco, preparado e comercializado nas lojas da Seven-Eleven, consolidou-se como um dos produtos centrais da rede, elevando a importância da cadeia de suprimentos. Diante da ameaça de retração nas regiões produtoras, a varejista japonesa optou por uma abordagem direta de apoio à produção, buscando mitigar riscos e fortalecer a resiliência de sua cadeia de valor.
Seven-Eleven Investe em Café no Brasil para Garantir Fornecimento
A agricultura regenerativa, que é o cerne deste investimento, engloba um conjunto de técnicas de conservação e recuperação ambiental destinadas a tornar a atividade agrícola mais sustentável. Entre as metodologias aplicadas, destacam-se a melhoria contínua da qualidade do solo, a significativa redução no uso de pesticidas e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Empresas globais de grande porte têm intensificado o suporte a essas iniciativas, reconhecendo sua relevância para o futuro da produção de alimentos.
No Brasil, a Seven-Eleven destinará recursos para a implementação dessas práticas em uma vasta plantação localizada na região Sudeste, operando por intermédio de uma subsidiária local da Mitsui. A área abrangida pelo projeto é considerável, totalizando aproximadamente 4 mil hectares. Um dos pilares do programa será a aplicação da técnica de cover cropping, que consiste no cultivo de vegetação entre as fileiras de café. Espécies de gramíneas, como a braquiária, serão utilizadas para aprimorar a estrutura do solo e aumentar sua capacidade de retenção de água.
Durante a primavera, essa vegetação cultivada será cortada e reaproveitada como fertilizante orgânico, enriquecendo o solo de maneira natural e sustentável. Experiências em projetos-piloto já demonstraram uma redução considerável no uso de herbicidas, validando a eficácia da metodologia. A Seven-Eleven planeja, em etapas futuras, estender a abrangência deste programa para outras propriedades cafeeiras, expandindo o impacto positivo das práticas regenerativas.
A preocupação da Seven-Eleven Japan com a sustentabilidade do fornecimento é embasada em análises concretas. Em setembro do ano passado, a companhia estimou que uma diminuição de cerca de 30% nas áreas globais de cultivo de café até 2050 poderia resultar em uma perda de vendas de aproximadamente 50 bilhões de ienes (equivalente a cerca de US$ 320 milhões). Para a elaboração de suas bebidas, a rede adquire grãos de diversas origens, incluindo Brasil, Guatemala e Colômbia. Atualmente, o café brasileiro representa uma parcela inferior a 1% do volume total comprado, em um contexto de cotações internacionais elevadas.
A adesão à agricultura regenerativa não é exclusiva da Seven-Eleven. Outras importantes corporações do setor alimentício também estão engajadas nesse movimento. A Nestlé, gigante suíça, planeja um investimento de 1 bilhão de francos suíços (aproximadamente US$ 1,26 bilhão) até 2030, com o objetivo de tornar sua produção de café integralmente mais sustentável. A Danone, empresa francesa, iniciou em 2017 a incorporação de matérias-primas provenientes desse modelo em sua cadeia de suprimentos de laticínios, reforçando o compromisso com a sustentabilidade.

Imagem: Kiyoshi Ota via valor.globo.com
No Japão, companhias como a Kirin Holdings também já implementaram iniciativas similares, demonstrando uma tendência de mercado. O cenário atual, marcado pelas mudanças climáticas e pelas crescentes tensões geopolíticas, tem intensificado a percepção da necessidade de cadeias de suprimento mais resilientes e sustentáveis, impulsionando a ampliação desse movimento de adoção da agricultura regenerativa globalmente.
A consultoria indiana Coherent Market Insights projeta um crescimento exponencial para o mercado global de agricultura regenerativa, estimando que ele alcance a cifra de US$ 37,3 bilhões até 2032. Este valor representa um aumento de cerca de 2,8 vezes em relação ao nível projetado para 2025, sublinhando o potencial e a relevância crescente dessas práticas. Para mais informações sobre o impacto das mudanças climáticas na agricultura e as soluções propostas, confira os estudos da Embrapa sobre agricultura regenerativa.
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Em suma, o investimento da Seven-Eleven Japan em agricultura regenerativa no Brasil é um passo estratégico fundamental para garantir a estabilidade do fornecimento de café em um futuro incerto. Essa iniciativa não apenas protege os interesses comerciais da empresa, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental da produção agrícola global. Continue acompanhando a seção de Economia do nosso portal para ficar por dentro das últimas notícias sobre investimentos e sustentabilidade no agronegócio.
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