A SpaceX planeja IPO neste ano, com uma estratégia de listagem no mercado que visa espelhar a estrutura de ações de dupla classe já proposta por seu fundador bilionário, Elon Musk, para a Tesla. A iniciativa, que atualmente se encontra em deliberação, busca assegurar que os acionistas selecionados, incluindo o próprio Musk, mantenham um poder de voto substancialmente superior, permitindo-lhes dominar as decisões estratégicas da companhia, mesmo com uma participação acionária minoritária.
Este arranjo de dois níveis para o IPO da SpaceX é um mecanismo que confere a certos detentores de ações uma quantidade desproporcional de votos por papel. Tal modelo possibilita que figuras-chave, como o CEO Elon Musk, preservem o controle efetivo sobre a direção e as operações da empresa de foguetes e satélites. Esta abordagem estratégica é crucial para Musk, que busca blindar as ambições espaciais da SpaceX e sua visão de longo prazo contra pressões de acionistas ativistas, conforme fontes familiarizadas com o assunto.
SpaceX planeja IPO e garante controle para Elon Musk
A fabricante americana de foguetes e satélites não apenas está focada na estrutura de capital para seu IPO, mas também está ativamente no processo de expansão de seu conselho de administração. A adição de novos membros tem como objetivo fortalecer a governança e oferecer orientação estratégica para a iminente oferta pública inicial. Paralelamente, a empresa almeja impulsionar as ambiciosas iniciativas espaciais de Musk, que transcendem o negócio principal de foguetes e satélites, abrangendo projetos inovadores em inteligência artificial e infraestrutura lunar.
A expectativa é que a SpaceX realize sua oferta pública inicial ainda em 2024. Este IPO tem o potencial de arrecadar uma soma significativa, estimada em até US$ 50 bilhões. Os recursos levantados seriam direcionados para financiar projetos de vanguarda, incluindo a construção de data centers de inteligência artificial no espaço e o desenvolvimento de uma fábrica na Lua. Recentemente, a SpaceX expandiu ainda mais seu escopo de atuação ao adquirir a xAI, outra iniciativa de Elon Musk, solidificando sua entrada no setor de inteligência artificial e demonstrando um claro movimento para além de suas operações centrais.
As discussões sobre os pormenores do IPO estão em andamento e, conforme as fontes que preferiram manter o anonimato, os detalhes podem sofrer alterações. A empresa não se manifestou oficialmente sobre o pedido de comentário referente às informações divulgadas até o momento. A utilização de ações de dupla classe é uma prática relativamente comum no universo das empresas de tecnologia nos Estados Unidos, com exemplos notáveis como a Meta (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp) e a Alphabet (empresa-mãe do Google).
Essa modalidade de ações é frequentemente justificada como um meio para permitir que os fundadores e líderes se concentrem em uma visão estratégica de longo prazo, protegendo-os de pressões por resultados imediatos que poderiam desviar a empresa de seus objetivos fundamentais. No entanto, críticos argumentam que tal estrutura pode diminuir a responsabilidade dos executivos perante o conselho e os acionistas comuns, uma vez que ações de dupla classe geralmente concedem aos fundadores e diretores 10 ou até 20 votos por ação, em contraste com apenas um voto para as ações ordinárias. Essa disparidade confere um poder decisório desproporcional, concentrando a governança nas mãos de poucos.

Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
A implementação de uma estrutura de ações de classe dupla que garanta a Musk ações com múltiplos direitos de voto é uma tática para estabelecer uma defesa robusta contra a influência de acionistas ativistas. Estes investidores frequentemente buscam impor mudanças na gestão ou na estratégia da empresa, muitas vezes em desacordo com a visão dos fundadores. Musk tem sido um defensor vocal dessa estrutura hierárquica, chegando a propor a criação de uma classe dupla de ações para a Tesla, com o objetivo de assegurar pelo menos 25% do controle de voto na montadora.
O bilionário chegou a ameaçar desenvolver seus projetos de inteligência artificial e robótica em outras empresas caso não conseguisse atingir esse patamar de influência na Tesla. Em uma declaração em 2024, Musk ponderou que, mesmo com esse nível de controle, ele não conseguiria “controlar a empresa, mesmo que eu enlouqueça”, indicando uma preocupação com a percepção de poder excessivo. Atualmente, ele detém cerca de 11% das ações da Tesla, mas seu novo pacote de remuneração, avaliado em US$ 1 trilhão, poderá elevar sua participação para 25% ou mais na próxima década, consolidando ainda mais seu poder de voto na empresa de veículos elétricos.
Adicionalmente, relatórios da Bloomberg News indicam que a SpaceX tem explorado a viabilidade de uma possível parceria com a Tesla, uma ideia que alguns investidores têm defendido com entusiasmo. Essa sinergia potencial entre as duas empresas de Musk poderia abrir novas avenidas de inovação e colaboração em diversas frentes, desde tecnologia de baterias e materiais avançados até o desenvolvimento de sistemas autônomos e inteligência artificial aplicada em ambos os setores. As discussões internas refletem a ambição contínua de Musk de integrar suas diversas iniciativas para maximizar o impacto tecnológico e financeiro de suas holdings.
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Em suma, a iminente oferta pública inicial da SpaceX representa um marco significativo não apenas para a empresa de exploração espacial, mas para o mercado financeiro como um todo. A decisão de adotar uma estrutura de ações de dupla classe sublinha o desejo de Elon Musk de manter o controle estratégico e a visão de longo prazo para a SpaceX, um modelo que já foi observado em outras gigantes da tecnologia. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos desta e de outras notícias que impactam o cenário econômico e corporativo global, continue acompanhando nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Bloomberg L.P.






