O silêncio organizacional, caracterizado pela omissão de contribuições e ideias dos colaboradores por medo de retaliação, emerge como um obstáculo significativo à inovação e à efetivação da diversidade nas empresas. Embora as pautas de inclusão e a contratação de talentos diversos tenham ganhado espaço no discurso corporativo, a realidade da tomada de decisão não espelha esse avanço. Este desalinhamento propaga um ambiente onde a segurança psicológica dos profissionais é comprometida, resultando em perdas substanciais para as organizações.
Esta problemática é um dos pilares da pesquisa nacional intitulada “Diversidade sem Poder: quem entra, mas não decide”, desenvolvida pela Heach Recursos Humanos. O estudo aponta que a ausência de um ambiente de segurança psicológica motiva os colaboradores a silenciarem suas percepções e sugestões perante as lideranças, o que invariavelmente restringe a capacidade da empresa de capturar todo o valor inerente à sua força de trabalho diversificada. A pesquisa, que buscou compreender a dinâmica do poder decisório, ouviu um universo de 1.250 profissionais em janeiro de 2026, provenientes de companhias com um quadro funcional de cem ou mais colaboradores.
Silêncio Organizacional Inibe Inovação e Diversidade nas Empresas
Os resultados da análise da Heach evidenciam que o silêncio é uma resposta direta à percepção de que a mera presença em um grupo de trabalho não se traduz em influência real sobre as decisões. Esta desconexão entre participação e poder decisório agrava o problema, criando um ciclo vicioso de desengajamento e perda de potencial inovador. A investigação revelou dados alarmantes que ilustram essa realidade nas corporações:
- **Apoio Sem Voto:** Cerca de 68% dos profissionais pertencentes a grupos diversos participam ativamente de reuniões estratégicas, no entanto, lhes falta o poder efetivo de influenciar ou tomar decisões cruciais. A sua presença, embora notada, não se converte em voz decisória.
- **Contribuições Ignoradas:** Uma parcela considerável, 61% dos entrevistados, relata que suas contribuições e ideias raramente conseguem alterar decisões que já foram previamente estabelecidas pela liderança, indicando uma postura reativa e de pouca abertura a novas perspectivas.
- **Validação Formal:** Para 57% dos profissionais, a consulta por parte dos superiores se resume a uma formalidade. Eles percebem que são chamados apenas para validar e endossar definições que já estavam prontas, e não para contribuir genuinamente na sua construção.
- **Medo de Consequências Negativas:** A preocupação com o impacto negativo na trajetória profissional é uma constante para 54% dos respondentes, que admitem evitar discordar de seus líderes, por receio de sofrerem retaliações ou prejuízos em suas carreiras.
- **Retaliação Velada:** Quase metade dos profissionais, 49%, acredita firmemente que expor problemas internos ou falhas organizacionais pode acarretar em retaliações disfarçadas ou veladas, desestimulando a transparência e a identificação de pontos de melhoria.
- **Cuidado com as Palavras:** Um alto percentual de 46% dos participantes afirma que a prática de medir cuidadosamente as palavras durante encontros estratégicos é uma constante em seu dia a dia profissional, evidenciando a cautela e o receio de expressar-se livremente.
Para mensurar de forma mais concreta o nível de acesso ao poder dentro das organizações, a Heach desenvolveu o Índice de Diversidade com Poder (IDP), uma ferramenta que varia de 0 a 100 pontos. A média nacional aferida pelo estudo ficou em 52 pontos, um valor que demonstra numericamente que a inclusão nas empresas ainda se encontra em um estágio parcial e distante do ideal. O desempenho mais precário entre todos os indicadores avaliados foi justamente o que se refere ao poder decisório real, registrando apenas 47 pontos. Logo em seguida, com 49 pontos, está a segurança psicológica, uma dimensão intrinsecamente ligada ao silêncio e ao receio de retaliação, reforçando a interdependência entre estes fatores.
Desafios na Liderança Intermediária e o Risco para a Sucessão
O estudo aponta para uma ironia no cenário corporativo: a perda de influência se manifesta de maneira mais acentuada justamente na transição para posições de maior responsabilidade, o que é conhecido como liderança intermediária. Enquanto a alta liderança demonstra um IDP médio de 67 pontos, um índice robusto, este valor despenca consideravelmente para 48 pontos entre coordenadores e 50 pontos entre gerentes. Tal discrepância representa um enfraquecimento notável no pipeline de sucessão das empresas, comprometendo a formação de futuros líderes e a continuidade estratégica dos negócios.

Imagem: infomoney.com.br
Perspectiva do CEO: O Alto Preço do Silêncio para o Negócio
Para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, a persistência deste cenário de silêncio organizacional e falta de poder decisório para profissionais diversos impõe um custo elevado e insustentável para a sustentabilidade e a continuidade dos negócios. “Quando os profissionais são meros participantes e não detêm poder real de decisão, o engajamento se deteriora progressivamente. A consequência imediata é a frustração, mas, mais criticamente, há um aumento significativo do risco de perder talentos valiosos e a formação de um vácuo na constituição de futuras lideranças”, analisa o executivo. Ele enfatiza que, apesar do avanço da diversidade na contratação, o poder permaneceu centralizado. “Sem uma revisão profunda das estruturas decisórias, a inclusão se torna frágil, e a sucessão de talentos, vulnerável”, pondera Teixeira. Para mais informações sobre a importância da segurança psicológica no ambiente de trabalho, que é fundamental para combater o silêncio organizacional, confira análises aprofundadas em plataformas como a Exame.
Teixeira ressalta que o desafio atual não é superficial, mas sim estrutural, exigindo que as companhias transformem o discurso inclusivo em práticas efetivas nas mesas de decisão. “Hoje, o principal gargalo não reside mais em quem consegue ingressar na empresa, mas sim em quem detém o poder de decisão. Diversidade sem poder não possui sustentabilidade, e impõe um preço elevado em termos de retenção de talentos, capacidade de inovação e, em última instância, na continuidade e sucesso do negócio”, conclui o CEO, sublinhando a urgência de uma mudança paradigmática no modelo de gestão.
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Em suma, a pesquisa da Heach Recursos Humanos lança luz sobre a crítica realidade do silêncio organizacional, um fenômeno que estrangula a inovação, frustra talentos diversos e fragiliza o futuro das lideranças corporativas. A superação desse desafio exige das empresas uma reavaliação profunda de suas estruturas de poder, garantindo que a diversidade se traduza em efetiva influência e decisão. Para aprofundar-se em análises sobre gestão corporativa e economia, continue acompanhando nossa editoria de Economia.
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